Da liberdade de expressão

Ver umas dezenas de cidadãos, muitos deles com colunas em jornais de grande audiência, ocupando vários espaços televisivos, escrevendo em blogs alojados na plataforma da Portugal Telecom, com programas na rádio, a manifestar-se contra a falta de liberdade expressão é bem a prova de que a asfixia impera.

(Pedro Marques Lopes, no DN)

O argumento apresentado pelo Pedro Marques Lopes no DN é dos mais repetidos estes dias entre os defensores deste executivo. O argumento circular dita assim: enquanto alguém se puder insurgir contra a falta de liberdade de expressão, não temos qualquer problema de liberdade de expressão e por isso não vale a pena insurgir-se. No fundo, o que estas pessoas nos dizem é que só nos podemos queixar da ausência de liberdade de expressão quando tal deixar de ser possível. Isto é o mesmo que dizer a um doente com gangrena no dedo do pé, que enquanto ele puder caminhar não vale a pena ir ao médico.
A gangrena que afecta a nossa liberdade de expressão são os processos em tribunal a colunistas e bloggers pelo simples facto de opinarem contra o primeiro ministro, são os colunistas excluídos de jornais depois de os boys do governo tomarem conta de uma empresa, são pivots de televisão despedidos por serem inconvenientes, são assessores do governo pagos para ameaçar jornalistas de forma anónima num blog.
A liberdade de expressão não tem uma existência binária, é gradativa. E a verdade é que, apesar de termos um nível satisfatório de liberdade de expressão, ela tem sido atacada por este executivo. É indubitável que hoje temos menos liberdade de expressão do que tinhamos há 5 anos atrás. Não é preciso chegarmos à situação da Argélia para nos debatermos pela liberdade de expressão. Aliás, a única forma de não chegarmos lá, é batermo-nos por ela desde já.

2 pensamentos sobre “Da liberdade de expressão

  1. Cirilo Marinho

    Nao podia estar melhor explicado. No post acima aparece mais um exemplo de um idiota a defender o mesmo tipo de tese. Como Portugal é o vigésimo primeiro país do mundo, a malta não pode criticar. E quem critica é um mal agradecido.

    Esta gente não sabe mesmo viver com a mais elementar regra de respeito pela opinião dos outros. Enfim.

    Vale-nos ao menos que já ninguém se propõe a enviar os dissidentes para o campo pequeno. Embora vontadinha não lhes falte…

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