A estatística tem tiques liberais

Países que têm mais despesa pública e mais receita fiscal (em relação ao PIB) na Europa: Suécia, Dinamarca, França, Finlândia, Bélgica. Países que têm menos receita mas poupam na despesa: Roménia, Bulgária, Eslováquia, Lituânia, Malta

(Daniel Oliveira, no Arrastão)

Para o Daniel Oliveira, e José Gusmão, uma pista: o crescimento do PIB em 2008 para a Suécia, Dinamarca, França, Finlândia e Bélgica foi de -0.4%, -1.2%, 0.3%, 0.9% e 1.0% respectivamente. Já para a Roménia, Bulgária, Eslováquia, Lituânia e Malta foi de 7.1%, 6.0%, 7.3%, 3.1% e 2.7%. Dá para perceber aqui um padrão?
Pelo sim pelo não, aqui fica um desenho. No gráfico em baixo encontram a relação entre crescimento do PIB e peso do estado na economia em 2008 para todos os países apresentados nesta tabela:

Para infelicidade da esquerda, não é só a economia que é de direita, também a estatística é inimiga do proletariado.

Desemprego nos EUA

Há mentiras e há estatísticas, e quando vejo uma noticia a reportar que o despesismo de Obama salvou 600 mil empregos (género Sócrates on steroids) sei que algo de errado se passa e sobre o desemprego nos EUA muita coisa há a dizer. Se a memória não me falha foi Bill Clinton que durante os anos 90 mudou (ou mandou mudar) a forma como eram calculadas a estatísticas do desemprego (entre outras coisas, como a inflação) porque, supostamente, a realidade não lhe devia servir muito.

Nesta imagem em baixo deixo três medidas diferentes para a taxa de desemprego:

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Como se desincha um orçamento inchado, sem desinchar?

Gostava que o João Galamba explicasse como é que com as taxas de crescimento previstas para Portugal, é possível fazer a consolidação sem diminuir drasticamente a despesa.

“Esmiuçando” o OE, e a forma como são alocadas as verbas pelas diversas rubricas, tomando como referência a dificuldade que haverá em aumentar as receitas fiscais, dado o crescimento anémico da nossa economia e a manutenção de uma elevada taxa de desemprego, não há dúvidas para ninguém que tenha feito as contas – e eu fiz as contas – que serão uns largos milhares de milhões de euros – no mínimo, oito mil milhões de euros – que vai ser necessário literalmente “cortar” em OE’s futuros, para atingir, primeiro os 3%, depois um défice 0.

[D]izer que consolidação orçamental não implica uma redução da despesa pública, pois consolidação é sobretudo um conceito qualitativo“, faz sentido no País das Maravilhas da Alice e do seu coelhinho, mas não no quadro da realidade orçamental portuguesa.

Convido o João Galamba a nos dizer, na sua perspectiva, como é que ele promoveria a consolidação orçamental, reduzindo o défice projectado, em 2010, de 8,3%, para um cenário, a 3 anos, de 3%? Gostava de perceber como é que se faz a nossa consolidação – do Portugal de 2010 – sem “cortar” na despesa, e sem diminuir o peso do Estado na Economia. Sou todo eu ouvidos.

Quem fala a verdade?

A 6 de Janeiro:

“The markets are deluding themselves when they think at a certain point the other member states will put their hands on their wallets to save Greece,” Stark said in an interview with Italian newspaper Il Sole 24 Ore.

A dia 30 o DE fala de outra forma:

Num enquadramento de enorme secretismo, há contactos a serem produzidos entre as capitais e responsáveis europeus sobre o desenho e o ‘timing’ para soltar um plano de ajustamento ‘ad-hoc’.

Dependendo do que fala verdade pode ser necessário começar a desenhar o plano para Portugal.

Leitura complementar: Isto é que é confiança ; Governar ou brincar aos governantes?

Um manifesto de gente humilde

O João Miranda recorda aqui o manifesto pela despesa pública lançado em Junho de 2009. Um aspecto interessante deste tipo de manifestos é a forma como os signatários se identificam. Quase sem excepção todos os autores do manifesto se identificaram pelo neutro grau académico ou posição actual na Academia. Por humildade, portanto, os signatários escondem do manifesto a ocupação de onde obtêm uma boa parte do seu rendimento. 
Um bom exemplo de humildade é o primeiro signatário do manifesto, Manuel Brandão Alves, que também poderia ter assinado como membro do conselho estratégico da Augusto Mateus & Associados, a empresa de consultoria liderada pelo ex-ministro socialista que presta serviços maioritariamente a empresas públicas. O mesmo podiam ter feito os co-subscritores e colegas no conselho estratégico da mesma empresa: Mário Rui Silva e Isabel Guerra. Também o agora deputado do PS João Galamba apresentava-se na altura apenas como Economista, embora também se pudesse ter apresentado como consultor da área financeira da UMCCI (contratado por ajuste directo por serviços que com certeza apenas ele teria a capacidade para prestar).

Como estes, existem muitos outros casos de académicos humildes na lista de signatários. Para relembrar fica então aqui a lista dos subscritores, retirada daqui:
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