Inimputáveis (II)

“Política de terceiro mundo” de Camio Lourenço (Jornal de Negócios)

Um deputado do PS pediu explicações à ERSE por causa do aumento da electricidade em 2010. Supõe-se que as explicações têm a ver com o aumento de preços (2,9%) tendo em conta que a taxa de inflação evolui a valores negativos.

Para o cidadão pouco informado, a iniciativa faz sentido: se a inflação (nível geral de preços) cai, porque sobe a electricidade? O problema é que as coisas não são assim tão simples.

Porque os preços da electricidade, em Portugal, não reflectem os custos de geração que lhe estão associados. Parte desse custo, que não é suportado pelo consumidor, vai para o “défice tarifário” (uma espécie de dívida a prazo). Um défice que se agravou nos últimos anos devido ao aumento do diferencial entre o custo de produção e o valor pago pelo consumidor.

Como em economia não há almoços grátis, esse défice terá, mais tarde ou mais cedo, de ser pago. E há duas soluções: ou se paga com aumentos dramáticos da electricidade (que esteve para acontecer há dois anos), ou se paga com dinheiro de todos os contribuintes. Os aumentos de 2010 servem para anular parte desse défice. Coisa que o deputado do PS, que questionou a ERSE, sabe… ou devia saber. Até porque o erro da subsidiação generalizada da electricidade foi obra do seu partido e do PSD. É claro que, do ponto de vista do populismo, dá sempre jeito fazer estas figuras. Mas que elas prestam um mau serviço ao País, lá isso prestam. Até por serem um espelho da classe política que temos.

Para além da enormidade que aqui é relatada por Camilo Lourenço, ainda temos o absurdo do governo pretender forçar os portugueses a reduzir os consumos energeticos e a mudar para “energias alternativas”. Como é que pretende fazer isto? Com subsídios, é claro.

Um pensamento sobre “Inimputáveis (II)

  1. Nuno Nasoni

    O subsídio às fontes renováveis representa cerca de 20% da nossa factura energética, com tendência a aumentar. Tudo para estarmos na vanguarda, e essas coisas – que até são legítimas.
    O que acho lamentável é que se faça a apologia da aposta nas renováveis sem que se explique que isso tem custos e que são pagos por todos. Ou somos dos países com maior penetração de renováveis por os outros estarem a dormir na forma?

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