Morris West

I claim no private lien on the truth, only a liberty to seek it, improve it in a debate, and to be wrong a thousand times to reach a single rightness.

Tinha 17 anos quando li ‘Os Palhaços de Deus’. Depois desse foi uma correria pelos restantes livros de Morris West. Uns bons, alguns excelentes, outros nem por isso. Morris Langlo West morreu faz hoje 10 anos, não foi um grande escritor, no sentido mais literário do termo, mas teve o condão de me marcar, naquele pontinho que se costuma chamar como o íntimo do nosso ser. O que mais apreciei em West foi a dúvida. As consequências inevitáveis das nossas decisões. A dúvida como diferente da hesitação, pois esta implica não agir e aquela não nos impede de fazer, muitas vezes de forma decidida, mas com dor, medo e aceitando plenamente o que daí vem.

Há uma frase de Morris West que guardo no meu blogue e que diz que “the hardest freedom to maintain is the freedom of making mistakes.” Este erro, a dúvida a ele associada e a aceitação desta realidade são a condição última do exercício da liberdade. Mais há mais em West. Há a sua dimensão espiritual. Para um homem católico e naturalmente pejado de dúvidas, em que toda a acção indeclinável, inevitavelmente gera resultados dramáticos, a busca constante de um significado qualquer para a nossa presença neste mundo, no tempo que nos foi dado com as pessoas, familiares e amigos que não escolhemos, mas que nos tocam, é o que o leva à tal acção apesar da dita dúvida. Aquilo que o obrigava a viver. O que nos faz continuar.

Morris West morreu sentado à secretária enquanto escrevia a sua ‘Última Confissão’, uma homenagem a Giordano Bruno, o monge queimado como herege por ter ousado pensar. Num outro livro, ‘Uma Visão Sublime’, West fala-nos de Bruno e da vez em que esteve perante a sua estátua no Campo de’ Fiori, em Roma. Muitos anos depois, eu também lá estive, de frente da mesma estátua onde West se pôs de pé a imaginar o que aquele homem devia ter sofrido. No fundo, estivemos os dois a fazer a mesma coisa, exactamente no mesmo local, embora em tempos diversos. Encontrámo-nos, mas não nos vimos. A dita dimensão espiritual está aí: Na passagem do testemunho.

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