Democracia não é sinónimo de liberalismo

…e o problema não se restringe aos referendos. Como já pudemos comprovar por diversas vezes nem sempre o voto maioritário garante o respeito pela liberdade dos individuos. Aliás, com o selo aprovador da maioria, temos assistido à intromissão do Estado nos comportamentos privados, à inversão do ônus da prova e ào derespeito pelo propriedade e rendimentos dos individuos.

52 pensamentos sobre “Democracia não é sinónimo de liberalismo

  1. joao

    NESTE CASO O VOTO MAIORITÁRIO DEFENDEU A LIBERDADE INDIVIDUAL, PQ O QUE ESTÁ EM CAUSA É A LIBERDADE DOS SUIÇOS QUANDO CONFRONTADOS COM UMA RELIGIÃO INTOLERANTE E VIOLENTA, QUE QUER IMPOR OS SEUS COSTUMES À FORÇA ( VAN GOGH, SALMOND RUSHDIE, CARTOONS, ETC ). QUEM NÃO VÊ ISTO !!!!!

  2. CN

    A teoria da conspiração islâmica tem ganho adeptos, agora podem juntar-se à teoria da conspiração judaica.

  3. Marcos Garrido

    É por estas coisas que a democracia também consegue ser o regime mais desprezível. Sob uma capa de legitimidade consegue impor às minorias as maiores barbaridades e ninguém pode dizer nada: é democrático.

  4. Caro Miguel,

    Qual é exactamente a liberdade individual que está em jogo?
    Acha que construir um minarete é uma questão de liberdade individual?

    Os muçulmanos têm conseguido isentar-se de respeitar algumas leis invocando a liberdade religiosa. Segundo pude apurar, este referendo foi convocado quando o Supremo Tribunal Federal suíço decidiu autorizar a construção de um minarete, anulando a decisão das autoridades locais tomada com base em critérios urbanísticos.
    (Ver: http://pajamasmedia.com/blog/switzerland%E2%80%99s-minaret-war/)

    O que os suíços temem é o que toda a Europa atenta teme: a aplicação da sharia.
    Por exemplo, ficando na questão dos minaretes e do seu uso: nalguns países, como na Suiça, até ontem, e na Alemanha, os minaretes não podem ser usados para uma das suas funções tradicionais: o chamamento para a oração pelo muezim, hoje em dia feito com o auxílio de altifalantes. Os muçulmanos têm aceite essa limitação (embora, por vezes, recorrendo a taqyia, só até terem o minarete construído; depois fazem o que querem. Ver isto: http://tambemistoevaidade.blogspot.com/2009/11/tomada-islamica-do-poder.html).
    O que impede que, invocando a liberdade religiosa, os muçulmanos reclamem o direito a acordar a vizinhança às 4:30 da manhã para chamar, através dos altifalantes colocados no minarete, à oração?

    Em suma: a liberdade de construir os minaretes, e de os usar para o chamamento tradicional, interfere, ainda que de modos distintos, com a vida de todos os cidadãos.

    O que os suíços fizeram foi marcar um limite. Mais tarde, pode ser tarde demais.

    Cumprimentos,

  5. No entanto, é também o único onde se torna possível fiscalizar e mudar os governantes de forma pacífica. Podemos imaginar um regime não-democrático que onde os governantes garantam o respeito pelas liberdades individuais. Porém, a decisão de respeitá-las ou não depende apenas do capricho de uma pequena elite que não é obrigada a prestar contas a ninguém.

  6. “anulando a decisão das autoridades locais tomada com base em critérios urbanísticos.”
    Se a lei fosse generica, ie proibisse construções com mais de x metros de altura, poderia usar-se esse argumento. Assim trata-se de discriminar apenas uma dada religião e num dos seus aspectos menos polémicos.

    “O que os suíços temem é o que toda a Europa atenta teme: a aplicação da sharia”
    Concordo mas esta decisão nada tem a ver com isso.

    “O que impede que, invocando a liberdade religiosa, os muçulmanos reclamem o direito a acordar a vizinhança às 4:30 da manhã para chamar, através dos altifalantes colocados no minarete, à oração?”
    Leis de boa vizinhança, por exemplo. Na Suiça isso já não era permitido.

  7. “Se a lei fosse generica, ie proibisse construções com mais de x metros de altura, poderia usar-se esse argumento.”
    Presumo que, tratando-se de uma regra urbanística, fosse genérica. Foi revertida por um tribunal.

    «Leis de boa vizinhança»
    Acha que as leis da boa vizinhança se sobrepõem ao direito religioso de chamar e ser chamado para a oração?
    Enquanto os muçulmanos forem 5% da população suíça, aceitam esta limitação. E quando forem 10%?

    Já agora, não querendo ser chato: qual é exactamente a liberdade individual que a decisão de proibir a construção de minaretes desrespeita?

    Cumprimentos,

  8. “Acha que as leis da boa vizinhança se sobrepõem ao direito religioso de chamar e ser chamado para a oração?”
    Para já é proibido.

    “Já agora, não querendo ser chato: qual é exactamente a liberdade individual que a decisão de proibir a construção de minaretes desrespeita?”
    È verdade. Convém manter não “esticar” o caso. Não foi proibido nada de essêncial e continua a existir liberdade de culto mas trata-se de uma discriminação sem sentido e, a meu ver, injsutificável”

  9. «Para já é proibido.»
    Presumo que considere que há limites.
    Se os muçulmanos vierem a conseguir autorização para difundir nos altifalantes o chamamento do muezim, acha que a revogação por via referendária é uma violação da liberdade religiosa?

    «È verdade. Convém manter não “esticar” o caso. Não foi proibido nada de essêncial e continua a existir liberdade de culto»
    É o que eu acho. E não só de culto: podem construir mesquitas, centros culturais e religiosos.

    A situação para os cristãos no mundo islâmico é, em geral, bastante pior: não podem construir igrejas e não podem restaurar as que se vão degradando. Não podem construir torres sineiras, e nunca a igreja pode ser mais alta que a mesquita. Onde se permite a construção de igrejas, os edifícios não podem ostentar nenhum símbolo religioso: cruzes, imagens de santos. Que tal proibir o crescente nas cúpulas das mesquitas europeias?

    Nesta matéria, acho que os países ocidentais deviam exigir absoluta reciprocidade. Construam os minaretes mas permitam esta e as outras liberdades acessórias associadas à liberdade religiosa.

    A situação para os próprios muçulmanos é muito pior, se quiserem deixar de o ser, o que também é um aspecto da liberdade religiosa: mudar de religião ou preferir não ter nenhuma.

    Cumprimentos,

  10. Filipe Abrantes

    Miguel Madeira,

    Defende também a liberdade de um proprietário de um terreno na Ilha de Faro lá construir um arranha-céus tipo Dubai?

  11. “Presumo que considere que há limites.”
    Certamente. Tal como nem tudo deveria estar aberto ao voto maioritário como é o caso do objecto deste referendo.

  12. CN

    Sei pouco do assunto mas se o Governo Federal passou por cima (poderá passar por cima do veto local, suponho) de uma decisão local de vetar um minarete (confirma-se?) até é bem feita.

  13. «“Presumo que considere que há limites.”
    Certamente. Tal como nem tudo deveria estar aberto ao voto maioritário como é o caso do objecto deste referendo.»
    Esta frase era o início de um período. O que acha do resto? O muezim pode ser referendado? Se não, como propões que se resolvam situações deste género?
    Cumprimentos,

  14. A decisão tomada em referendo pode dar origem a um aditamento ou uma revisão da constituição. Penso que é essa a disposição da constituição suíça: o referendo é a instância decisória superior. Não reverte as decisões do tribunal, mas sobrepõe-se-lhe no futuro.
    Estarei equivocado?

  15. filipeabrantes

    CN,

    Acho que é mais ao contrário. Pelo que li, em algumas cidades (Lausanne p.ex.) há vontade de construir grandes mesquitas com minarete mas habitantes de bairros vizinhos discordam. Como a Câmara de Lausanne não se parece opor à construção da mesquita a UDC local começou com a questão até que a UDC nacional propôs o referendo. Mais casos desconheço.

  16. helenafmatos

    Claro que não. Que me recorde o Chávez ganha eleições. E o discurso anti liberal rende votos que se farta. Basta olhar paar Portugal

  17. “Se os muçulmanos vierem a conseguir autorização para difundir nos altifalantes o chamamento do muezim, acha que a revogação por via referendária é uma violação da liberdade religiosa?”
    Já tinha respondido a isso. As leis da “boa vizinhança”. lembra-se?
    E procissões cristãs e sinos a repique? Deverão ser permitidos?

  18. Já agora, Erdogan lendo um poema:
    «The minarets are our bayonets, the domes our helmets, the mosques our barracks and the faithful our army.»
    Os suíços não são muito dados a subtilezas exegéticas.

  19. lucklucky

    Se partes da cultura Muçulmana são indesejáveis para a Suiça seria mais correcto bloquear a entrada de Muçulmanos.

    Vamos supor que o Minarete era um gigantesco edifício com a forma de um Penis…seria banido. Por cá não se pode pintar casa de uma determinada cor ou com determinada forma ou com determinado telha, etc mas ninguém protesta. O que se passou na Suíça foi tudo de acordo com as regras estabelecidas no Ocidente; a Tirania da Maioria ou seja a Democracia.
    Esta Tirania da Maioria vai possibilitar a Sharia no Futuro quando os Muçulmanos forem a Maioria. Não faz muita diferença, porque não tenho esperança que os Muçulmanos respeitem o que existe quando forem a maioria.

    “A teoria da conspiração islâmica tem ganho adeptos, agora podem juntar-se à teoria da conspiração judaica.”

    A Teoria existe, está no Corão e nas declarações de muitos Muçulmanos.
    Que tal ler o que alguns Muçulmanos escrevem CN? É assim tão difícil acreditar nas pessoas?

  20. filipeabrantes

    Não se preocupe, lucklucky. Os suíços têm armas em casa (enquanto não lhas confiscam) e são mais bem constituídos do que os muçulmanos em geral. Quando estes começarem a exagerar, são postos na ordem, não tenhamos receio.

  21. joao

    Só um idiota útil não percebe a expansão do islão intolerante na Europa. Em nome do politicamente correcto e servindo-se da tolerancia europeia está a mudar rapidamente a vida e a liberdade dos europeus. Os exemplos abundam diáriamente…o medo instalou-se em muitas cidades da europa…o que está em causa mais cedo ou mais tarde é a instituição de leis paralelas, nomeadamente a sharia para os muçulmanos que se recusam a cumprir com as constituições nacionais.

  22. Daniel Azevedo

    Gostava de propôr o seguinte exercicio intelectual: se neste post aparecesse uma bandeira suiça coberta com estrelas de David e o personagem e vez de ser a Sherazad fosse um judeu de Kippah e o referendo fosse pela não construção de sinagogas?

    O problema de não se conhecer a história é arriscarmo-nos a repeti-la.
    E é nestas situações que vemos o que é a liberdade e democracia para o comum dos mortais.

  23. joao

    ‘These are Turkey’s ballistic missiles’

    National Post
    Saturday, Nov. 14, 2009

    Alaa Al-Aswany describes the following quotation from the Prime Minister of Turkey, Recep Tayyip Erdogan, as rhetorical: “The minarets are our lances, the dome our helmets, the mosques our barracks and the faithful our armies.”

    I find his description ironic. A number of years ago, while the group with which I was travelling was being conducted to the Blue Mosque, our guide said, pointing to the minarets, “These are Turkey’s ballistic missiles.”

    It was a strange statement coming from a guide leading Western tourists on their travels in his country and upon whom he depended for his livelihood. The comment took on an even stranger connotation when one considers that Turkey is one of the West’s allies in NATO. It appears that our guide had taken Mr. Erdogan’s rhetoric seriously.

  24. jonhy

    Ó Daniel Azevedo não compare alhos com bugalhos…os poucos judeus e sinagogas que restam na europa e na Suiça vivem sem pretenderem impor a sua religião e os seus costumes a ninguém..pelo contrário continuam a ser vítimas da intolerância ( sinagogas incendiadas em França, cemitérios vandalizados, ataques nas ruas etc..)

  25. Miguel

    Mas como é? Não têm mesquitas?
    Não compreendo essa insistÊncia do minarete, a não ser no plano simbólico. Símbolo de poder, sem dúvida. Tal como os obeliscos. Simbolicamente, é uma forma de “colonizar”, sem dúvida, de marcação territorial, ainda que a nível cultural e em nome da liberdade religiosa.

    Estamos numa época estranha: relativamente à igreja católica, aqui d’el rei os crucifixos na escola, os símbolos religiosos, etc. e tal, pelo laicismo militante; por outro, aqui d’el rei a liberdade religiosa de quem vem de outra cultura com outra religião.
    Ainda se estivesse em causa a liberdade de culto religioso… mas um monumento que se destaca em altura e no plano simbólico? Bem, e se têm altifalantes para acordar os fiéis… E logo os suiços que têm fama de beber muito aos fins-de-semana…

  26. Sim, quem é que na Suiça não teme a implementação da Halakha?
    E aquele odioso hábito de ficar em casa sossegado ao sábado?
    E a mania de não de se explodirem em praças públicas só para mostrar que são melhores que os muçulmanos?

    Segundo julgo saber, os suíços têm em vigor uma proibição de matar animais à maneira kosher usada como forma de dissuadir os judeus de se fixarem na Suiça e que se discute a possibilidade de proibir a importação de carne kosher.
    É claro que a forma halal de matar os animais não é diferente e estão a surgir movimentos que se lhe opõem no Ocidente.
    E agora? Direitos dos animais ou liberdade religiosa?

    Quando é que vamos perceber que o Islão e a cultura ocidental são incompatíveis? Que os fundamentos do Islão são antagónicos e atentatórios dos fundamentos da cultura ocidental?

  27. Já agora, quantas igrejas existem na Arábia Saudita? Quantas foram incendiadas ultimamente no Egipto? Quantos cristãos fugiram do Iraque desde 2003? Por que razão 80% das violações em Oslo, no ano de 2008, foram cometidas por gangues islãmicos? etc, etc, etc. islamofobia, pois.

  28. JJ Pereira

    Olha se , nos finais do sec.XIII, os fundadores da Confederação fossem tão esclarecidos , dialogantes e “progres” como certos “opinadores” lusos…

  29. Daniel Azevedo

    “Quando é que vamos perceber que o Islão e a cultura ocidental são incompatíveis? Que os fundamentos do Islão são antagónicos e atentatórios dos fundamentos da cultura ocidental?”

    Desculpa lá, mas faz alguma ideia do que está a falar?
    O que são os fundamentos do Islão:
    (Shahada) Acreditar num Deus único e no seu profeta Mohamed
    (Salat)Rezar 5 vezes por dia virados para Meca
    (Zakat) dar esmolas aos necessitados
    (Sawm) cumprir o ramadão
    (Hajj) fazer a peregrinação a Meca uma vez na vida.

    É isto que é incompativel com a “sua” cultura ocidental? Os 10 mandamentos também?

    Já agora: Abū ‘l-Walīd Muḥammad ibn Aḥmad ibn Rushd (Averroes) diz-lhe alguma coisa? E al-Khawarizmi?
    E a tradução das obras da antiguidade classica para árabe que foram posteriormente usadas pelos “bárbaros” do ocidente?

    Enfim…
    Desculpe Miguel, isto não tem nada a ver com a questão que levantou. Mas pelo teor dos comentários acima vê-se bem onde andam os “valores” ocidentais .

  30. E o Daniel, sabe do que está a falar?

    Muito bonito, isso dos 5 pilares.
    Sabe que a esmola (zakat) é para ser dada só a necessitados muçulmanos. Os kufar que tratem uns dos outros.
    Já foi a Meca, Daniel? Não me diga que lá não pode ir? Um muçulmano pode ir a Roma e a Jerusalém.
    Já agora: o que acontece a um cidadão dum país muçulmano se violar publicamente o Ramadão?

    E o que acha da divisão do mundo em Dar-al-Harb e Dar-al-Islam? E a pena de morte por apostasia? E a lapidação por adultério? A amputação dos membros dos larápios? E os casamentos forçados? Os casamentos com crianças e adolescentes pré-púberes? E a opção entre conversão ou morte para os politeístas ou conversão e dhimmitude para judeus e cristãos? E a impossibilidade de um cristão se casar com uma muçulmana (se o fizer passa a ser considerado muçulmano, tem que deixar a fé cristã e adoptar o Islão)? E a jihad permanente? E os direitos das mulheres (e.g. metade da herança)? E o esclavagismo, que dura, sem interrupção, até aos dias de hoje?

    Quer falar de história?
    A conquista e conversão pela força da bacia norte do Mediterrâneo em decénios? O estado de terror lançado no Mediterrâneo pelos corsários muçulmanos em busca de saque, visto que a propriedade do infiel pode legitimamente ser saqueada pelos muçulmanos? As razias constantes no sul da Europa? As pilhagens de cidades de Itália, inclusive Roma e suas catedrais? Tudo antes das Cruzadas!
    Conhece a história da Índia? Sabe como se deu a islamização do sub-continente indiano?

    Traduções?
    Feitas por cristãos árabes da Síria. E não foram única via de chegada dos clássicos à Europa.

    Averrois?
    Herege aos olhos do Islão. Foi proscrito.

    Pelos vistos, o Daniel estudou história pelo discurso do Cairo.
    Se o assunto lhe interessa, a internet está cheia de sites onde se pode instruir e só não colo aqui uns links porque receio que o Daniel não esteja de boa fé nesta matéria e suspeito que não os leria.

    Confesso que não conheço o al-Khawarizmi. Quer elucidar-me?

  31. “Um, 2003, dexe-me ver, foi o ano em que o Iraque foi conquistado pelo Islão, correcto?”

    Exactamente caro Miguel Madeira.
    Quando o Iraque foi libertado da ditadura duma familia e duma corrente islâmica minoritária no país, caíu nas mãos de outra corrente islãmica desta vez maioritária e pelos vistos bem mal agradecida aos Cristãos que os libertaram.
    O que me levou a concluir que tirando os islâmicos da corrente Ismaelita (Aga Khan) não há mais nenhum que se aproveite.
    .

  32. “Como já pudemos comprovar por diversas vezes nem sempre o voto maioritário garante o respeito pela liberdade dos individuos.”

    Tem toda a razão, caro Miguel.

    Graças às maiorias que se procuram, por vezes até que se formem as adequadas, aos interesses de alguns, podem-se aprovar ataques ao direito individual à Vida, como o aborto ou eutanásia.
    Neste caso aprovou-se apenas uma regra arquitectónica, não se limitou nenhuma liberdade individual muito importante.
    No limite diz-nos apenas que os Suíços prezam e respeitam as suas raízes culturais, e que não se importam de arriscar a sua vida por isso.
    .

  33. Daniel Azevedo

    Luís Cardoso

    Vamos por partes, começando pelo fim:
    Se não estivesse de boa fé não estaria a comentar o que o Luis escreveu – não tenho necessidade de “tempo de antena”, respondo com a minha argucia contra a argucia alheia, dentro dos limites da boa educação e respeito pela opinião contrária.

    Voçê baseia o seu argumento na interpretação extremista que dão alguns (muitos?) das escrituras sagradas muçulmanas. Mas também podemso ser extremistas baseando-nos na Tora ou na Biblia.
    E depois, convenhamos, o ocidente não é exemplo para ninguém em termos de evolução histórica. Fartámo-nos de matar e exterminar quem era contra o que nós acreditavamos. Que o digam os nativos da américa. E os escravos negros.

    No ocidente só não temos “sharias” católicas/protestantes porque andámos séculos à pancada com a Igreja para a domesticar! E no Islão não há “igreja” como sabe! Há o corão e as regras de conduta que dependem do fanático.

    O que eu quero dizer é que na essência é tudo a mesma coisa: se adicionar fanatismo tem sempre o mesmo resultado, seja qual for a religião! Ou apedrejamento da tora é mais “humano” que o do Corão?

    Em termos da história:
    “A conquista e conversão pela força da bacia norte do Mediterrâneo em decénios? O estado de terror lançado no Mediterrâneo pelos corsários muçulmanos em busca de saque, visto que a propriedade do infiel pode legitimamente ser saqueada pelos muçulmanos? As razias constantes no sul da Europa? As pilhagens de cidades de Itália, inclusive Roma e suas catedrais?”
    Os vikings fizeram o mesmo e não o vejo a dizer que os escandinavos são contrários aos principios/valores ocidentais.

    “Averrois? Herege aos olhos do Islão. Foi proscrito.”
    Não era cristão, pois não? Era de cultura islâmica!
    Galileu tb foi proscrito, e não deixou de ser um símbolo dos valores ocidentais, pois não?

    Quanto ao al-Khawarizmi, foi um matemático persa, um dos fundadores da álgebra e cujas obras, quando traduzidas para latim, foram responsáveis pela introdução do sistema de números indianos (erradamente ditos árabes)na europa.
    É a origem da nossa palavra “algarismo”.

    E terei todo o gosto de ler os seus links.

  34. Miguel

    Continuo sem perceber porque é que o ocidente não se deve importar nada com a “colonização religiosa mulçumana” mas deve envergonhar-se dos seus símbolos religiosos cristãos, retirando-os da sala de aula, por exemplo.

    Uma coisa é a liberdade de culto religiosos, outra muito diferente é a imposição dos seus símbolos e culto. Uma regra básica de educação era respeitar as culturas que nos acolhem, como uma extensão da casa dos anfitriões. Se queremos ser respeitados devemos, no mínimo, respeitar quem nos acolhe.

    Bastava-nos o bom senso para resolver esta questão, a meu ver. Os suiços não desejam ver alterado o seu território e a sua cultura, e têm todo o direito de o fazer. Gostava de ver o inverso acontecer nos países de proveniência dos emigrantes.
    Mas o bom senso e a boa educação já não são orientaçóes que se usem.

  35. Eu acho que se está a deitar lenha para a fogueira por uma causa risível. Há aspectos do islamismo que realmente colocam em causa a liberdade individual e as tradições ocidentais mas este não me parece que encaixe em qualquer destas categorias.

  36. CN

    “Como a Câmara de Lausanne não se parece opor à construção da mesquita a UDC local começou com a questão até que a UDC nacional propôs o referendo. Mais casos desconheço.”

    Se é assim, o que se pode dizer é que prestam um péssimo serviço porque deveriam sim fazer campanhas locais e aceitar os resultados (provavelmente umas seriam favoráveis outras não). Apelar ao governo federal para impor valores supostamente conservadores (existirão culturas-religiões ainda que levam tanto a sério a religião-família que o islamismo?) foi a porta de entrada para os ventos progressistas imporem a sua agenda politicamente correcta às comunidades conservadoras.

    Quanto à questão das cruzes na Escola, se a escola pública tivesse uma administração descentralizada, centrada nos municípios, seria localmente que essa discussão deveria ter tido lugar.

  37. Miguel,

    mas este não me parece que encaixe em qualquer destas categorias.

    por acaso encaixa. Na próxima AGI levo-te “O Ocidente e o Resto” do Roger Scrutton

  38. Daniel,

    desculpe se interpretei mal algumas das coisas que disse e como as disse. Pareceu-me de má-fé a sua observação sobre a não construção de sinagogas e depreciativa a sua pergunta sobre se eu sabia do que estava a falar.

    O presente estado das relações entre religião e poder público no Ocidente não resulta apenas dos conflitos entre Igreja e Estado, mas deriva directamente de um traço essencial do cristianismo: a César o que é de César, a Deus o que é de Deus. No Islão não há disto; não há separação entre o poder secular e poder espiritual; confundem-se, e uma possibilidade de separação não se vislumbra, dada a rigidez da tradição hermenêutica islâmica, a qual se considera concluída por volta do sec. IX, salvo erro. A partir daí, considera-se que a interpretação está feita e resta aos fiéis voltar aos textos clássicos.

    Eu não baseio argumento nenhum em interpretações extremistas. Falo-lhe de Islão ortodoxo, claramente dominante em termos numéricos e de importância doutrinal.
    O que acontece é a grande maioria dos muçulmanos não é verdadeiramente observante; são nominalmente muçulmanos, mas não seguem os preceitos do Islão. Esses são os que vivem em paz com os não-muçulmanos.
    Das várias facetas do Islão que enumerei, qual delas não é ortodoxa?

    Os vikings. Será que o Daniel não vê as diferenças?
    Sempre houve salteadores, mas em períodos circunscritos. Eu referi uma série de dados históricos que tiveram início no fim do sec. VII, desde os primeiros anos do Islão, e duram até hoje e fiz questão de parar onde parei porque tudo isto se passou antes das cruzadas. Não sei se está a ver onde quero chegar: as cruzadas não foram a grande provocação que levou os muçulmanos à jihad: a jihad é um traço essencial do Islão.
    Hoje são os vikings quem é vítima de saque, pelos milhares de emigrantes muçulmanos que vivem da segurança social escandinava. Alguns ímanes dizem que os muçulmanos a viver nesses países, desses rendimentos, mais não fazem que cobrar a jizya, o imposto que os muçulmanos cobram aos dhimmis (judeus e cristãos que vivem sobre domínio muçulmano) para que as suas vidas e propriedades sejam protegidas (dhimmi quer dizer protegido). Ou seja: extorsão religiosamente prescrita e regulamentada.

    Repudio, também, o seu relativismo, ao pretender pôr no mesmo pé no que à violência diz respeito as escrituras judaica e cristã e os livros islâmicos, Corão e hadith.
    Dois exemplos, um do Corão e um de uma hadith:
    Corão 9, 5: «(…)then fight and slay the Pagans wherever ye find them, an seize them, beleaguer them, and lie in wait for them in every stratagem (of war); but if they repent, and establish regular prayers and practise regular charity, then open the way for them: for Allah is Oft-forgiving, Most Merciful.»

    Hadith Sahih al-Bukhari:
    «(…) the Prophet (Allah bless him and give him peace) said: “I have been commanded to fight people until they testify that there is no god but Allah and that Muhammad is the Messenger of Allah, and perform the prayer, and pay zakat. If they say it, they have saved their blood and possessions from me, except for the rights of Islam over them. And their final reckoning is with Allah”;

    São os próprios jihadistas que invocam invocam inúmeros versículos do Corão para justificar os seus actos.

    Dois links:
    Does Islam Breed Violence? por um ex-muçulmano (não vive na Umá, evidentemente):
    http://www.americanthinker.com/2009/11/does_islam_breed_violence.html
    Instrutivas também as palavras de outro ex-muçulmano na caixa de comentários.

    Bible and Qur’an: equaly violent?
    http://www.jihadwatch.org/2009/03/bible-and-quran-equally-violent.html

    Não ocupo mais este espaço num diálogo consigo. Se o Daniel quiser, encontra o meu email no meu blogue. Lá também encontrará ligações para inúmeros artigos sobre Islão. Encontra ainda ligações para imensos sites e blogs que falam do Islão.
    Eu compreendo o seu cepticismo perante a minha visão tão negativa do Islão; há uns dois anos, eu dizia mais ou menos o mesmo que o Daniel diz.

    Cumprimentos,

  39. Pois acho que, se se decide proibir símbolos de regimes opressivos, violentos e homicidas, que à humanidade não trouxeram nem trazem nada de bom, proíba-se também a foice e o martelo e o crescente. Qualquer uma das ideologias representadas por estes símbolos são responsáveis, por si sós, por mais vítimas, em número e em crueldade, que a suástica – que foram muitas – e, já agora, que qualquer outra ideologia.

    Fechando o parêntesis e voltando ao tópico, a Ana Silva Fernandes disse o que, quanto a mim, há a dizer: “Os suiços não desejam ver alterado o seu território e a sua cultura, e têm todo o direito de o fazer.”

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