Retrato do contribuinte enquanto português

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

É o rosto simpático do socialismo em vigor. Não só por motivos estéticos, domínio em que a comparação de Gabriela Canavilhas com os restantes membros do Governo se torna embaraçosa para estes, mas, aparentemente, também por motivos económicos. Numa das suas primeiras declarações públicas, a ministra da Cultura explicou ser “obrigação fundamental do Estado apoiar os artistas” e “criar condições para a [respectiva] produção e criatividade”. O contraste face aos seus colegas de Executivo é abissal: em regra, as únicas coisas que os demais ministros prometem à população activa que tutelam são impostos e obstáculos à produção, embora estimulem a criatividade no que respeita a esticar os salários. Só falta apurar se a diferença se deve à dra. Canavilhas ou ao ofício dos contribuintes. Se calhar, existem razões imperiosas para que os princípios que orientam o saque do fisco aos rendimentos de um escriturário ou de um industrial não se apliquem, muito pelo contrário, aos rendimentos de um escultor ou, conforme inscrito no programa governamental, de um trapezista de circo. A ser assim, não há mérito da dra. Canavilhas, mas demérito dos que escolheram a profissão errada e agora se desgraçam em trabalhos sem retorno em vez de saltitarem graciosamente em artes com rede.

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