Foram ultrapassados os limites da moral e da decência

Pois bem, esta, a meu ver, é a afirmação mais importante de todas.

Também aqui não fiquei esclarecido. Fica-me a pergunta:

POR QUEM ?

23 pensamentos sobre “Foram ultrapassados os limites da moral e da decência

  1. Cirilo Marinho

    Essa deve ter sido para responder tipo Maria José: eu sei que voçe sabe que eu sei que voçe sabe que eu sei.

  2. José Barros

    Caro Cirilo,

    Ontem lancei três hipóteses:

    – os assessores agiram por conta própria e o PR desconhece as notícias;

    – houve vigilância à Presidência pelo Governo e a reacção terá de ser dura;

    – tudo, inclusive as notícias do Público, foi cozinhado pelo governo;

    Depois de ver a comunicação ao país ainda não percebi qual das hipóteses é que se confirma ou se se confirmam todas. O PR continua a não desmentir as notícias de uma eventual vigilância, diz que desconhece e não teve nada a ver com as notícias do Público e que os assessores também não (apesar de dizer que, caso os últimos tivessem algo a ver com o assunto, não haveria mal nenhum) e acusa o governo de manipulação em relação a toda esta matéria (com dois objectivos: enfraquecer o PR, associando-o ao PSD e desviar as atenções dos problemas do país).

    A única coisa clara que resulta destas declarações é a afirmação contundente de que o país é governado por um “pulha”. Nisso, ao menos, Cavaco acertou.

  3. Carlos Duarte

    O que eu quero ver, e peço desculpa pela duplicação dos comentários, é se o Sócrates é empossado…

  4. Cirilo Marinho

    Boa pergunta. Acho que é empossado na mesma. Será que Cavaco saberá fazer de Soares?
    Não me parece. Não tem imprensa. O resto são boas intenções.

  5. Cirilo Marinho

    Meu prezado José:

    Gostava de saber o que pensar. Não consigo. Sinto-me a assistir a uma peça de teatro de péssima qualidade.

    Quase como se o avozinho nos tivesse a pedir desculpa por não ter impedido que o filho mau assumisse o posto de chefe de família.

    Parece-me que ficou claro que há escutas, embora sem provas. E que houve bluff, que correu mal.

    É aflitivo ver um senhor desta idade, nervoso, embaçado, a tentar que se percebesse que queria dizer mais do que o que disse.

    Enfim…

  6. José Barros

    Boa pergunta. Acho que é empossado na mesma. Será que Cavaco saberá fazer de Soares?
    Não me parece. Não tem imprensa. O resto são boas intenções. – Cirilo

    Correcto. Cavaco vai ter de engolir o elefante, porque não existem condições políticas para outro cenário. Se tivesse falado antes das eleições, a vitória do PS – a acontecer, o que não é certo – seria mínima e daria margem de manobra ao Presidente. Enfim, este PR consegue ser tão incompetente como os restantes. Donde, urge acabar com cargos unipessoais no sistema de governo português ou então reduzi-los a funções meramente simbólicas.

  7. José Barros

    Parece-me que ficou claro que há escutas, embora sem provas. E que houve bluff, que correu mal. – Cirilo

    É provável que esta tua frase esteja correctíssima.

  8. Carlos Duarte

    Caro José Barros,

    O problema é que Cavaco NÃO podia ter falado antes das eleições pois – como o próprio disse – seria arrastado para a luta político-partidária. Ou seja, seria fácil ao PS pintar o PR como um “amigo pessoal” da MFL e que a declaração é uma quebra de isenção. Após a eleição, e ainda por cima com este resultado, o PR pode fazer o que quiser – como demitir o Governo – enquanto mantém a “aura” de ser imparcial. O PSD pode – e deve – trompetear que foi prejudicado pela ISENÇÃO do PR.

    Está a ver o filme?

  9. Cirilo Marinho

    Por outro lado, vamos fazer de advogado do diabo.

    Cavaco diz claramente que vai defender o interesse nacional, mesmo com custos pessoais.

    Tal como o anti-comuna previu, ele vai tentar passar por cima da imprensa e falar directamente à população.

    Daí que ainda podemos esperar alguma surpresa.

    Vamos ver. Gostava de me manter esperançado.

  10. Carlos Duarte

    Mais ainda, a MFL tem agora uma excelente desculpa para se manter à frente do PSD (“Não fui eu que perdi, foi o PR – honesto, isento, apoiado por nós – levou a isenção demasiado longe”).

    Cavaco acabou de transfomar Sócrates num leproso político e quem se associar a ele – ao mentiroso, ao indecente, etc. – arrisca-se a contágio.

  11. lucklucky

    “O problema é que Cavaco NÃO podia ter falado antes das eleições pois – como o próprio disse – seria arrastado para a luta político-partidária. Ou seja, seria fácil ao PS pintar o PR como um “amigo pessoal” da MFL e que a declaração é uma quebra de isenção. Após a eleição, e ainda por cima com este resultado, o PR pode fazer o que quiser – como demitir o Governo – enquanto mantém a “aura” de ser imparcial. O PSD pode – e deve – trompetear que foi prejudicado pela ISENÇÃO do PR.

    Está a ver o filme?”

    Mas para jogar este tipo de jogo é preciso ter “balls” e não dar vitórias ao adversário. Ora alguém que se acobarda e reage demitindo um assessor a 4 dias das eleições naquele ambiente é inepto no mínimo.

  12. Cirilo Marinho

    Bem visto Carlos. Não só MFLeite tem algum alibi, como até pode tentar um brilharete nas autárquicas.

    Dará para se manter no poleiro? No mínimo, parece ser bem melhor que os pretendentes.

    Leproso político?? Essa está excepcional. 🙂

  13. Carlos Duarte

    Caro lucklucky,

    “Reage”? Não me parece que tenha sido reacção, salvo ser reacção à fraca posição do PSD na altura. Ao mudar (não demitir) o Fernando Lima, Cavaco tenta colocar-se acima de suspeita (“acho que ele não fez nada, mas para evitar rumores, mudei-lhe o cargo”) e manter a ideia que não estava a jogar para o PSD.

    Imagine que ele não demitia o Fernando Lima. E o PSD ganhava as eleições com maioria relativa, sem ser líquido que conseguisse formar Governo com o CDS (que teria de certeza menos eleitos do que teve). E depois fazia este discurso. O PS “pintava” mais uma vez o PR de faccioso, continuava a guerrilha nos jornais (associando o Fernando Lima à fuga de informação) e o Governo arriscava-se a cair por moção de censura e arrastar o PR com ele. O PS ganhava nas calmas as próximas eleições (daqui a 6 meses…) na plataforma do “Calimero”.

  14. lucklucky

    O Presidente demitiu Fernando Lima. Só 3 ou 4 dias depois é que veio a “correcção” – uma asneira de jornais não se corrige em 72 horas corrige-se em 5 ou 6 Horas e se não passa faz-se logo barulho. Mas mesmo a mudança de posição é uma vitória do inimigo. Se ele quisesse mudar alguma coisa era depois das eleições.

    O PS pode pintar o PR de faccioso sempre que queira. Mário Soares e Sampaio foram faccioso . E o último até teve o silêncio benévolo de Cavaco para ser faccioso.

  15. Carlos Duarte

    Caro lucklucky,

    Fernando Lima não foi demitido – e isto é um ponto essencial – foi transferido para outra posição para preservar a imparcialidade do PR perante o público. O PR não tem provas que o seu assessor fez o que foi acusado, PESSOALMENTE acredita que não e portanto, à cautela, faz uma remodelação da Casa Civil. No entanto, mesmo que o assessor tivesse feito, não teria problemas SALVO ser uma regra da actual Presidência que essas coisas não devem acontecer.

    O PS pode TENTAR pintar o PR de faccioso mas repare na primeira comunicação do PS em relação ao caso. Assobiar para o lado em vez de atacar o PR como já fez no passado. Porquê? Porque o facciosismo não pega contra o PR que fez o PSD perder as eleições.

  16. José Barros

    Após a eleição, e ainda por cima com este resultado, o PR pode fazer o que quiser – como demitir o Governo – enquanto mantém a “aura” de ser imparcial. O PSD pode – e deve – trompetear que foi prejudicado pela ISENÇÃO do PR. – carlos duarte

    Caro Carlos Duarte,

    Embora a sua leitura do discurso seja imaginativa e interessante, não creio que se possa atribuir a Cavaco tanta inteligência política.

    Vejamos: no campo da reputação, Cavaco ganha a Sócrates, o que é indiscutível. Mas no campo dos factos em concreto, o governo parece levar vantagem nesta “estória”, porque a mesma surge no Público pela voz de um assessor da Presidência e relatando eventuais vigilâncias em relação às quais não há a mínima prova. Ou seja, é provável que o governo ganhe a luta pela credibilidade pela circunstância de os factos até agora conhecidos estarem do seu lado.

    No campo das condições políticas: Cavaco não pode, sem novos factos e contanto que os mesmos sejam irrefutáveis, não indigitar Sócrates, tendo em atenção a vantagem confortável com que o mesmo ganhou eleições. Daqui a seis meses dificilmente as condições serão muito diferentes. Em primeiro lugar, porque o PSD estará envolvido em lutas fraticidas e dificilmente será alternativa credível (Ferreira Leite estará desgastada ou o novo líder impreparado); em segundo lugar, o governo poderá utilizar o argumento de que as oposições não o deixam governar, apesar de ele, governo, estar legitimado pelo voto; em terceiro lugar, o PS poderá também queixar-se da oposição da Presidência, se os factos continuarem a jogar a seu favor. Donde, o PS terá argumentos de vitimação contra tudo e contra todos.

    Mais tarde (a partir de Outubro, julgo, de 2010) é o PR que deixa ter condições constitucionais para dissolver a Assembleia. A janela de oportunidade é curta e as condições políticas provavelmente desfavoráveis.

    Não creio por isso que Cavaco esteja a ser brilhante. Acho que foi muito incompetente e está a tentar lavar a cara, tarde e más horas. Não é certo que o consiga e sobretudo é provável que a guerra do PS contra o PR seja mais eficaz do que o contrário. Ninguém bate os mestres no jogo sujo.

  17. Carlos Duarte

    Caro José Barros,

    Factos? A notícia que apareceu no Público a 18 de Setembro foi desvalorizada por Cavaco passados poucos dias. E poderá ter tido origem de dentro da Presidência da República sem conhecimento do PR. Mas o PS resolveu “empolar” a história e fabricou toda uma teia em redor de isso mesmo, incluíndo a história do email.

    Obviamente que o PR irá indigitar Sócrates. Daqui a seis meses, com um governo minoritário e a navegar à vista, as coisas deverão ser bastante diferentes. Não sei se o PSD se envolverá em lutas internas, uma vez que se pode escudar no PR (i.e. tem desculpa para ter perdido as eleições, aliás como já foi comunicado). O PS pode dizer que a oposição não o deixa governar, mas não poderá dizer o mesmo de vetos do PR, pois essa não cola.

  18. José Barros

    Mas o PS resolveu “empolar” a história e fabricou toda uma teia em redor de isso mesmo, incluíndo a história do email. – Carlos Duarte

    Caro Carlos Duarte,

    O Carlos Duarte viu que ninguém se preocupou com o facto de a notícia de o DN constituir a prática de um crime. O que interessava – e o que foi efectivamente discutido – era passar-se a saber que a presidência tinha conspirado contra o governo. Era isso que interessava ao país político ou pelo menos àqueles que lhe formam a opinião, a saber, a quantidade de comentadores e politólogos que faz o serviço ao governo de ocasião. Cavaco não controla os media, ao contrário do governo. E, por isso, só pode sair mal desta “estória” toda, pois que quem a narra é o seu adversário na contenda. Nem mesmo o discurso directo o salva, porque não pode dizer tudo aquilo que pensa, deixando, portanto, a margem de ambiguidade suficiente para todo o tipo de distorções (que, aliás, já começaram).

    Daqui a seis meses, com um governo minoritário e a navegar à vista, as coisas deverão ser bastante diferentes – Carlos Duarte

    Pois eu acredito que é isso que o PS quer: promover eleições antecipadas o mais rapidamente possível por forma a tentar a maioria absoluta com a desculpa de que as oposições tornaram o exercício de governo impossível. O PS tentará controlar o “timing” da queda do governo para evitar surpresas da Presidência e, ao mesmo tempo, aproveitar o momento mais vulnerável do PSD.

    Voltando ao início, acho que esta é uma guerra que o presidente irá perder. Só assim não aconteceria se tivesse provas de que efectivamente algo se tinha passado, quer no sentido de haver vigilância, quer no sentido de as notícias do Público terem sido plantadas pelas agências de comunicação do PS, sem a intervenção de assessores do Presidente. Até agora não há provas, nem de uma coisa, nem de outra, sendo que a inexistência das mesmas favorece objectivamente o governo, que, na opinião dos portugueses, será considerado inocente até prova em contrário.

  19. Carlos Duarte

    Caro José Barros,

    Discordo. Não me parece que os Portugueses vejam o Governo como inocente. Já existia todo o zumzum à volta de Sócrates, mas a máquina socialista conseguiu sempre abafar. É mais difícil abafar o PR. A resposta de Silva Pereira é um absurdo. Acusar o PR de prejudicar o Governo, quando é manifesto que o silêncio do PR prejudicou o PSD?

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