Por mais que custe a José Sócrates, é no actual quadro parlamentar – e não noutro – que vai ter de governar. O nosso regime dá competências legislativas ao governo, mas as questões fundamentais têm de merecer o crivo da Assembleia da República, e ratificação presidencial.
E pode José Sócrates bociferar, protestar, que não vai a lado nenhum, pois à maioria dos Portugueses agrada que o Parlamento exerça os seus poderes; e tem razões para isso: veja-se o caso dos professores; na anterior legislatura, o PS, com maioria absoluta, empurrou a relação com os professores para o pântano. Recentemente, os impasses foram ultrapassados, em negociação com o PSD. Como bem se vê, é perfeitamente possível governar com este Parlamento, desde que o PS perca o instinto do “posso, quero e mando”.
Nos diplomas fundamentais que aí vêm, é bom que o PS seja capaz de ter uma postura construtiva, na substância e na atitude, porque o país e os cidadãos não vão perdoar “birras” ao senhor Primeiro-Ministro.
“o PS […] empurrou a relação com os professores para o pântano”
Isso não é bem assim. Para o pântano foi a relação com os sindicatos de professores. E foi a relação com os professores mais idosos, aqueles que detêm o poder, nomeadamente nos sindicatos. Os professores mais jovens, em geral, segundo creio, viram com bons olhos as medidas do governo anterior.
(Eu não pensava que o RAF tivesse tão boa opinião dos sindicatos e acreditasse tão piamente que eles de facto representam uma classe profissional na sua totalidade.)
Quando o RAF falar com um professor, tenha em atenção se ele é jovem ou idoso. As opiniões dos professores dependem dramaticamente desse fator.
“os impasses foram ultrapassados, em negociação com o PSD”
Não foram ultrapassados. Os sindicatos dos professores não estão nada satisfeitos, porque o governo continua a não querer deixar os professores subir automaticamente na carreira. Isto vai voltar a dar estrilho. Quero ver nessa altura de que lado é que se porá o PSD:
“Por mais que custe a José Sócrates, é no actual quadro parlamentar – e não noutro – que vai ter de governar.”
Não é obrigado a isso. Pode perfeitamente demitir-se. E obrigar o presidente da república a designar para primeiro-ministro quem o derrubou. A Manuela Ferreira Leite tem tanto direito de formar um governo minoritário como o José Sócrates. Nada impede que Sócrates se demita e que Cavaco, sem poder dissolver o Parlamento, seja obrigado a pedir à Manuela que forme governo. Certamente que ela, com o prestimoso apoio que obterá do PCP e do BE, fará uma brilhante figura.
O PSD está servir de muleta ao PS desde que começaram as eleições. Veja-se agora o TGV. Nem um pio. Há poucas semanas MFL já disse que o defice não é importante ao contrário do que disse na campanha. Resumindo só um intelectual ou alguém muito desatento é que consegue ser enganado pela MFL e por este PSD…
“Nada impede que Sócrates se demita e que Cavaco, sem poder dissolver o Parlamento, seja obrigado a pedir à Manuela que forme governo.”
Que o Sócrates se demita, ninguém realmente o pode impedir (o meu medo é que dentro do PS o obriguem mesmo e se safem com isso).
Agora nada obriga Cavaco a nomear MFL.
Isto cá não há moções de censura construtivas (não sei se que é assim que se diz).
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“Nos diplomas fundamentais que aí vêm, é bom que o PS seja capaz de ter uma postura construtiva, na substância e na atitude, porque o país e os cidadãos não vão perdoar “birras” ao senhor Primeiro-Ministro.”
o pinto de sousa não está nada preocupado, é mero show-off… sabe que pode sempre contar com o sr. silva para lhe assinar de cruz todos os disparates que lhe põe na frente…