Louçã e Madoff

Francisco Louçã está contra os PPR. Diz que estes “não rendem nada” e são “sistema de risco”. Convenientemente esquece-se que nos investimentos privado cabe-nos a nós escolhermos a exposição ao risco. Mais importante, parece imputar maior risco aos PPR que ao actual sistema de Segurança Social onde os descontos dos trabalhadores activos servem para pagar aos actuais reformados e em que a capitalização é infima. Onde as regras podem a qualquer momento ser unilateralmente alteradas pela “entidade gestora” sem que nos seja dada hipótese de denunciar o contrato ou sequer recorrer aos tribunais.

Quando “rebentou” o caso Madoff (que geria um esquema em tudo parecido com o da nossa segurança social) muitos perguntaram como tinha sido possível tantos (e durante tanto tempo) terem acreditado que alguém podia oferecer sistematicamente rentabilidades bem acima do mercado. Louçã pretende que façamos o mesmo. Pior. Nem pretende dar-nos escolha.

20 pensamentos sobre “Louçã e Madoff

  1. FM

    Para os mais jovens não vale a pena descontar para a segurança social. Mais vale receber o salário através de uma offshore e abrir uma conta poupança reforma própria. Não paga impostos e tem muito mais rentabilidade do que a SS.

  2. Confesso que até eu achei o argumento do Louçã contra os benefícios aos PPRs muito fraquinho (atenção, não me refiro à oposição aos benefícios, apenas à fundamentação da oposição) – na verdade, se os PPR fossem altamente lucrativos o argumento anti-benefícios até me pareceria muito mais forte.

  3. Eu até acho que ele está a ser coerente.
    Acha que um individuo que tem as ideias políticas que ele tem poderia dizer algo diferente?

    Com o Louçã no poder e na eventualidade de uma regionalização acontecer será ele a proclamar a União das Regiões Socialistas Portuguesas.

    O sonho dele é o nosso pesadelo!

  4. “Acha que um individuo que tem as ideias políticas que ele tem poderia dizer algo diferente?”

    Poderia. Poderia dizer “os PPR só servem aqueles que têm dinheiro para aplicar neles. Assim, os benefícios fiscais aos PPR não passam de um subsidio aos endinheirados e às empresas que vendem PPR”. (e, como disse, se os PPR dessem grandes lucros, este discurso ainda ficaria mais forte – “há pessoas que ordenados de milhares de contos, que têm retornos de 60% ao ano nos seus PPR e ainda têm benificios fiscais por isso!”)

  5. A. R

    Se o privado é mau qual a razão de Kirchener roubar os argentinos? Suicídio político?

    Vi num blog brasileiro uma folha de Excel com o que se entrega ao Estado para as pensões e o que se perspectiva receber: recebe-se menos de metade do que é entregue!!

  6. anti-comuna

    Desta vez o louçã teve razão. Os beneficios fiscais aos PPRs são dádivas dadas às gestoras de fundos. Ponto final, parágrafo.

    Encontrem-me um estudo sério que prove que os PPRs são mais rentáveis que a dívida pública e eu dou-vos razão. Até lá digo apenas que os benefícios fiscais são dinheiro dado à banca, pois o que inicialmente poupa o contribuinte com a redução da carga fiscal, perde-o ao longo do tempo, com a fraca prestação dos rendimentos dos PPRs.

    A coisa é tão caricata que eles até inventam novos fundos (os velhos, com novas embalagens de marketing) para esconder a fraca rentabilidade dos antigos.

    Mas repito. Apontem-me um estudo que prove que os benefícios fiscais são bons para o contribuinte. E pode ser que eu mude de opinião.

    anti-comuna

    PM Atenção, eu sustento-me em estudos realizados. Não em mera ideologia. ehheheheheh

    Declaração de interesses: não faço gestão de fundos em Portugal, nem sou concorrente da banca.

  7. anti-comuna

    E já que desejam debater o assunto, informem-se sobre o colapso dos fundos de pensões das empresas inglesas e depois escrevam sobre o conhecimento de causa. Sabem? Já não basta os governos destruirem as poupanças alheias como até permite-se que os actuais trabalhadores ingleses tenham uma perspectiva negra, quando se reformarem. Ou seja, também eles vão perder rendimentos, após tantos anos a descontarem para os seus fundos de pensões e acabam por serem roubados pelo “management” das próprias entidades empregadores.

    E o problema não é apenas inglês. É inglês, americano, canadiano…

    Em Portugal o BCP, para cumprir os rácios de capital exigidos por Basileia II, em vez de um aumento de capital cortou nas pensões dos seus trabalhadores.

    Não é por acaso que alguns nossos “liberais”, aqui há uns tempos atrás, defendiam a estatização dos fundos de pensões da banca. lolololololol

    Como diria o outro: como eu os percebo… ahhahahahhah

  8. Dois pontos.
    Em primeiro lugar não estou a comentar as afirmações acerca dos benefícios fiscais do PPR mas sim dos próprios PPR. Substâncialmente diferente. Eu prefiro uma sistema fiscal bem mais simples. Com menos impostos, menos escalões e prefiro taxas mais baixas a beneficios fiscais. Torna tudo mais claro.

    Em segundo lugarm, os fundos de pensões dos bancos (e de outras instituições privadas ou públicas) funcionam nos mesmos moldes do sistema de SS estatal. São insolventes a prazo. O problema fulcral não se altera.

  9. Se o Louçã disser que agora está a fazer sol também concordo com ele.

    O Louçã que um sistema mais simplificado só que com impostos pesadissimos. E presumo que não pretenda abololir o IRC e o IRS e outros impostos específicos e ficar só com o IVA.

  10. Assim de repente, a única objecção que vejo a esta entrada, é muito singela, quase nem vale a pena referí-la. Existe de facto uma diferençazinha entre o Esquema Madoff e a SS. É que a SS não promete juros anuais incomportáveis. Penso que isso sempre ajuda a torná-la mais viável. Os outros problemas com a viabilidade da SS, tanto quanto julgo saber, estão mais relacionados com o aumento da esperança de vida e com a redução da natalidade.

  11. O esquerma da SS tem uma taxa de retorno implicta tal como o de Madoff. É idêntico.

    Um sistema que esteja dependente do constante aumento da população é um bocadito frágil, não acha? Se o dinheiro tivesse continuado a entrar nos cofres de Madoff a níveis crescentes o esquema fraudulente também não teria sido descoberto.

  12. Teoricamente bastaria uma taxa de natalidade que mantivesse a população activa constante em relação à população reformada. Afinal os utentes têm de descontar 40 anos para, novamente em teoria, receberem reforma durante 14 anos (esperança média de vida de 79,12 anos, de acordo com o Wolfram Alpha). Mais, pelo que sei, a nova fórmula de cálculo das reformas entra em linha de conta com toda a carreira contributiva. O que significa que, todos os anos, os primeiros anos de um contribuinte com os salários mais baixos do passado vão baixar os valores das reformas por um lado, enquanto que por outro, serão os salários do presente que sustentarão as reformas do presente.

    Para além disso convém falar de números, porque senão não nos entendemos. O que é que significa “taxa de retorno implícita”? É que a taxa de retorno que o Madoff prometia era, salvo imprecisão da Wikipedia, entre 18% e 20%. O que interessa é saber se a taxa de retorno de tipo implícito ou outro qualquer é sustentável ou não.

  13. “Teoricamente bastaria uma taxa de natalidade que mantivesse a população activa constante em relação à população reformada”

    Mas não é isso que sucede,

    “Mais, pelo que sei, a nova fórmula de cálculo das reformas entra em linha de conta com toda a carreira contributiva.”

    Alterou-se o valor das rendas a receber para diminuir o “buraco”. Ganhou-se uns anos mas não se encotrou um forma que tornasse a ss sustentável a prazo

    “outro, serão os salários do presente que sustentarão as reformas do presente.”

    E quem paga as reformas actuais? A reforma não alterou a forma como são geridos os fluxos de capital da SS. O actuais activos pagam as reformas dos actuais reformados. Os fundos libertos para capitalização são infimos.

    “O que é que significa “taxa de retorno implícita”?”

    Pode-se calcular uma taxa de retorno das rendas pagas pela segurança social relativamente às entregas.

  14. “Alterou-se o valor das rendas a receber para diminuir o “buraco”. Ganhou-se uns anos mas não se encotrou um forma que tornasse a ss sustentável a prazo”.

    Mas, no longo prazo, estamos todos mortos. A frase era do Keynes, não?
    E a equivalência entre a SS e o MAdoff não colhe. É que os sistemas de SS duram mt mais do que os esquemas a la Madoff 😉
    Aliás, em relação à SS, acho que cais no determinismo: entrevês uma tendência demográfica, vulgo, envelhecimento da população, mas esqueces-te de algo que é muito difícil de medir, que é capacidade criativa dos indivíduos e actores sociais para encontrarem novas soluções para problemas que hoje julgamos insolúveis. É que nós não podemos prever qual vai ser o comportamento dos indivíduos, dos governos, etc., num futuro distante. Esqueces-te que o futuro é acima de tudo o indeterminado, independentemente do que damos por adquirido no nosso tempo presente.
    A SS é um contínuo mais ou menos, é o estado! E o que são os Madoff(s)?

  15. “E a equivalência entre a SS e o MAdoff não colhe. É que os sistemas de SS duram mt mais do que os esquemas a la Madoff ”

    A D.Branca durou muito menos que o Madoff e o esquema era idêntico. Aliás penso que a SS portuguesa dura há menos anos que o Madoff.
    De qualquer forma a primeira tem a autoridade do estado para nos obrigar a continuar a colaborar na fraude

  16. “esqueces-te de algo que é muito difícil de medir, que é capacidade criativa dos indivíduos e actores sociais para encontrarem novas soluções para problemas que hoje julgamos insolúveis.”

    Por quem sois. Venham dai essas sugestões.

  17. lucklucky

    “E a equivalência entre a SS e o Madoff não colhe.”

    Qual a diferença tirando o facto de que a Segurança Social tem a força do Estado e dos Partidos para mudar as regras do jogo a quem já entrou no esquema há anos? E se Madoff tivesse prometido 20 e fosse mudando as regras aos clientes ? Por cá a Segurança Social é parte da Cosa Nostra do regime. Logo pode mudar tudo mas ninguém faz barulho. Com as vigarices a continuarem…é só uma questão de tempo.

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