A vitória do egoísmo e do desalento

A vitória de Isaltino Morais e Valentim Loureiro nos respectivos municípios levam-nos a ter em conta duas coisas: Em primeiro lugar, o sentimento de partilha, de pertença a uma comunidade e a responsabilidade individual que daí advém é diminuta. Não há muito mal em ter um presidente que ‘roube’ aos outros, desde que sobre algo para mim. Em segundo lugar, está a pouca consideração que se tem pela Justiça. Isaltino foi condenado a 7 anos de prisão, uma decisão judicial que pouco interessou à maioria dos eleitores de Oeiras. Há muitos anos que os tribunais fazem pouco dos cidadãos. Agora recebem o troco.

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11 thoughts on “A vitória do egoísmo e do desalento

  1. Luís

    Sobre os nossos tribunais: «É costume dizer-se que a justiça é cega. Mas, no Algarve, a justiça também parece estar coxa. Em declarações ao já, António Manuel Ventinhas, do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), critica a alarmante falta de condições nos tribunais algarvios, que está a provocar grandes atrasos na realização de julgamentos na região. A situação chega ao ponto de se terem de efectuar diligências de inquirição e interrogatórios em antigas casas de banho…!»

    Nota: conheço casos que estão há perto de 15/18 anos à espera de resolução em primeira instância na região! Mas o povão quer é auto-estradas, TGV e concertos do Tony Carreira…

  2. JoaoMiranda

    ««Isaltino foi condenado a 7 anos de prisão, uma decisão judicial que pouco interessou à maioria dos eleitores de Oeiras. »»

    É uma mera decisão de primeira instância. Os eleitores sofisticados de Oeiras raciocinaram que Isaltino é inocente até ao último recurso para o Supremo.

  3. Isaltino foi condenado a 7 anos de prisão, uma decisão judicial que pouco interessou à maioria dos eleitores de Oeiras

    Os eleitores de Oeiras devem ter sido sensíveis ao apoio de Otelo Saraiva de Carvalho a Isaltino Morais…

  4. Pedro

    Os sofisticados eleitores de Oeiras mostraram, de forma clara, que dinheiro e educação (leia-se cursos…) não dão carácter nem honra. E mostraram, afinal, que os dirigentes que temos são mesmo o espelho do que somos.
    Curiosamente, foram os “ignorantes” e “simplórios” do Marco de Canavezes e de Felgueiras a dar o exemplo.

  5. Luís

    «Os sofisticados eleitores de Oeiras mostraram, de forma clara, que dinheiro e educação (leia-se cursos…) não dão carácter nem honra»

    Cursos como muitos fazem a decorar slides nas vésperas dos exames e a apresentar power points com copy paste da internet… é desses cursos que está a falar?

  6. André, julgo que qualquer eleitor, ao votar, escolhe com base na sua percepção de interesses pessoais.
    Claro que há uma minoria que consegue ter um pensamento mais abstracto e global, tomando decisões de acordo com regras universais de moral e ética, mas a grande maioria das pessoas vota a pensar na sua vida.
    Essa é, aliás, a razão porque quanto mais peso o Estado tem na economia e mais pessoas dependem do OE, mais votos tenderão a ter os partidos que defendem a manutenção ou agravamento deste modelo, apesar da sua insustentabilidade económica (até um dia em que isto rebenta).

  7. Pedro

    Caro Luís, percebeu bem onde eu queria chegar.
    Não desconverse e também não se sinta atingido que o alvo do meu comentário era toda a gente e não era ninguém. Não sendo natural da terra vivo em Oeiras e tenho família nada e criada também em Oeiras, alguma da qual até apoia Isaltino.
    O cerne da questão é mesmo o limite a que se chegou de as populações admitirem que pessoas sem ética continuem a presidir a funções públicas “apenas” porque fizeram alguma coisa pela terra. O Bruno Alves em comentário colocado há pouco no blog explica, e a meu ver muito bem, o porquê de em Oeiras, que é um dos Concelhos com uma população (supostamente) mais esclarecida, volta a dar as chaves do Banco ao ladrão.

  8. Luís

    «Caro Luís, percebeu bem onde eu queria chegar.
    Não desconverse e também não se sinta atingido que o alvo do meu comentário era toda a gente e não era ninguém. Não sendo natural da terra vivo em Oeiras e tenho família nada e criada também em Oeiras, alguma da qual até apoia Isaltino.
    O cerne da questão é mesmo o limite a que se chegou de as populações admitirem que pessoas sem ética continuem a presidir a funções públicas “apenas” porque fizeram alguma coisa pela terra. O Bruno Alves em comentário colocado há pouco no blog explica, e a meu ver muito bem, o porquê de em Oeiras, que é um dos Concelhos com uma população (supostamente) mais esclarecida, volta a dar as chaves do Banco ao ladrão.»

    Concordo perfeitamente com o que diz em relação ao comentário de Bruno Alves. Mas é uma questão importante no nosso país, que não pode ser desligada de todo do que sucede em Oeiras, o facto da formação universitária em Portugal se limitar a transmitir conhecimentos técnicos específicos e não ser um período de formação pessoal, apreensão, maturação e reflexão de valores e ideias, pelo menos para a larga maioria dos estudantes. Esse espaço, em parte, em muitas faculdades, é ocupado pela praxe, pelas associações de estudantes, pelas tunas… Ainda recentmente estive em Itália e vi muito activismo jovem. Em frente à Comunna de Milão assisti a uma manifestação de jovens que reclamavam devido ao fim das aulas de Gregoe de Latim e devido ao fecho de uma biblioteca. Nas ruas vi três manifestações de jovens: uma contra o regime do Irão, outra de apoio a Silvio Berlusconi e outra contra a utilização de peles de animais. E no Hospital Maggiore vi vários cartazes a anunciar acções de discussão política comunista e marxista. Cá no Porto não vejo esta dinâmica. O que sinto pelo que observo nalguns casos específicos é que com frequência o Ensino Superior acaba por ser mais uma extensão do Ensino Secundário.

  9. Esta é a chave do post:

    “Há muitos anos que os tribunais fazem pouco dos cidadãos. Agora recebem o troco.”

    Muito bem.

  10. Pedro

    Não tendo qualquer simpatia pela personagem (Isaltino, no caso), pergunto-me o que será pior: se alguém que a Justiça já identificou como prevaricador e que, por isso mesmo, será escrutinado com mais acuidade ou, se pelo contrário, serao honestos e íntegros todos os que, não o sendo, nunca foram “apanhados”…

    E, que diabo, as diatribes que se têm escrito sobre o assunto partem de um pressuposto no mínimo estranho: que tenha praticado um acto censurável e que, pelo facto, tenha já acertado contas com a justiça por aplicação da pena correspondente, perde, de forma inapelável e permanente, qualquer direito a recuperar os seus mais básicos direitos de cidadania.

    É isto que se entende por reintegração???

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