Jornalistas inexperientes

Parece que no Verão passado andaram alguns “jornalistas mais novos” a fazer perguntas parvas aos nossos governantes. A atenção que Armando Vara dedica a estes problemas parece indicar que, talvez com medo da crise financeira e da solvência do seu banco, está a pensar numa carreira alternativa nos meios de comunicação social.

Armando Vara: “Acabei de saber que o teu jornal manda a tese de que isto foi uma cabala para correr com ela [Moura Guedes] e que a história do Cébrian foi o primeiro-ministro que falou com o Zapatero! […] Mas quem é que na redacção manda nesses assuntos?”

Amigo Joaquim: “Só falo com o Marcelino. […] Disse-lhe para ter atenção com essa brincadeira”.

Para se precaver, depois de falar com o Director do DN, João Marcelino, o proprietário da ControlInveste (TSF, JN e DN) liga ao director do JN, José Leite Pereira para o avisar “Tenham cuidado com as perguntas que andam a fazer”.

A preocupação com o bem estar dos seus subordinados é comovente. Há perguntas que mordem.

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12 pensamentos sobre “Jornalistas inexperientes

  1. rui costa

    Ponto 1 – Não acho admissível que um Governo exerça pressões sobre grupos económicos para estes influenciarem a linha editorial de órgãos de comunicação que lhes pertençam.

    A minha pergunta é: Se o DN tivesse intenção de publicar uma notícia que prejudicasse os interesses do grupo económico ao qual pertence e o Joaquim Oliveira telefonasse para o João Marcelino e dissesse a mesma coisa, essa acção seria criticada ou seria considerada legítima?

  2. Rui,

    Eu sou daqueles que acha que cada um deve fazer o que quer com aquilo que é seu, Joaquim Oliveira incluído. Ou seja, a coisa pode ser legítima o que não quer dizer que não possa ser criticada ou que não tenha qualquer relevância política para a situação actual do país (relembro os elogios de Sócrates ao DN).

    O DN, o JN e a TSF podem ter a linha editorial que entenderem. Não se podem é furtar às críticas. Aliás, nesta casa já se criticou linhas editoriais de vários jornais pertencentes a grupos distintos e parece-me algo normal que se faça em democracia (nunca recorremos a favores de ninguém para mudar linhas editoriais nem usámos dinheiros públicos para calar ninguém). E quem não gosta não compra como é óbvio.

  3. Acrescento que aguardo com alguma curiosidade a reacção daqueles que ontem não se quiseram associar à manifestação. Nomeadamente aqueles que eram por “outra liberdade” – a liberdade de os jornalistas dizerem aquilo que lhes apetecesse com o “microfone” que pertence a Joaquim Oliveira.

    Deveriam eles estar muito mais indignados do que eu com estas aparentes pressões sobre “jornalistas mais novos” para que não fizessem perguntas incómodas.

  4. José Barros

    O que o Nuno Branco diz é o que importa relevar nesta questão:

    1) O governo não pode interferir através de intermediários na comunicação social e quando o faz, mesmo que não responda criminalmente, responde, pelo menos, politicamente (demissão ou dissolução da AR).

    2) Os donos dos jornais – e digo isto sabendo que a lei de imprensa e o estatuto dos jornalistas não permitem o que vou dizer – arriscam o seu capital no sucesso ou insucesso do seu negócio. Donde, têm legitimidade para dar ordens aos directores dos jornais. Mas não estão ao abrigo de crítica em qualquer sociedade liberal. Se há sinais de que o fazem para agradar ao governo ou por mera cumplicidade política serão legitimamente criticados por isso. Pior, se há sinais de que o fazem para obter negócios do governo poderão eventualmente responder criminalmente (por corrupção ou tentativa da mesma).

  5. rui costa

    A crítica é normal e necessária em democracia. A crítica é fundamental!
    No entanto a diferença que eu percebo entre os nossos pontos de vista é que eu não considero que, por ser dono de um jornal, um grupo ecónomico possa influenciar o tipo de notícias que um jornal publica. Se o faz está a recorrer à propaganda com a finalidade de induzir o público em erro, de forma consciente, com o objectivo de beneficiar os seus outros negócios, o que certamente vai contra a ética e deontologia jornalística. Isso acontece não só em países com um Estado muito presente na sociedade. Nem sempre a moeda de troca da linha editorial é um favorecimento do Estado.
    Como é obvio este racíocinio também se aplica ao Governo, e a outras entidades, na sua necessidade de controlar a informação.
    Um problema grave é que em Portugal, ao contrário de outros países, a classe jornalística continua a assumir como valor principal a notícia, não admitindo que o jornal x ou jornal y, possa possuir uma linha editorial marcadamente socialista, comunista, social-democrata, conservadora, etc.
    Esta é, a meu ver, a grande arma do jornalista para depois, como é o caso, se assumir perante a sociedade como vítima de pressões, quando provavelmente ele próprio, ou o jornal de que faz parte, tem a sua agenda editorial influênciada pelos seus interesses.

    Se colocarmos a ética e deontologia da classe como centro do debate, talvez fosse possível conseguir que os profissionais fossem mais imunes a estas pressões, ecónomicas ou Governamentais.

  6. “No entanto a diferença que eu percebo entre os nossos pontos de vista é que eu não considero que, por ser dono de um jornal, um grupo económico possa influenciar o tipo de notícias que um jornal publica. […] Se colocarmos a ética e deontologia da classe como centro do debate, talvez fosse possível conseguir que os profissionais fossem mais imunes a estas pressões, económicas ou Governamentais.”

    Pois, mas o centro do debate para mim é o respeito pela propriedade privada. E se o amigo Joaquim quer fazer um jornal propagandista deste ou daquele governo está no seu direito. A grande arma do jornalista consiste em escrever artigos que o seu patrão esteja disposto a pagar por eles, se o público estiver mais interessado em propaganda do que em factos ninguém deve ser impedido de satisfazer o interesse do público.

    O Rui acha que o “Jornal” Avante não induz o público em erro? Acha que não o faz para proveito próprio? Acha que devia ser proibido por isso?

    Eu acho que não. Tal como acho que qualquer pessoa que queira pode emitir um juízo de valor sobre a linha editorial tanto do Avante, como do DN, JN e TSF.

  7. rui costa

    Nuno,

    Claro que acho que o Avante mostra uma linha editorial completamente ideologica, mas se qualquer pessoa comprar o Avante, sabe ao que vai. Sabe o que vai encontrar. Eu gosto do jornalismo de linha editorial clara. Já li noticias no Avante que me fizeram questionar, pesquisar e reflectir.
    Como gosto dos blogs com sentido editorial. Eu estou bastante longe da linha editorial deste blog, mas venho “a esta casa” todos os dias, ou quase, para aprender outros pontos de vista, que muitas vezes me fazem ainda mais defender os meus, outras vezes fazem-me repensar os meus. Mas eu sei o que vou encontrar.

    Não gosto é da mentira que quase todos os jornalistas portugueses gostam de viver, de que escrevem sem linha editorial e sem ideologia. Assumam-se! Pode haver ideologia e qualidade. E a qualidade é o que mais interessa.

  8. Bom, eu diria que com a conversa de Joaquim Oliveira publicada pelo Sol e que eu aqui transcrevi está esclarecida a linha editorial da ControlInveste.

    Foi mais um serviço público Insurgente 🙂

  9. “No entanto a diferença que eu percebo entre os nossos pontos de vista é que eu não considero que, por ser dono de um jornal, um grupo ecónomico possa influenciar o tipo de notícias que um jornal publica.”

    Rui,

    Quem escolhe o director de um jornal?

  10. “Não gosto é da mentira que quase todos os jornalistas portugueses gostam de viver, de que escrevem sem linha editorial e sem ideologia. Assumam-se! Pode haver ideologia e qualidade. E a qualidade é o que mais interessa.”

    De acordo.

  11. “Ouviram a escuta do Sócrates pedindo apoio ao Darth Vader para controlar os Meios Inter-Galácticos?”

    E para pedir aos abrantes para comentarem em blogues não abrantes: é preciso escuta ou está implícito nas condições contratuais?

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