PSL e a Grã-Cruz da Ordem de Cristo

É indigna a forma como na comunicação social e nos blogues se diminui a condecoração de Pedro Santana Lopes por Cavaco Silva. PSL serviu como conseguiu o país, num quadro político que lhe foi absolutamente desfavorável. O resultado não foi famoso, mas ele acabou por ser o elo mais fraco de uma teia com múltiplos protagonistas: Durão Barroso, Ferro Rodrigues, Sampaio, e até José Sócrates, que soube bem gerir os timings do PS e a onda dos media em seu benefício.

Numa sociedade democrática saudável, há respeito por quem a serve, estes actos mais solenes não são postos em causa. Eu considero não só justíssima como merecida a entrega a Pedro Santana Lopes da Grã-Cruz da Ordem de Cristo.

10 pensamentos sobre “PSL e a Grã-Cruz da Ordem de Cristo

  1. A. R

    Foi pelo menos, é e será, um dos homens mais dignos e honestos que há na política. É todo ele genuíno e mostrou que alguns Presidentes de todos os Portugueses vestem rapidamente a farda do partido de origem para a despir de seguida.

  2. não passou de hipocrisia do sr. silva. PSL só tem a culpa de ter aceite, depois de ter sido a “má moeda” com que o outro relançou a sua carreira política… ficou mal a um homem que nem foi um mau PM…

  3. Vítor Soares

    Estas condecorações, muitas feitas mais por tradição do que por mérito, seriam ridículas caso o quadro geral da vida política portuguesa não fosse baseado em corrupção e desinteresse pela causa pública (ao invés de interesse pela auto-promoção dos políticos e enriquecimento financeiro com arranjinhos aqui e ali).

    Mas visto que o povo (o que ainda vai às urnas) continua a votar nestas raposas, então Santana Lopes, tal como outros tipos que pouco se interessam com o Bem-Estar geral da sociedade, foi muito bem condecorado!

    Cumprimentos.

  4. Al

    O Acabado andava com um peso na consciencia, dai resolveu fazer uma ofertazinha para que não restasse qualquer rancor sobre o assunto.

  5. Fernando S

    PSL tem certamente muitos defeitos e, como se veio a provar, não foi na altura a melhor opção para a leaderança do PSD e do governo.
    Mas foi objecto de uma injustificada e vergonhosa campanha de descredibilização pessoal e politica, eficientemente orquestrada e levada a cabo pela esquerda, com a cumplicidade usual dos médias e, mais surpreendentemente, de uma parte da direita.
    Incluindo Cavaco Silva, na altura pronto a todos os oportunismos para maximizar as suas chances de vitoria em eleições presidenciais, o que acabou por acontecer (e eu votei por ele ; e tudo indica que voltarei a faze-lo nas proximas).
    Esta campanha abriu espaço para um verdadeiro golpe institucional que violou as mais elementares regras e praticas normais do jogo democratico : a demissão de um governo com uma maioria parlamentar clara e solida.
    Pela mesma bitola e reciprocamente, Cavaco Silva teria hoje bem mais argumentos para mandar para casa o governo minoritario de José Socratas e convocar novas eleições.
    Não o faz, e ainda bem !

  6. Que causas, longe das convulsões atávicas motivadas por diferenças ideológicas, preconceito ou falhas de comunicação, conduzem ao ódio entre pessoas – individuais ou colectivas – entre as quais previamente não exista qualquer relacionamento? Porque é que uns parecem ver noutros um alvo a abater, chegando a extremos de exibir, a despudor, double-standards que invocam sob uma capa de altruísmo ou rectidão?

    É humano, e bem intelectualizável, que a intolerância favoreça perseguições recorrentes; religiosos/ateus, gays/hetero, esquerda/direita, hutus/tutsis são exemplos de pares ordenados nesta álgebra da estupidez. Mas ainda que recorramos à totalidade taxonómica das idiossincrasias “clássicas”, continuam a sobrar peças.

    Porque é que há famílias e casais, interiormente a cuja vivência emocional tudo funciona – do companheirismo à carne, das ideias ao conforto perante os medos do quotidiano – e grupos de amigos ou colegas, onde a coexistência e até a entreajuda deveriam servir de cimento, mas onde, contudo, cedo ou tarde há sempre uma exígua minoria – por vezes de um só elemento – que se torna passível de “receber um peixe num jornal”, como n´O Padrinho de Mario Puzo?

    Parecem-me identificáveis pelo menos três situações em que tal pode suceder:

    – a “ovelha negra” evidencia uma independência de carácter, consubstanciada pela inexistência de carências socio-psicológicas; não tem “need to belong”, nem complexos de culpa por ser feliz/bem sucedido, nem tão pouco necessidades prementes de ser útil a quem quer que seja a não ser a quem bem decidir sê-lo de sua livre vontade. Tais entidades são de imediato marcadas para abate, com raiva e revolta, por servirem de espelho a quem muitas vezes gostaria de compartilhar das especificações técnicas que aqui evidenciei. O mote, assim, seria aqui “odeio-te porque não tens as minhas fraquezas, então vou denegrir as tuas forças”.

    – pode ser, ainda, que o “alvo” sendo de facto uma pessoa justa e equilibrada, opte por não exercer esta forma de estar até ao sacrifício, e somente algumas vezes pelas mesmas normas éticas da maioria; também neste caso, semelhantemente ao que ocorre quando os animais na savana farejam a diferença num da matilha e o afastam com dentes e garras, a humanidade que temos vem enquadrar como “patológicas” as dissonâncias de conduta preconizadas por aquele ou aqueles a quem pareça irracional a submissão a certos códigos deontológicos tidos como superiormente válidos.

    – por último, hoje acontece, pelo menos no mundo ocidental onde as preocupações, após a primeira metade do séc. XX, deixaram de versar essencialmente sobre a obtenção de segurança física para se inclinarem sobre questões mais etéreas, que existe uma espécie de “ditadura do racional”, bem desmontada aqui pelo psiquiatra Bruce Charlton, por força da qual ocorre uma repressão de tratos evolutivos favoráveis adquiridos ao longo do tempo, como a intuição, o senso comum e a inteligência emocional, por parte de uma intelligentsia cujos membros fazem por conduzir a sua vida por estradas onde principalmente arquétipos, e raramente o pragmatismo, servem para decidir.

    Daqui floresce então muito ódio, na medida em que é de todo impossível a quem estiver de fora dos círculos kosher (escrevo-o sem conotações rácicas, atenção) evitar o ostracismo, num mundo onde cada vez mais pensar contra a corrente é tido como uma perigosa subversão. Em suma as pessoas odeiam outras pessoas para não se odiarem a si mesmas.

    Resta seguir Thoreau quando disse Most are engaged in business the greater part of their lives, because the soul abhors a vacuum and they have not discovered any continuous employment for man’s nobler faculties.

  7. Ninguém contribui mais para a degradação da Grã-Cruz da Ordem de Cristo do que os PRs que atribuem a condecoração a qualquer badameco só por ter sido PM. Tendo em conta a gente que por lá passou ter atribuído a metade deles já era exagero.

  8. Mas não foi o próprio Cavaco Silva que diminuiu a condecoração de Santana Lopes, ao justificá-la como tendo em vista “o dever e a tradição de condecorar”?

  9. RAF

    Sem dúvida.
    Mas estamos longe de viver numa sociedade democrática saudável.

    Uma modesta tentativa de encontrar uma explicação para a motivação das críticas:
    Esta condecoração vem revelar a fragilidade da decisão do anterior Presidente, torna-a polémica. Porque reconhecer o mérito do serviço público prestado por PSL amolga um pouco o argumento “trapalhada” (como os socialistas não têm argumentação válida, é uma cultura simplex, baseiam-se em termos paupérrimos como este…)

    PSL serviu como pôde o país, tinha uma equipa ministerial óptima, talvez a melhor equipa desde o tempo da AD. Esse mérito, pelo menos, ninguém lhe pode tirar.
    Além disso, PSL sempre revelou uma frontalidade e uma autenticidade que, no país da maledicência, onde se dão facadinhas nas costas, é um handicap terrível.
    Ana

  10. O fantasma

    fica uma certeza. P.S.L. não precisou de traír para ser condecorado.-

    Será que muitos que por aí andam podem dizer o mesmo?

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