Perversões

Isto é válido para todos os partidos e para os mais variados assuntos. Parece-me absurdo que, na AR, a liberdade de voto seja encarada como uma excepção concedida pelas direcções partidárias a deputados eleitos com mandato é individual.

Mais valia termos um deputado em representação de cada partido com um peso eleitoral equivalente ao número de mandatos. Até podiam fazer as sessões à hora do almoço no Gambrinus.

LEITURA COMPLEMENTAR: Para que serve a AR?

5 pensamentos sobre “Perversões

  1. É o sistema que temos, enquanto não houver circulos uninominais é isto que vamos ter, e nunca vai ser diferente porque é assim que convém aos partidos. É que os deputados não são escolhidos pelos cidadãos, os deputados são escolhidos pela elite partidária em Conselho Nacional à porta fechada. Aos eleitores pede-se apenas que aloquem esses deputados às suas cadeiras de forma proporcional.

    Como tal o deputado não está lá para servir a população. Está para servir a direcção nacional, a entidade que realmente tem poder de veto sobre a sua re-eleição.

  2. Por um lado, é o que o Nuno diz. Embora haja aí uma certa mistificação do deputado eleito uninominalmente. Basta olhar para as Câmaras Municipais, verdadeiros círculos uninominais, para vermos que a perversão do sistema passa a cirandar já não à volta da elite nacional mas da elite local. O que não é pior. Mas não é muito melhor.

    Mas há que olhar para o outro lado. Há a questão do Programa. Se eu tivesse sido convidado para candidatar-me a deputado pelo meu partido, leria o programa e negociaria, de antemão, por discordância com o programa, os pontos nos quais deveria ter liberdade de voto ou, em alternativa, anunciaria publicamente na campanha, a minha posição sobre o assunto. Se me fosse vedada essa possibilidade, teria de decidir se aceitava candidatar-me ou não. É que é muito bonito candidatar-se por um programa sem se dizer que dele se discorda na altura de ir buscar o voto e depois, no conforto da comunicação social favorável, vir dizer que afinal se discorda deste e daquele ponto.

    Se o eleitorado socialista é favorável, supondo, ao casamento, convém que ele saiba que o deputado X ou Y (cabeça de lista aqui ou ali), se for eleito, votará contra. Ou vice-versa. Imagine-se aqui este vosso amigo andar caladinho na campanha, dizendo o programa do cds o que diz, e depois, uma vez eleito, vir votar em sentido contrário ao mesmo.

    Claro que isto serve para analisar este assunto e todo um conjunto de outros assuntos em que o prurido que agora se demonstra vai pelo galheto… :

  3. “Mas há que olhar para o outro lado. Há a questão do Programa”
    Pois. Mas convém ao partido saber que convida para as listas. Ou então é só para “encher chouriços”.

  4. Esqueci-me de acrescentar. Não se conhecem, com excepção eventual dos casos da JS e das deputadas do humanismo e democracia, compromissos claros de nenhum outro deputado sobre uma questão que foi claramente colocada na campanha eleitoral e não estava numa nota de rodapé do programa.

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