Ver de bancada (3)

bandeira_monarquica

Percebe-se e compreende-se muito bem que Cavaco Silva não vá fazer o habitual discurso do 5 de Outubro. Afinal, foram demasiadas semanas a entregar munições ao campo do adversário.

Temos portanto um 5 de Outubro reduzido ao seu merecido lugar histórico: festejado sem intervenção do seu próprio presidente da república, sem intervenção do edil do município onde têm lugar as comemorações oficiais, remetido ao cerimonial soporífero e oco da cangalhada republicana que ainda sobrevive, ano após ano entrando no ritual dos feriados que se sabe que existem porque dão umas folgas.

São afinal augúrios para o ano que vem. Quando se contempla o estado que perpassa a nossa república da base até ao seu cume, tão bem retratado e concluído na sua plenitude com a queda do Anjo Cavaco de ontem, vê-se bem para que vão ser gastos os obscenos recursos que se prometem para o ano que vem. Com a crise que atravessamos, económica, institucional e de estado, só pode ser mesmo para bem da república. Se calhar não será é bem na perspectiva que se suporia.

13 pensamentos sobre “Ver de bancada (3)

  1. célia gomes

    Por que não comemorarmos o verdadeiro e fundamental 5 de Outubro?
    Uma comemoração em honra a Independência de Portugal o 5 de Outubro de 1143! São tão poucos os portugueses que disso sabem! Entretanto já lá vão 866 anos. Sejam democratas monarquistas ou não, o fundamental é o amor por nossa Terra.
    Sim a bandeira é linda!

  2. José Barros

    Soares, Sampaio e Cavaco devem estar mesmo a asneirar para que até se pondere a monarquia com a amostra de rei que temos como candidato.:)

  3. Rita

    Temos portanto um 5 de Outubro reduzido ao seu merecido lugar histórico: O meu aniversario!!!

    Onde aparece 1910 é favor substituir por 1975.

    Podem agradecer aos meus pais, dispenso discursos e comunicados mas estão a vontade para me pedir o NIB e exercerem o direito de contribuírem para as minhas próximas ferias.

    Obrigado:D

  4. Concordo com o post.

    Está na hora de acabar com um conjunto grande de feriados oficiais, em particular o 5 de Outubro e a maioria dos feriados religiosos (15 de Agosto, Sexta-Feira Santa, Corpo de Deus, Nossa Senhora da Conceição), substituindo-os por dias de feriado pessoal livres e individuais para cada trabalhador. O que teria amplas vantagens económicas (deixaria de ser necessário pagar a dobrar e a triplicar àqueles que trabalham nesses feriados oficiais).

  5. Nunca entendi o equívoco que há na cabeça de alguns monárquicos de que a figura do presidente da República é para abater à primeira oportunidade. O presidente é um chefe de Estado imperfeito pelos condicionalismos constitucionais (electivos) da sua função; mas, no desempenho dessa função, deve ser respeitado como chefe de Estado. O programa monárquico diz respeito essencialmente à chefia do Estado e ao seu lugar numa Constituição. Como pode um monárquico fomentar e praticar o ataque fácil à chefia de Estado?

  6. Caro Luís Aguiar Santos,

    Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.

    Há um dizer em engenharia que diz que, por mais complexo e sofisticado que seja um determinado modelo, se não for realista em termos dos seus parâmetros, em termos de disponibilidade e qualidade, redunda sempre num cenário em que se lhe fornecermos lixo, retornará também lixo.

    Essa perspectiva é a contrária: é a de se considerar um modelo que transforma sistematicamente em lixo as suas entradas, mas que o lixo na saída é bom e deve ser reconhecido como tal porque as entradas também são boas.

    Um mau rei será sempre um mau chefe de estado, assim como um mau presidente também o é. Devem ser expostos como tal, e não poupados por uma suposta aura do cargo que exercem. Deve-se criticar sim, também e principalmente, o mecanismo que conduziu a que este fosse mau, e nos termos concretos em que o é. Sem endeusamentos.

    O actual presidente, à semelhança dos anteriores, demonstra ser um mau chefe de estado e sintetiza a falência do modelo que sustenta a sua figura como tendo esse papel e ser o topo da hierarquia republicana. Merece-me o respeito de quem ascendeu por um sistema corrupto e permeável a toda a forma de distorções e influências a um cargo que vai demonstrando exercer mal. Não me parece que mereça qualquer particular simpatia e respeito por isso.

  7. “Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.”

    Acrescente-se que esse é um ponto de vista muito republicano: a antiga Roma preferia venerar e aceitar organicamente ditadores do que aceitar a monarquia.

  8. «Por esse mesmo argumento, um ditador também deve ser respeitado como chefe de estado.»

    O João Luís Pinto sabe que eu estou a falar de um chefe de Estado num regime constitucional. Um ditador é outra história…

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