Adopte uma alface

Num artigo publicado na New Scientist, os professores Brenda e Robert Vale (Victoria University – Australia) revelam que a “pegada ecológica” causada pelos Pilotos é cerca do dobro da causada pelos SUV(*) e a dos Tarecos é idêntica aos utilitários. Como solução os Vale sugerem que adoptemos animais que possamos comer tal como coelhos ou galinhas.

Problema resolvido? Nem por isso. O presidente do Grantham Institute for Climate Change and the Environment, Nicholas Stern acha que a solução é tornarmo-nos vegetarianos. Talvez seja melhor adoptar-mos um vegetal de estimação.

(*) Um dos principais inimigos da “cruzada ecológica” da adminstração Obama.

29 pensamentos sobre “Adopte uma alface

  1. oscar maximo

    Como é evidente, os SUVs comem mais que os carros correntes (x 1.5), que comem muitissimo mais que uma pessoa (x 120), que come muito mais que o tareco(x 8).
    Agora, menos pessoas conduz a menos SUVs.
    O mundo não aguenta tanta gente a (querer) consumir tanto!
    Mas preferem dizer que a pegada é N planetas em vez de dizer que a população devia ser 1/N.
    É trivial que num mundo finito o crescimento não pode ser infinito, mas a teoria dos economistas não encaixa nesta ideia.

  2. A conta está mal feita – eles comparam a energia utilizada para alimentar um cão com a utilizada para alimentar um Toyota Land Cruiser.

    Mas o problema do Toyota Land Cruiser não é energia que ele consome – são os gases poluentes que ele emite ao consumir a energia.

    Esse problema não existe com o cão – o CO2 que ele liberta no seu metabolismo + o CO2 que foi libertado pelos animais que ele come é idêntico ao CO2 que foi fixado pelas plantas que foram comidas pelos animais que o cão comeu [ciclo do carbono – em Portugal aprende-se no 7º ano, mas pelos vistos o ensino australiano é mais facilitista].

    Pelo contrário, o CO2 libertado pelo Land Rover foi fixado há milhões de anos, logo a sua libertação para a atmosfera implica um aumento dos seus niveis globais.

    No fundo, o cão funciona como se fosse movido a energia solar (o sol alimenta as plantas, que alimentam os frangos, que alimentam o cão). Há efectivamente alguma produção liquida de CO2 (já que no processo de fabrico da ração do cão há alguma utilização de combustiveis fósseis), mas é muito menor do que as contas que eles fizeram – os investigadores contaram com toda a terra que é necessária para produzir a racão do cão, quando deviam ter contado apenas com a utilizado no transporte e na produção industrial da racão.

    E, de qualquer forma, entre um lobo da alsácia e um gato ainda vai uma grande diferença.

  3. «a “pegada ecológica” causada pelos tareco e piloto de estimação é cerca do dobro da causada pelos SUV(*) e idêntica aos utilitários»

    Esta frase leva-nos em erro. Faz parecer que tareco e piloto têm a mesma pegada e que os SUV afinal tem metade da pegada ecológica que os utilitários. Não seria pior reformular esta frase.

  4. “, de qualquer forma, entre um lobo da alsácia e um gato ainda vai uma grande diferença”
    Mmm… Palpita-me que haverá para aí um conflito de interesses.

    Também gostei de saber que um hamster é equivalente a um plasma.

  5. “Faz parecer que tareco e piloto têm a mesma pegada e que os SUV afinal tem metade da pegada ecológica que os utilitários. Não seria pior reformular esta frase.”

    Presumo que quisesse dizer “melhor”. Tem razão.
    A dos cães é o dobro de um SUV e os gatos é que se comparam aos utilitários. Vou reformular.

  6. Pondo a coisa em termos económicos – (se descontarmos o ladrar à noite) as externalidades negativas do cão (e dos frangos que ele come) correspondem, mais ou menos, às externalidades positivas da plantação de comida para frango*.

    Pelo contrário, as externalidades negativas do Land Rover não são compensadas por nada.

    E se estivermos falando de um animal que não seja tão barulhento como o cão e ainda arranque patas a baratas (um externalidade negativa para as baratas, mas positiva para os humanos), então somos capaz de ter um saldo positivo.

    *pode-se argumentar que, mesmo sem o cão, esses terrenos seriam cultivados de qualquer maneira, logo fixariam à mesma CO2; mas, então, os vegetais que cresceriam nesse terreno também seriam, de qualquer maneira, consumidos por algum animal, fungo, bactéria ou coisa do género, logo haveria também à mesma libertação de CO2.

  7. Mas pondo as coisas de outro modo – há alguma vantagem ambiental em comer os animais de estimação? A mim parece-me que nenhuma (numa perspectiva de mantendo tudo o resto igual) – se eu, em vez de ter um gato durante 10 anos, comer um todos os anos, palpita-me que a quantidade de energia consumida no fim de tudo é a mesma; sim, é verdade que eu passo a ter mais 10 refeições, mas acho fazer crescer gatos 10 vezes consome mais energia do que o fazer só uma vez (suponho que um gato em crescimento consuma mais matéria e energia do que um em velocidade de cruzeiro) – basicamente, isto não é mais do que a lei de conservação da energia.

    Paplita-me que o que os autores querem dizer é que é melhor ter animais de estimação herbivoros do que carnivoros (independentemente de os comermos ou não), o que, em termos de consumo de energia, é capaz de ser verdade.

  8. oscar maximo

    Não sei porque é que o autor fica pespegado a erros! É pedir as contas ou consultar opiniões apoiadas pela grande maioria de especialistas!

  9. “Paplita-me que o que os autores querem dizer é que é melhor ter animais de estimação herbivoros do que carnivoros ”

    Não me pareceu que fosse isso!

  10. Porque, ao contrário da lançado pelo cão, não é compensado por uma absorção equivalente de CO2 pelas plantas.

    Talvez o que o lucklucky esteja a perguntar é porque é que o aumento do CO2 na atmosfera é uma coisa negativa.

    Inspirando-me na resposta nº2 do meu homónimo ao oscar maximo, poderia dizer que as pessoas que acham que o CO2 não é prejudicial poderiam respirá-lo eles (diga-se, já agora, que o CO e os oxidos de azoto libertados pelo land rover serão ainda mais prejudiciais no curto prazo).

    Outra razão é porque o CO2 absorve mais calor do que outros gases que compoem a atmosfera, logo quanto mais CO2, mais demora ao calor solar ser irradiado pela terra para o espaço exterior, tornando a terra mais quante (além disso, depois há um feedback positivo – quanto mais quante a terra, mais vapor de água na atmosfera; como o vapor de água também absorve calor, teremos ainda um aumento indirecto da temperatura alem do directo provocado pelo CO2)

    Claro que se pode perguntar – e qual é o problema disso? Em abstracto, talvez nenhum; mas como as formas de vida existentes actualmente no planeta Terra evoluirem para se adaptar a uma dada temperatura (e a todo um conjunto de circunstâncias exteriores derivadas da temperatura), esse aquecimento, se for significativo, tornará grande parte das formas de vida “inadaptadas” ao seu novo meio. A longo prazo, resolve-se (surgem novas formas de vida adaptadas ao novo meio) mas isso gera alguns problemas a curto prazo (“curto prazo” que até poderão ser séculos).

  11. lucklucky

    “Inspirando-me na resposta nº2 do meu homónimo ao oscar maximo, poderia dizer que as pessoas que acham que o CO2 não é prejudicial poderiam respirá-lo eles”

    Interessante…como é que as plantas produzem oxigénio sem CO2..

    “Outra razão é porque o CO2 absorve mais calor do que outros gases que compoem a atmosfera”

    ?!

    “Outra razão é porque o CO2 absorve mais calor do que outros gases que compoem a atmosfera, logo quanto mais CO2, mais demora ao calor solar ser irradiado pela terra para o espaço exterior, tornando a terra mais quante (além disso, depois há um feedback positivo – quanto mais quante a terra, mais vapor de água na atmosfera; como o vapor de água também absorve calor, teremos ainda um aumento indirecto da temperatura alem do directo provocado pelo CO2)”

    Tretas, não se sabe o suficiente para chegar a semelhante conclusão.

  12. O luck parece esquecer-se que qualquer remédio em excesso é veneno. O mesmo se passa com o CO2 e ainda mais com os produtos de combustão dos combustíveis fósseis (as plantas usam CO?)

    Eu até poria referência aos artigos científicos que demonstram as propriedades de efeito de estufa provocado por tais gases mas provavelmente iria apenas duvidar porque se não fosse o CO2 nem sequer haveria cientistas para os publicar. Deve ser uma nova forma de niilismo.

  13. “Interessante…como é que as plantas produzem oxigénio sem CO2..”

    Portanto uma inundação de urina e fezes não faz mal nenhum (como é que as bactérias produziriam nitratos sem urina, fezes e substâncias parecidas?).

    E, de qualquer forma, se o CO2 for libertado por combustão, penso que o oxigénio consumido nessa combustão é, na melhor das hipóteses, idêntico ao oxigénio que as plantas produzirão absorvendo esse CO2, logo argumentos do género “a produção de CO2 é boa; sem ele como é que as plantas produziam oxigénio?” não me parecem fazer grande sentido.

    Um exemplo – imaginemos que se queima, no motor de um carro, um hidrocarboneto de fórmula genérica CnHm. Se não haver produção de monóxido de carbono, a combustão seria algo como:

    CnHm + (n+m/4)O2 > nCO2 + (m/2)H2O

    Para as plantas absorverem o tal CO2, teria que ser algo como

    2nH2O + nCO2 > H2nCnOn + nH2O + nO2

    Por estas contas (feitas um bocado de memória) até dá a ideia que o saldo de produção de oxigénio seria negativo, mas admito que seja nulo

    “Tretas, não se sabe o suficiente para chegar a semelhante conclusão.”

    Penso que há decadas que se sabe a tendência para absorver calor dos diveros elementos e compostos quimicos e se sabe que a do CO2 e do H2O é maior do que muitos dos outros gases atmosféricos (logo logicamento conclui-se que, quanto mais CO2 e H2O na atmosfera, mais demora o calor a dissipar-se no espaço). E também se sabe que, quanto maior a temnperatura, maior a tendência da água para estar no estado gasoso em vez de no liquido (eu observo esse fenómeno sempre que tento cozer uma pescada), logo quanto mais quente o tempo, maior vapor de água na atmosfera.

    As únicas dúvidas que há acerca desses fenómenos é a respeito da sua magnitude, não se eles existem ou não.

  14. lucklucky

    As plantas têm mais facilidade em nascer, ou não?
    Se há mais plantas como tem acontecido em várias zonas de África e a formação de novas florestas um pouco por todo o Mundo isso faz um planeta Terra mais fresco ou não? É impossível saber. E como afecta o Mar 70% da superfícia da terra? O plancton, a evaporação?

    Não se sabe. Nem as temperaturas hoje são bem medidas sequer, ainda pior há 100 anos para se ter um historial com diferenças de 1 a 2 graus. Está tudo cheio de erros graves. A ciência do clima ainda está na infância. O sistema é simplesmente demasiado complexo e tem demasiadas variáveis e não é nada similar ao típico raciocínio humano biunívoco.

  15. Luck, e a destruição da Amazónia, como entra nesses seus cálculos? E se a emissão destes gases ultrapassar a capacidade de regeneração pelas zonas verdes mesmo assumindo a sua extensão?

    Eurico, veja lá os comentários #19 e #20 (sendo este último bem mais completo).

    Luck, em relação ao facto da ciência ‘climática’ estar na infância vou usar a noção de risco. O risco é tido, essencialmente, como:

    r=fxi, (r: risco; f: frequência; i: impacto).

    Quero agora apresentar um novo termo nesta equação (que começa a ser cada vez mais o padrão):

    r=fxi/d

    d é a detectabilidade, isto é, a nossa capacidade de identificar o risco. Mesmo que concordasse com o facto de que f possa ser menor (lá estão aqueles malucos verdes a disparatar por aí acima), o ‘i’ continua muito elevado (extinção é chato). Se a isto juntarmos a sua noção de que a ciência está muito ‘fresca’, então ‘d’ assume valores muito baixos. Assim sendo ‘r’ aumenta.

  16. Osório

    Os autores desse estudo publicaram-no na forma de um livro. Será que quantificaram a pegada ecológica da publicação do livro (material, transporte, etc.)? (Por favor não façam as contas, estou só a usar um pouco de ironia). Eu sugiro o suicídio colectivo para salvar o planeta, mas mesmo aí talvez houvesse um grave problema devido ao gigantesto volume de material em decomposição. Já agora, uma questão: será que está tudo doido?

  17. lucklucky

    A formula parece-me incorrecta. Não é por causa da detectabilidade que o risco muda. Para isso teríamos de determinar a nossa capacidade de alterar o eventual problema.

    Continuando, se a ciência está muito fresca como pode você identificar o “i” e o “f” com valores correctos e mesmo o d? ainda há coisas que não sabemos que não sabemos. Por exemplo o “i” não é só apontar para o infinito e dizer “extinção”, isso é uma falácia. A probabilidade da extinção pode ser muito volátil ou ser nada volátil.

    Por exemplo se tiver um terrorista como uma arma as probabilidades de matar uma pessoa são muito maiores do que um polícia na rua também armado. Mas o potencial absoluto dos dois é igual.

  18. Parece-me que o luck está a confundir o risco com o próprio acontecimento. Vou tentar ser mais claro. Vamos assumir o acontecimento ‘catástrofe climática’. Afinal é disto que falamos. Agora interessa-nos perceber qual o risco que corremos ligado ao acontecimento ‘catástrofe’ climática. A equação normal do cálculo do risco diz-nos que:

    r = f x i

    onde, ‘f’ é a frequência (ou a probabilidade) de o acontecimento ‘catástrofe climática’ ocorrer. Será sobre este ponto que se fala quando referem a ‘histeria verde’, uma vez que acham que há sobrevalorização deste parâmetro. ‘i’ é o impacto da ‘catástrofe climática’. Vamos ser sérios, seja extinção global, seja fome itensa, seja inundações em massa, este parâmetro terá sempre valor máximo. A partir de certa altura o impacto é tanto que bate no tecto da escala (lembrar que nestes exercícios a escala é sempre finita).

    Agora vem a outra parte. Porque raio incluo eu a detectabilidade?

    r = f x i x (1/d)

    Vamos a exemplos:
    1) Porque numa central nuclear os sistemas de instrumentação analítica têm redundância? Porque diminuem o impacto? Não. Porque diminuem a probabilidade? Não. Porque aumentam a detectabildiade, isto é, a capacidade de “if something goes wrong we will know it”.
    2) Num exemplo mais terreno. Porque é que ao gás natural é adicionado um gás sulfuroso? Para dmininuir o impacto sobre o acontecimento ‘fuga’? Não, mata na mesma. Para diminuir a frequência? Não, não é por ter esse composto que as fugas deixam de acontecer? A adição deste composto permite sim aumentar a detectabilidade, i.e., diminui o risco.

    Há autores que incluem a detectabilidade no parâmetro da frequência/probabilidade. Contudo, verificou-se que isso causava subestimação do parâmetro detectabilidade. O destacamento deste promove a discussão sobre sistemas de medida.

    Assim, quando o luck comenta que estamos a sobrestimar porque a ciência está fresca eu acrescento: se está fresca como sabemos que não sobrestimamos em vez de substimarmos? O que o luck faz é dizer que o nosso ‘f’ diminui porque ‘d’ é pequeno. Ora, isto não faz sentido.

    A minha opinião é que ´d´diminui a uma velocidade vem maior que ‘f’ diminui. Consequência é que o risco aumenta.

    Em relação ao exemplo pauloportaniano que apresenta, penso que com esta explicação já percebeu onde fica minado.

  19. lucklucky

    “Assim, quando o luck comenta que estamos a sobrestimar porque a ciência está fresca eu acrescento: se está fresca como sabemos que não sobrestimamos em vez de substimarmos”

    Não sabemos, o mundo até pode estar a ficar mais quente do que os defensores do Aquecimento Global dizem. É pouco provável porque o sistema falível que temos funciona a partir de uma determinado grau de precisão, mas esse grau é muito menor do que a precisão que os defensores do aquecimento global dizem que tem.

    —–
    A formula está errada. Se o clima for algo sobre o qual os humanos não puderem agir nem mudar como é que a detectabilidade muda alguma coisa? Todos os exemplos que diz têm implícita uma acção posterior – Como a formula não permite determinar a sua eficácia é uma formula que está dependente de considerações exteriores, logo não funciona. Segundo, quanto mais d é desconhecido mais f o é, logo é impossível responder à questão, porque o risco pode ser muito ou pouco.
    Simplesmente não sabemos.

  20. Desculpe a franqueza mas parece-me que o Luck é um negacionista primário. Atribui à ciência características praticamente de astrologia o que é desonesto. Depois faz a hipótese do ‘se’: se não pudermos agir. Absurdo. Se causamos porque raio não podemos prevenir/remediar?

    A fórmula está errada? E que tal uma olhadela pelos manuais de gestão de risco?

    Eu dou por terminada a minha participação nesta cadeia de comentários em protesto contra este “só sei que nada sabemos” e bola para a frente.

  21. lucklucky

    Qual negacionista primário, você é que um fiel primário. Eu disse que o desconhecimento implica que as coisas até podem estar piores. Por isso quem é desonesto é você. E a ciência ao nível a que está é próximo do que você diz: astrologia.

    “Se causamos porque raio não podemos prevenir/remediar?”

    Não se sabe se causamos.
    E mesmo se afinal causámos não se sabe se é reversível ou se se vai a tempo para ser reversível.
    Por isso mesmo a ideia que sabendo mais diminui o risco não é necessáriamente verdade.

    O risco do sol se apagar não depende necessáriamente de sabermos mais ou menos.

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