Golpe de Estado (2)

“O pronunciamento de Cavaco, e o fim do regime” de Henrique Raposo

Cavaco ontem fez aquilo que, no passado, se chamava “um pronunciamento”. No passado, quando o país ainda não tinha bases constitucionais maduras, no passado, quando o país se divertia a fazer golpes de estado, um tipo chegava e dizia aquilo que Cavaco disse ontem: “aqueles tipos não são de confiança”. Depois, esse tipo ficava à espera dos seus generais. Nunca chegava a haver guerra civil. Contavam-se apenas as armas. Se tivesse mais armas do que o outro, o tipo ganhava sem disparar um tiro. Cavaco abriu fogo. Deve ir à guerra sozinho. Até porque, estou desconfiado, já não tem generais no coldre.

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3 thoughts on “Golpe de Estado (2)

  1. gpn

    Pelos vistos o Miguel começa a perceber melhor oq ue se está a passar. Demorou mas o HR deu uma ajuda. Preciosa ajuda devo acrescentar.

  2. Jorge Pereira

    Não estou assim tão certo que a declaração do PR tenha sido negativa para ele. Há alguns aspectos que gostaria de partilhar para discussão.

    1. O Governo está fragilizado com a perda da maioria e a precisar de apoios no Parlamento; com o PSD a entrar em fase de luta interna pela liderança, o PR é a face mais visível da oposição ao Governo.

    2. Como economista que é, o PR sabe que os dados económicos do país vão piorar. A dívida pública poderá passar os 80% do PIB e chegar aos 100% em 2010; o défice previsto pelo INE é de 5,9% mas há cálculos que o levam até aos 8-9%. Há já vários sinais de que a crise económica vai entrar numa segunda fase, o que vai agravar a situação económica de Portugal e deixar o Governo em maus lençóis. Nestas circunstâncias, torna-se impossível ao PM convocar novas eleições sob pena de pesada derrota. Para quem quiser ler:

    http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/ambroseevans_pritchard/6234939/Money-figures-show-theres-trouble-ahead.html

    http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/ambroseevans_pritchard/6241036/Merkel-warns-on-spending-cuts-fearing-Depression-era.html

    3. A questão das buscas de ontem sobre a compra dos submarinos vai atingir, cedo ou tarde, Paulo Portas e pode funcionar como arma do Governo para suavizar o CDS-PP e levá-lo a colaborar mais facilmente com um Governo em dificuldades. Se isto acontecer, torna-se mais difícil para o BE e o PCP juntarem-se ao PS no apoio presidencial a Manuel Alegre, o que não deixará de beneficiar Cavaco Silva para ganhar o segundo mandato, especialmente com a situação económica a piorar e o Governo a sofrer o descontentamente da população e sendo ele o rosto da oposição ao governo.

    4. A conquista do segundo mandato nestas circunstâncias e a fragmentação do espectro político nacional, depois de uma guerra com o PS, a permitir-lhe mostrar-se como o único garante de estabilidade praticamente o tornam na única figura que pode salvar o país e colocam-lhe o poder no colo.

    Não digo que seja este o plano do PR, mas ao adiar a declaração para depois das eleições, o PR destruiu o PSD, que se vai entreter em querelas internas durante mais uns tempos. Quanto ao PS, será a minoria no Parlamento e o agravar da economia que o vão destruir. Com os dois principais partidos nessa situação, para quem é que as pessoas se vão voltar? Não será com certeza para um BE radicalizado e estridente com a perspectiva de poder chegar ao poder. Isso poderá mesmo ser o factor que lança o país inteiro para os braços do PR.

    São apenas alguns pontos para discussão. Agradeço as vossas opiniões sobre isto.

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