Maus hábitos

João Miranda

Pedro Adão e Silva defendia ontem que estes serviços de rating deviam ser dados por uma autoridade pública idónea sob controlo do banco central europeu. Ou seja, dava jeito que os ratings fossem atribuídos, em regime de monopólio, por um burocrata sobre quem se pudesse fazer pressão política, como se faz actualmente com o BCE. O senso político deve prevalecer sobre o mercado neoliberal. Mas será que o mercado iria na conversa?

Bom mesmo era se os ratings de Portugal pudessem ser atribuídos pelo amigo Constâncio, ou até pelo governo. Ou se o governo pudesse decidir os ratings com um telefonema, tal como faz com as linhas editoriais das televisões e dos jornais. No fundo, a melhor análise de rating é o sistema implementado para a avaliação dos professores: muita burocracia que no fim se reduz à auto-avaliação.

Tudo isto revela uma sociedade pouco habituada a ser avaliada por autoridades externas e independentes. Uma sociedade que facilmente recorre a teorias da conspiração para desculpar as suas próprias debilidades. Uma classe política medíocre que reage mal a toda a opinião que não controle. Um desejo de controlo de tudo o que seja opinião independente. Uma incapacidade de viver para alem do “estou muito satisfeito comigo”.

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