Já posso voltar a comprar o Expresso

Porque teve um comportamento decente neste caso das notícias do Público sobre as desconfianças de escutas à Presidência da República, recusando envolver-se nesta guerrilha entre Belém e São Bento. E porque fez entender muito bem quem foi a fonte do DN para os e-mails transviados.

Só mais uma nota, que a hipocrisia irrita-me. Não estou fã da forma como aparentemente Cavaco Silva lidou com esta desconfiança – que, também aparentemente, preocupa mesmo o PR – de que está a ser vigiado ou escutado (algo, que, a verificar-se, é muito grave). Quando a história estiver toda contada, veremos. Contudo poupem-me às carpideiras que estão muito escandalizadas com uma fuga intencional da presidência da república. Como se não fosse, infelizmente, normal haver fugas da presidência (e do primeiro-ministro e dos ministros), geralmente para embaraçar os governos (ou o PR), e se os anteriores PRs não houvessem também abusado do expediente, sendo por isso considerados – pelas mesmas carpideiras – políticos hábeis. Como se estas fugas de fontes anónimas não fossem correntes, e incentivadas, no tempo da política mediática. Não nos disfarcemos de vestais impolutas, se faz favor.

7 pensamentos sobre “Já posso voltar a comprar o Expresso

  1. Maria João, gostei muito de ler este seu post.
    Por mim, nunca leio o Expresso, nem gastaria um cêntimo num jornal com um editorial destes:
    “Interesses obscuros: É com preocupação que se assiste à total degradação das relações institucionais entre os dois principais órgãos de soberania em Portugal. Governo e Presidência digladiam-se e – como nós próprios muito bem sabemos, até por experiência vivida -, tanto um lado como o outro gostam de utilizar os meios de comunicação social como arena dos seus combates e os jornalistas como agentes das suas causas.”
    Já reparou na pobreza deste discurso? Aliás, ouvi o mesmo ao “jornalíssimo” Ricardo Costa na televisão…

    “O Expresso sempre recusou e recusará o papel de marioneta de um confronto que existe, mas que é sistematicamente desmentido on the record pelos seus principais actores. Assim como recusa entrar numa guerra suja de denúncia de fontes anónimas alheias, ao mesmo tempo que se oculta por trás de fontes próprias também elas anónimas.”
    Isto parece tirado de um breviário qualquer… onde é que eu já ouvi isto?

    “Os documentos ontem publicados já os tinha o Expresso, como bem sabem os envolvidos com quem contactámos. Com base nessas e noutras investigações, publicaremos, quando nos for possível, as nossas conclusões. Agradecemos às fontes os contributos, mas não seremos guiados por elas.”
    Guerra aqui só vejo uma: entre jornais e tiragens. Além do recadinho do costume…

    O PR optou desde o início pela cooperação estratégica, de que aliás pagámos um preço elevado. Com uma maioria absoluta, nem era necessária tanta cooperação…
    Quem afrontou o PR foi desde o início foi o governo de maioria absoluta PS, e se não o travam não se fica por aqui…
    Toda a gente sabe isto, mas agora querem assustar os eleitores, e mostrar as virtudes de uma esquerda que subitamente se lembrou do infortúnios do cidadão comum, que ignorou até à campanha. Não cumpriu nenhum dos compromissos assumidos, depois de ter subido ao poder da forma obscura que todos sabem, em 2005 e de ter prometido o impossível. Ou as pessaoas já esqueceram em que circunstâncias ganhou o PS em 2005? Pelos seus méritos? “No way!” Pela mão de Durão Barroso e Jorge Sampaio.

    O PR cooperou estrategicamente até hoje. Quem afrontou o PR foi o governo. Tudo o resto é a grande farsa em que se transformou a política actual.

    O que mas me surpreende neste momento é a “nova esquerda” que surge em palco, cheia de virtudes, embora sem coluna vertebral. Um palco plastificado, tetos falsos, néon, vasos de plantas artificiais… eis o que constitui a “nova esquerda” moderna: PS e BE. E as pessoas embarcam nesta farsa sem ver o que realmente está em causa, a sua falência como país, a impossibilidade de ser livre, autónomo e poder escolher o seu próprio destino. Preferem deixar-se escravizar e controlar. De certo modo, é uma “nova religião”, funcionando os impostos que os sustentam como o dízimo da IURD…
    Manuel Alegre também aderiu.´

    Faz-nos falta um novo Gil Vicente… e já agora, um Almeida Garrett…

  2. Pinto
  3. “Idem para Francisco Louçã: podia ter colocado os € 30 000 no sistema público, aquele que achou por bem propôr, em jeito de imposição, a todos os portugueses no seu programa, com a extinção dos PPR’s.”

    Onde é que, no programa do Bloco, se fala em extinção dos PPR’s? Só se fala em extinção dos beneficios fiscais aos PPR’s.

  4. Pingback: A publicação de um email privado no DN e o caso das possíveis escutas na Presidência da República « O Insurgente

  5. Pinto

    Ó Miguel Madeira, não sejamos ingénuos: ao extinguir os benefícios fiscais dos PPR’s está a acabar com os PPR’s.

    se fala em extinção dos beneficios fiscais aos PPR’s.

    Por acaso não fala SÓ dos benefícios fiscais dos PPR’s (esse “só” desperta a ideia que é coisa pouca; talvez seja para si, mas não para muitos portugueses). Ele fala, também, da extinção dos benefícios fiscais na educação e na saúde. Ou seja, quase todos os benefícios fiscais.

    Proposta do BE:

    Devem ser eliminados integralmente todos os incentivos fiscais aos produtos privados de poupança para a reforma ou às despesas em educação ou de saúde, nas áreas em que haja oferta pública (Pág. 53)

  6. “Ó Miguel Madeira, não sejamos ingénuos: ao extinguir os benefícios fiscais dos PPR’s está a acabar com os PPR’s.”

    Não me diga que o PPR’s só são rentáveis se tiverem benefícios fiscais!?

    “Por acaso não fala SÓ dos benefícios fiscais dos PPR’s (esse “só” desperta a ideia que é coisa pouca; talvez seja para si, mas não para muitos portugueses).”

    O “Só” não se referia aos PPR’s mas aos beneficios fiscais – isto é, não estava a dizer “é só aos PPR’s que o bloco quer acabar com o beneficios” mas sim “a única coisa que o bloco quer acabar nos PPR são os beneficios”.

    E não me parece que o bloco queira acabar acabar com quase todos os beneficios fiscais – pelo menos no meu caso, os meus benefícios compõem-se essencialmente de despesas na farmácia e no dentista (em nenhum dos ramos há oferta pública, logo continuava a existir o beneficio).

  7. Pinto

    Não me diga que o PPR’s só são rentáveis se tiverem benefícios fiscais!?

    Digo digo. Nãom me diga é você que faria um PPR sem os benefícios fiscais. Não fazia você nem fazia ninguém.

    a única coisa que o bloco quer acabar nos PPR são os beneficios

    Mas voce fala como se fosse “coisinha pouca”.
    Miguel Madeira, terminar com os benefícis dos PPR’s é, nã prática, terminar com os PPR’s. Que é, no fundo, coisa que esse partido extremista pretende.

    pelo menos no meu caso, os meus benefícios compõem-se essencialmente de despesas na farmácia e no dentista

    Pois é Miguel; sorte a sua. Mas acredite que o mundo não funciona, todo ele, como a sua linha de vida.
    Eu tenho um filho que teve de ser acompanhado por um cardiologista pediatra desde que nasceu até fazer 5 anos. Cada consultava custava a módica quantia de € 150 (com os exames).
    Eu não podia esperar por uma consulta do serviço público, sob pena de hoje o ir visitar ao cemitério.
    O valor dessas consultas sempre foi dedutível no meu IRS.

    O que o BE quer é impor uma ditadura na qual o Estado tem o monopólio de tudo: educação, saúde, economia e fuinanças, etc. O que´o BE uqre é repetir o PREC, praticado em 1974/1975. E isso não. Obrigado.

    Miguel, veja as propostas do BE:

    Propostas do BE

    (…) A energia, a água, as vias de comunicação, os transportes públicos, entre outros serviços públicos, têm de ser controladas por todos. (Pág. 14) (…)

    (…) 5. Uma política de mobilização e utilização racional dos recursos escassos, com a nacionalização da energia. (Pág. 47) (…)

    (…) A banca, os seguros e todo o sector financeiro são decisivos para a actividade económica, para o crédito e para a vida das pessoas e por isso devem ser públicos (pág. 55) (…).

    O Bloco de Esquerda não propõe a nacionalização da GALP e da EDP (que já por si era uma aberração). Propõe a nacionalização de toda a energia e de todo o sector financeiro.

    Agora deixo-lhe uma breve nota cronológica do período que intermediou entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975 (governado pelos sucessivos governos provisórios comunistas de Vasco Gonçalves). Faça um esforço e leia tudo; vai ver que não dará o tempo como perdido:

    9 DE JUNHO
    São estabelecidas as relações diplomáticas de Portugal com a União Soviética e com a Jugoslávia.
    8 DE JULHO
    O Conselho dos CEMFA cria o Comando Operacional do Continente (COPCON). A força militar de elite COPCON com 5.000 homens e liderada pelo Major Otelo Saraiva de Carvalho, actua como polícia política.
    18 DE JULHO
    Tomada de posse do II Governo Provisório, presidido por Vasco Gonçalves.
    20 DE AGOSTO
    O primeiro comício do CDS tem lugar em Vila Nova de Famalicão.
    25 DE AGOSTO
    Tentativa falhada do MFA em acabar com a greve dos trabalhadores da TAP com a intervenção do COPCON.
    27 DE AGOSTO
    Promulgação da chamada “lei da greve” que regula o exercício do direito à greve e ao lock-out.
    SETEMBRO
    O Ministério da Administração Interna emite um comunicado em que proíbe a manifestação pretendida pelos trabalhadores da Lisnave para o dia 12 de Setembro, dando como justificações as seguintes: “[…] ela diz respeito a um grupo reduzido do pessoal, afasta-se do uso correcto das liberdades cívicas e da disciplina social e é lesiva da economia nacional e do direito de reunião.” É considerada, portanto, ilegal, na medida em que não obedece aos requisitos exigidos pela lei sobre manifestações.
    11 de SETEMBRO
    Uma vez informado da criação da comissão organizadora da manifestação da “Maioria Silenciosa”, o general Spínola faz um segundo apelo na televisão para que “a maioria silenciosa do povo português reaja contra o comunismo”.
    12 DE SETEMBRO
    Com a intervenção do COPCON, o MFA tenta anular a greve dos trabalhadores da Lisnave a 28 de Setembro.
    13 DE SETEMBRO
    São publicados diplomas pelos quais se procede respectivamente à nacionalização dos Bancos Emissores: Banco de Angola, do Banco Nacional Ultramarino e do Banco de Portugal.
    O PL começa a enviar circulares convocando para a “Manifestação Nacional” de 28 de Setembro. Também o PNP promove a reorganização de ex-legionários “para recomeçar a luta interrompida em 25 de Abril”.
    18 de SETEMBRO
    Na madrugada de 18 para 19 são colados cartazes nas principais artérias de Lisboa, convidando para uma manifestação de apoio ao Presidente da República.
    25 de SETEMBRO
    É anunciada para o dia 28 a realização de uma manifestação da “Maioria Silenciosa” de apoio ao Presidente da República.
    27 de SETEMBRO
    Os partidos de esquerda tomam posição contra a manifestação da “Maioria Silenciosa”.
    29 de SETEMBRO
    São erguidas barricadas nas principais estradas do país.
    30 DE SETEMBRO
    António de Spínola renuncia ao cargo de Presidente da República.
    1 DE OUTUBRO
    Tomada de posse do III Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
    4 DE NOVEMBRO
    Grupos de militantes de extrema-esquerda tentam impedir a realização de um comício do CDS em Lisboa. A Sede do CDS, partido da direita, em Lisboa é destruída por activistas da extrema-esquerda.
    7 DE JANEIRO
    Salgado Zenha assina um artigo no Diário de Notícias intitulado “Unidade Sindical ou Medo da Liberdade?”, em que considera inconstitucional a unicidade sindical.
    14 DE JANEIRO
    Manifestação promovida pela Intersindical, PCP, MDP/CDE e diversos agrupamentos de esquerda a favor da unicidade sindical.
    16 DE JANEIRO
    Comício do PS, no Pavilhão dos Desportos, contra a unicidade sindical, durante o qual o PCP é acusado de querer impor o seu domínio sobre o movimento sindical e suprimir as liberdades públicas.
    21 DE JANEIRO
    O III Governo Provisório aprova o diploma que consagra a unicidade sindical.
    25 DE JANEIRO
    Congresso do Partido do CDS no Porto atacado por activistas da extrema esquerda – Confrontação entre o COPCON e a GNR.
    8 DE MARÇO
    Congresso do Partido Popular Democrático – PPD em Setúbal – confrontos com extremistas da esquerda provocaram um morto e trinta feridos.
    9 DE MARÇO
    Por todo o país circulam boatos de que o PCP, aliado a outras forças de esquerda e de extrema-esquerda, prepara uma “matança da Páscoa”.
    14 de Março
    Decretam-se as nacionalizações da banca e dos seguros.
    26 DE MARÇO
    Tomada de posse do IV Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
    31 DE MARÇO
    Ocorrem as primeiras ocupações de terras no Alentejo e em algumas zonas do Ribatejo.
    8 DE ABRIL
    Conferência de Imprensa de Vasco Gonçalves na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa: Vasco Gonçalves refere, a propósito das eleições previstas para o dia 25 de Abril de 1975: “não podemos perder por via eleitoral aquilo que tanto tem custado a ganhar ao povo português”.
    16 DE ABRIL
    Nacionalização da Siderurgia Nacional e das várias sociedades exploradoras do serviço público de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica.
    23 DE ABRIL
    Agricultores da esquerda ocupam a Herdade da Torre Bela, a maior propriedade rural em Portugal (1975-1978)
    24 DE ABRIL
    A JOC responde à Rádio Vaticano: os cristãos devem comprometer-se em organizações revolucionárias.
    25 DE ABRIL
    Realizam-se as eleições para a Assembleia Constituinte. Com uma participação eleitoral excepcional e sem incidentes de maior, estas eleições dão ao PS-38%; PPD-26,5%; PCP-12,5%; CDS-7,6%; UDP-0,79% e MDP-4,l2%.
    14 DE MAIO
    Nacionalizados os sectores dos cimentos, celulose e tabacos.
    17 DE MAIO
    Vasco Gonçalves visita a SOREFAME: “só há duas posições, ou estamos na revolução ou estamos contra a revolução.(…) Não há meio caminho nesta tarefa em que nos metemos e que põe a nossa própria vida, o nosso futuro em jogo”.
    27 DE MAIO
    Ocupação dos estúdios da Rádio Renascença e do emissor da Buraca por elementos de extrema-esquerda.
    29 DE MAIO
    Impedidos de entrar nas instalações, os jornalistas e outros trabalhadores iniciam a publicação do Jornal do Caso República.
    JUNHO
    Durante o mês de Junho prosseguiu a política de nacionalizações, abrangendo o Metropolitano de Lisboa, a Empresa Geral de Transportes e 54 empresas de transportes de passageiros e mercadorias.
    7 DE JUNHO
    Álvaro Cunhal declara em entrevista ao jornal italiano Europeo: “Asseguro-lhe que em Portugal não haverá qualquer Parlamento.”
    3 DE JULHO
    Todos os serviços de informação passam pelo controlo do Conselho da Revolução – COPCON controla todos os registos de chamadas.
    8 DE AGOSTO
    Tomada de posse do V Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves, composto por elementos do PCP, MDP/CDE, independentes e militares.
    19 DE SETEMBRO
    Tomada de posse do VI Governo Provisório, constituído por militares, independentes e representantes do PS, PPD e PCP, e chefiado pelo vice-almirante Pinheiro de Azevedo.
    7 DE OUTUBRO
    Ocupação por forças da extrema-esquerda do Regimento de Artilharia da Serra do Pilar (RASP), no Porto.
    9 DE OUTUBRO
    Documento do PCP denuncia “viragem à direita do Governo”.
    PS, PPD e CDS acusam o PCP de controlar de forma totalitária os principais órgãos de informação.
    21 DE OUTUBRO
    A Rádio Renascença é reocupada por elementos de extrema-esquerda.
    7 DE NOVEMBRO
    O centro emissor da Rádio Renascença da Buraca é destruído por ordem do Conselho da Revolução.
    25 DE NOVEMBRO
    Tentativa de golpe de Estado protagonizada por algumas unidades militares afectas à esquerda radical.
    Costa Gomes decreta o estado de sítio parcial na região abrangida pelo Governo Militar de Lisboa. O Regimento de Comandos da Amadora e Ramalho Eanes têm um papel decisivo na neutralização das tropas rebeldes.
    Mário Soares, Manuel Alegre, Jorge Campinos e Mário Cardia saem clandestinamente de Lisboa, na tarde do dia 25, e seguem para o Porto, onde se apresentam no Quartel da Região Norte, a Pires Veloso e Lemos Ferreira.

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