A inutilidade dos referendos

“Referendos Inúteis” de Bagão Félix (Diário Económico).

Os referendos são inúteis. São inúteis porque o resultado final é pré-determinado e a única variável em disputa é o tempo. O tempo necessário para se repetirem as consultas populares até que o povo faça a vontade a uma elite ou vanguarda autoconsideradas detentoras da verdade. Se não é à primeira, é a segunda. Se não for à segunda será à enésima vez.(…) No ínterim da repetição de um referendo, o povo é “reeducado”, pois que antes decidira mal. Ou porque não sabia, ou porque se enganou, ou porque se confundiu. Se necessário, adicionam-se umas promessas laterais, excepciona-se ‘à la carte’ qualquer engulho referendário ou traveste-se qb o dito referendo. Uma vez garantida a vitória, decreta-se o dia ajustado para que o povo acabe por engolir o que antes rejeitou. Claro que a realidade é mutável e o mundo está sempre em transformação, seja nas questões sociais, comportamentais, políticas ou europeias. Por isso, não é nenhum crime lesa-democracia repetir referendos. Mas se isto é indiscutivelmente pacífico, será caso para perguntar por que razão só há repetição de referendos apenas num sentido, nunca nos dois! É que se o resultado de um qualquer referendo vai ao encontro do ‘diktat’ do poder estabelecido, ponto final. Está-se perante uma “sentença definitiva transitada em julgado”. Mas, ao invés, sugerir um qualquer novo referendo que ponha em causa, por exemplo, um “sim” europeu ou nas questões da vida é considerado anti-democrático (no mínimo) …

Um pensamento sobre “A inutilidade dos referendos

  1. Pinto

    E Portugal, nesta matéria, não é exemplo: veja-se os referendos ao aborto.

    Mas o que eu acho mais caricato é virem pessoas como o Daniel Oliveira criticar esta “técnica” do “Tentar até passar”, esquecendo (ou fazendo por esquecer) o caso português. E quando lhe avivam a memória (ver comentários 1 e 2 do post), justifica-o com o tempo que intermediou os dois referendos (ver comentário 7, do Daniel).

    Pior: o Bloco, que ficou tão escandalizado com o que se passou na Irlanda, propôs, no caso do aborto, que não houvesse referendo, e que tal matéria fosse aprovada pela Assembleia da República, ignorando o resultado do referendo de 1998.

    O Google é fantástico: não deixa estas coisas caírem no esquecimento.

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