Concordo com o André em tudo menos num ponto (e já lá vamos). O próximo presidente da câmara de Lisboa deve ocupar-se em facilitar a vida dos lisboetas, seja diminuindo a burocracia para os licenciamentos de tudo e mais alguma coisa (desde pintar uma fachada de um prédio, ou mudar as caixilharias das janelas, até ao licenciamento de obras, passando pelas tais esplanadas e um infindável etc.) – muita da burocracia deve-se à sanha legisladora da AR; no entanto as câmaras e, por vezes, até as juntas de freguesia deleitam-se inventando regulamentos para tudo, de forma a obterem receitas com umas taxazinhas que recebem dos munícipes -, seja mantendo a cidade limpa e com equipamentos (os já existentes, e começando pelos passeios) minimamente utilizáveis, seja não se dedicando a pedagogias destinadas aos lisboetas, ora promovendo o uso de bicicletas, ora cortando o trânsito em zonas essenciais para a mobilidade de residentes e dos que trabalham em Lisboa, ora decidindo que tipo de comércio deve ter a Baixa lisboeta. (Carrilho, no seu tempo, queria todos os bairros com uma praça e, desconfio, obrigar os habitantes desse bairro a usufruir da praça, quer a sua vontade assim lhes indicasse ou não).
É precisamente por esta razão que não se deve votar em António Costa. Tem toda a vontade de controlar que os socialistas têm revelado e uma imaginação incrível para dificultar a vida às pessoas de Lisboa. Se António Costa quer andar de bicicleta, muito bem, mas não impinja a ideia aos outros; sobretudo, não dificulte a vida aos que necessitam de carro e transportes públicos rodoviários por causa das benditas bicicletas. E nem vale a pena falar das ideias peregrinas para a Baixa; António Costa e os seus apoiantes vivem naquela ilusão da esquerda caviar de que todos têm imenso dinheiro e podem deslocar-se sempre de taxi (e como se as lojas da Baixa se destinassem aos consumidores que têm dinheiro para passear de taxi), pelo que ‘fora com os carros’ daquela zona. O Terreiro do Paço, segundo Costa, deve esvaziar-se ainda mais e assemelhar-se a um deserto empedrado, sem pessoas nem carros.
Chegando ao que não concordo com o André. É sempre complicado prescindir do carro quando necessitamos, por exemplo, de transportar filhos para casa dos avós, escola, ginástica, música, casas dos amigos, etc. No entanto Lisboa, de topografia acidentada, torna a tarefa impossível. Eu morei durante vários anos no meio de uma encosta, com transportes públicos no topo ou no sopé, com acesso a ambos por duas calçadas bem inclinadas, com estacionamento cerrado e muito escorregadias. Se sozinha eu poderia deslocar-me até aos transportes públicos, torcendo tornozelos algumas vezes por ano (mesmo de ténis), com uma ou duas crianças seria receita para atropelamentos e cabeças partidas. Além de termos transportes públicos longe de ideais, há quem use o carro diariamente porque, simplesmente, a sua vida, se não o usasse, seria um inferno. E esta é só mais uma coisa que António Costa não entende; sabe que não devemos usar carros. E nunca se deve votar em pessoas que sabem como os outros devem viver a sua vida.
«António Costa e os seus apoiantes vivem naquela ilusão da esquerda caviar de que todos têm imenso dinheiro e podem deslocar-se sempre de taxi (e como se as lojas da Baixa se destinassem aos consumidores que têm dinheiro para passear de taxi), pelo que ‘fora com os carros’ daquela zona.»
Devia ouvir meninos da JS a defender o TGV como se os portugueses comuns tivessem dinheiro para dele usufruir.
“sabe que não devemos usar carros. E nunca se deve votar em pessoas que sabem como os outros devem viver a sua vida.”
Mas a MJM, ao usar o seu carro, não está apenas “a viver a sua vida” – está (pelo menos, se circular na via pública) a afectar as outras pessoas que usam a mesma via (aliás você mesma fala do perigo de atropelamentos para quem não anda de carro, do estacionamento cerrado, etc.)
Os que mais nos pregam para não usarmos o carro na cidade são aqueles que andam de carro com motorista. Vão dar uma volta ao bilhar grande.
“Os que mais nos pregam para não usarmos o carro na cidade são aqueles que andam de carro com motorista.”
Andar de carro com motorista incomoda menos as outras pessoas do que andar de carro guiado pelo próprio – o motorista pode deixar-nos no nosso destino e regressar “à base”, em vez de deixarmos o carro estacionado num sitio já cheio de carros (e, mesmo que não faça isso, não incomoda MAIS as outras pessoas que um carro conduzido pelo próprio). Portanto onde é que o Patricio quer chegar com o seu comentário?
“Concordo com o André em tudo menos num ponto (e já lá vamos).
Cara Maria João Marques
Eu não concordo com o André em quase tudo.
E consigo, só concordo no facto de ir votar em Santana Lopes.
Não há (ou não havia até há pouco tempo) nenhuma burocracia especial para se fazer obras de recuperação em Lisboa, excepto em prédios que algumas alimárias acham que merecem preservação, e cuja efectiva preservação seria muito mais económica e segura se fossem pura e simplesmente demolidos e reconstruídos.
Não se devem plantar árvores nas ruas das cidades só porque parece bem.
Devem-se plantar arvores que sombreiem no Verão e que deixem passar a luz no Inverno.
Mas isso deve-se fazer nas ruas cuja largura e orientação solar o justifique.
E deve-se ter cuidado com as infra-estruturas existentes.
Os esgotos tem capacidade para escoar as folhas no Outono?
As canalizações são suficientemente resistentes ao ataque das raízes?
Não se deve licenciar restaurantes e tascas de qualquer maneira.
Para onde se evacuam os fumos das cozinhas?
Como é feita a recolha de lixos?
Não é preciso inventar esplanadas.
Elas nascem naturalmente se tiverem consumidores.
Os passeios em calçada portuguesa não são muito confortáveis, mas são uma óptima solução de drenagem pluvial.
Etc., etc…
Finalmente os transportes devem ser definidos pela sua eficácia não por ideologias.
E em Lisboa só há dois métodos eficazes de deslocação – a pé e de carro.
Para complementar estes dois meios devem existir elevadores, escadas e passadeiras rolantes, eléctricos, e parques de estacionamento.
Os autocarros deviam pura e simplesmente ser extintos.
Poluem fazem barulho e estragam os pavimentos.
Lisboa é uma Metrópole, ou seja um agrupamento de Cidades e deve ser gerida como tal, pelo que garantir fluxos eficientes entre as diversas Cidades constituintes deve ser uma prioridade.
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“Os autocarros deviam pura e simplesmente ser extintos.”
E como é que eu, enquanto andava na universidade, iria para o ISEG sem o 49, o 6 ou o 27?
“E em Lisboa só há dois métodos eficazes de deslocação – a pé e de carro”
Pela minha experiência, eu diria que só há 2 meios eficazes – a pé ou de metro (com um papel complementar para os autocarros).
Mas também é verdade que, em 36 anos de vida e 12 anos de carta, eu nunca conduzi em Lisboa (tirando as minhas 114 aulas de condução)
Os autocarros não funcionam (ou funcionam mal) devido ao excesso de trânsito. A verdade é que a Carris tem melhorado muito o seu serviço ao longo dos anos – pelo menos desde que vivo em Lisboa. Sempre utilizei autocarros, há zonas que a isso obrigam (Alcântara, Calvário, Ajuda, Graça, Estefânia, etc). Até mesmo os tempos de espera nas paragens com equipamento electrónico estão mais ou menos certos.
“E como é que eu, enquanto andava na universidade, iria para o ISEG sem o 49, o 6 ou o 27?”
Não sei, porque não sei onde morava.
Mas provavelmente morava disparatadamente longe do ISEG, porque, graças às “brilhantes” leis do arrendamento urbano não conseguiu alugar nada mais perto.
O que é lógico é que quando um estudante se muda para uma cidade para fazer o seu curso, escolha um local para morar que lhe permita ir a pé para a escola.
E hoje ainda seriam necessários esses autocarros?
O metro não seria hoje uma solução melhor?
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“Pela minha experiência, eu diria que só há 2 meios eficazes – a pé ou de metro”
Miguel Madeira
O “metro” não é mais do que um “eléctrico”, ou seja um comboio intra-urbano que em cidades como Lisboa tem de circular maioritariamente debaixo do solo.
Por isso como disse acima é um bom e necessário complemento do melhor método de transporte que é andar a pé.
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Os autocarros não funcionam (ou funcionam mal) devido ao excesso de trânsito.”
Isto é como discutir quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha.
Muita da complicação do trânsito é provocada pelos autocarros.
Já alguém pensou no desperdício de combustível e consequente poluição provocada por autocarros circulando com lotação diminuta?
O transporte automóvel de grande capacidade justifica-se em percursos longos e com a lotação cheia.
Em pequenos trajectos são um desperdício e um elemento destruidor dos pavimentos.
Porque é que será que as transportadoras logísticas usam comboios e camiões TIR para as grandes distâncias e depois transferem tudo para pequenos veículos?
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Miguel Madeira, mas porque acha que eu afecto negativamente as outras pessoas por me transportar de carro? Nunca atropelei ninguém, tenho, e já na minha anterior casa tinha, garagem, no meu emprego estaciono num parque onde tenho avença e uso sobretudo os parques de estacionamento que existem na cidade quando vou para outros locais (felizmente já existem bastantes). E o que é que o facto de eu andar de carro obriga os outros na sua vida? Não entendo.
Mentat, acho que o André (e eu) não pretendia que se invadissem todas as ruas de árvores. Mas voltando ao Tereeiro do Paço, não seria normal colocar árvores numa praça daquela dimensão? (Atendendo às reservas que coloca e me parecem pertinentes).As esplanadas não aparecem porque é difícil ter licença para elas;as que existem são sempre muito procuradas. Já os autocarros tb me parecem muito pouco eficazes.
O que é lógico é que quando um estudante se muda para uma cidade para fazer o seu curso, escolha um local para morar que lhe permita ir a pé para a escola.
É lógico? Para mim não era. Nos meus anos de universidade, estudava em Benfica, e nunca morei sequer perto de Benfica. Nunca gostei da zona. Preferi morar no centro da cidade, e recorrer por vezes ao metro e na maioria das vezes aos autocarros (58, 33, depois 767). A excepção foi o meu último ano de universidade, onde recorria ao comboio por ser mais prático, considerando a zona onde vivia. Mas nunca sequer me ocorreu ir morar para Benfica. E como eu, conheci tantos estudantes que, ao invés de morarem na zona da universidade, optavam por viver em zonas mais distantes, com transportes mais ou menos directos (leia-se autocarros).
Muita da complicação do trânsito é provocada pelos autocarros.. Não creio. Aliás, a minha experiência de andar de autocarro em Lisboa diz-me que os autocarros são o menor problema do trânsito. Dou-lhe um exemplo: sempre que chove o trânsito fica absolutamente caótico (ontem foi um bom exemplo). Mas quando chove, que eu saiba, não há mais autocarros a circular.
Já alguém pensou no desperdício de combustível e consequente poluição provocada por autocarros circulando com lotação diminuta? Lotação diminuta? Houvesse mais autocarros…
“Mas voltando ao Terreiro do Paço, não seria normal colocar árvores numa praça daquela dimensão?”
Cara Maria João
Nesse caso não é uma questão de normalidade é uma questão de estética e de gosto e isso como é lógico não se discute.
O Terreiro do Paço é uma praça monumental com uma vista espantosa a partir do Tejo.
Acho que não há mais nenhuma no Mundo com aquela beleza e monumentalidade.
Enchê-la de árvores acho que iria contra o ideal de quem a concebeu.
Mas tecnicamente não seria absolutamente incorrecto e eu sou dos que apesar de admirar a nossa História, não acho que devamos ser escravos dela.
Não sei é que árvores se dariam bem num terreno constituído por entulhos.
A Avenida da Liberdade já foi um bosque central e duas ruas laterais e agora é o que é.
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«««É lógico? Para mim não era. Nos meus anos de universidade, estudava em Benfica, e nunca morei sequer perto de Benfica. Nunca gostei da zona. Preferi morar no centro da cidade,…»»»
Pois…
O que é lógico é que os impostos de todos sustentem as preferências de alguns…
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O que é lógico é que os impostos de todos sustentem as preferências de alguns…
Não. O que é lógico é que se aproveite as infraestruturas de transporte existentes para não estar limitado a viver numa área. Ou defende que quem trabalhe em Lisboa tenha de viver em Lisboa, e não em Sintra, Cascais, etc?
Continuo sem saber porque são os autocarros os grandes responsáveis pelo caos do trânsito em Lisboa. E já agora, qual seria a solução para as zonas da cidade que não têm Metro, caso os autocarros, esses marotos, fossem eliminados. É que ainda são muitas: Ajuda, Alfama, Restelo, Estrela, Amoreiras, Campo de Ourique, Campolide, Lapa, Santos, Belém, Graça, Castelo, Alcântara…
O meu caso – eu vivia em Alvalade, apanhava o metro até à Rotunda e lá apanhava o autocarro até ao Quelhas ou até à Buenos Aires (hoje em dia, talvez podesse ir até ao Rato e seguir a pé…).
Agora, vamos imaginar que eu tinha alugado uma casa na Estrela ou em S. Bento – podia ir para o ISEG a pé; mas como é que a minha irmã iria para o ISEL a pé (bem, agora podia ir de metro até ao Oriente, mas não nos anos 90).
“Ou defende que quem trabalhe em Lisboa tenha de viver em Lisboa, e não em Sintra, Cascais, etc?”
Claro que não defendo isso, mas apenas na óptica da liberdade individual.
Acho que as pessoas devem ter a liberdade de viverem e trabalharem onde quiserem.
Agora o que é considerado lógico por quem saiba um nadinha de infra-estruturas é que as mesmas devem ser utilizadas ao máximo.
O movimento pendular de pessoas entre Lisboa e os arredores faz com que haja um duplicar de infra-estruturas de esgotos, água, electricidade e telecomunicações, subutilizadas numa parte substancial do dia.
Um tubo de esgoto pode durar 10 anos, tanto faz que seja utilizado 9 horas por dia ou 18h.
Por isso sim, é lógico que as pessoas morem perto de onde trabalham.
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“…(bem, agora podia ir de metro até ao Oriente, mas não nos anos 90).
Caro Miguel
Estamos a falar do presente não do que se passava há 20 anos.
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“…porque são os autocarros os grandes responsáveis pelo caos do trânsito em Lisboa.”
Ninguém disse isso.
Só se disse que não é o mais eficiente.
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Muita da complicação do trânsito é provocada pelos autocarros.
Até disse, e isto até nem é verdade. Adiante.
O autocarro não será o mais eficiente meio de transporte. Concedo. No entanto, é necessário. Já visitei várias cidades europeias, e nenhuma delas abdica dos autocarros. No caso de Lisboa, que tem uma rede de Metro que parece ter sido feita ao acaso, e não com o devido planeamento e pensamento a longo prazo, a rede de autocarros é imprescindível. E a Carris, com mais ou menos trânsito, nem presta um mau serviço. Bem pelo contrário, tem vindo a melhorar consideravelmente ao longo dos anos. Está longe da perfeição, é verdade, mas não funciona tão mal como a pintam.
Se falamos dos eléctricos, então também lhe digo que gostaria que houvesse mais. Uma das coisas de que mais gosto na zona onde moro actualmente é poder utilizar os eléctricos antigos para me deslocar. Para além de que as “motoristas” hoje em dia são muito giras 😉 (perdoem a frase, mas não resisti).
Eu disse isto e mantenho :
“Muita da complicação do trânsito é provocada pelos autocarros…”
Não disse isto :
“…porque são os autocarros os grandes responsáveis pelo caos do trânsito em Lisboa.”
Parece-me que são afirmações bem diferentes, mas adiante.
Pelos vistos concordamos que não é um meio de transporte eficiente.
E eu também prefiro e defendo os eléctricos, antigos ou modernos e claro, se possivel com operadoras giras :).
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Operadoras. Soa melhor do que motoristas, concordo. Sim, também concordo quando me diz que os autocarros não são o meio de transporte mais eficiente (pelo mesmo motivo que, por exemplo, para ir à terra prefiro o comboio ao autocarro). Mas são necessários, muito necessários, devido sobretudo ao desmantelamento da rede de eléctrico e ao péssimo planeamento da rede de metro. E reformulando, não acho que os autocarros causem grande perturbação no trânsito.
Veja lá, eu estou aqui a defender os autocarros da Carris quando até já fui atropelado por um. Isto há coisas… 🙂
«O que é lógico é que quando um estudante se muda para uma cidade para fazer o seu curso, escolha um local para morar que lhe permita ir a pé para a escola.»
Infelizmente, alugar um apartamento para um estudante é complicado, pelo menos para quem procura o mínimo de condições. Falo por experiência própria. Já se esqueceram que não há mercado de aluguer?
De arrendamento, quis dizer…