É escolher

 

Em 2004 o estado avançou com um projecto de aproveitamento da energia das ondas no molhe do Douro. Ao que parece, tratava-se de uma inovação ao nível tecnológico. Passaram uns anos e alguns atrasos (16 mesitos, em Janeiro deste ano), umas derrapagens orçamentais (míseros 2,6 milhões de euros, em Janeiro deste ano), algumas anomalias (ao que parece 6, em Janeiro deste ano) e outras trapalhadas várias (uns pareceres ambientais que estavam em falta, em Janeiro deste ano), que tiveram como resultado a desistência do dito projecto (inovador, não esqueçamos) do aproveitamento da energia das ondas.

Entretanto, em Nova Iorque, está a ser construído o One Bryant Park que, como o próprio nome indica, fica ali mesmo no número um do dito parque, do lado direito de quem está de costas para as traseiras da Biblioteca de Nova Iorque. O One Bryant Park, que será só o segundo edifício mais alto de Nova Iorque, tem a particularidade de querer ser ‘ambientalmente correcto’. Ferir o menos possível o meio ambiente. Ser ecológico. Para tal, o cimento utilizado na sua construção foi  reduzido em cerca de 50%, a temperatura no interior do edifício vai ser controlada, de forma a que, não estando tanto calor, se utilize menos o ar condicionado, e há também, entre outras especificidades, um sistema de refrigeração à base da produção de gelo que reduzirá a temperatura do prédio durante a noite.

Assim, sem ondas, o One Bryant Park está praticamente pronto. Sem demasiados pareceres, uma boa dose de boa vontade e a inexistência de desincentivos estatais, aquele feito está prestes a concluir-se. É comparar com a obra do molhe do Douro e os sonhos ministeriais e decidir se ainda vale a pena acreditarmos na treta que nos impingem noite e dia, dia e noite, que, sem a iniciativa e vontade do governo, o país não avança.

(Também publicado no Jamais.)

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4 thoughts on “É escolher

  1. DrStrangelove

    A comparação não está correcta.
    Neste caso não se trata de iniciativa privada versus iniciativa estatal, mas mais capacidade tecnológica/organizativa/etc. norte-americana versus capacidade tecnológica/organizativa/etc. portuguesa.

  2. Há importantes diferenças entre um projeto que pretende produzir energia e um outro que apenas pretende consumir menos energia do que projetos análogos.

    Há também importantes diferenças entre um projeto de investigação de soluções inovadoras e um outro que apenas pretende a aplicação a uma escala diferente de soluções já testadas e aplicadas noutras escalas.

    (Edifícios que consomem menos energia também já os há em Portugal, por exemplo a Torre Verde no Parque das Nações.)

  3. oscar máximo

    É incrivel como alguém pode associar edifícios deste tipo a ecologia. Só os gastos com elevadores, cuja energia varia grosso modo com o quadrado da altura do edíficio, come qualquer poupança em energia de climatização, para a qual a forma exterior também não ajuda. A concepcão de cidades de grandes dimensões, autenticos sorvedouros de energia, com edíficios grandes e caros, só pode ter lugar naquela ecologia que decidiu fazer cair a bandeira da redução do consumo (foi apropriada pelos economistas).

  4. Luís

    Há muito tempo que percebi que esta modo da ecologia é uma fantochada. O que interessa em boa verdade ao Ministério do Ambiente é salvaguardar o que tenha valor enquanto monumento natural ou património biológico e garantir regras mínimas de ordenamento do território. Vejamos a política do PS no campo do ambiente. Promove a construção de novas auto-estradas de necessidade duvidosa, que ocuparão espaço, consumirão dinheiros públicos e promoverão o uso do transporte privado, um paradoxo num partido que defende o TGV; defende uma nova ponte para Lisboa, que trará mais trânsito para a cidade; continua a manter a lei dos PIN, que permite a construção de mega empreendimentos em espaços protegidos, aumentando o fosso social entre pequenos e grandes investidores, pois os pequenos e os médios investidores ficam impedidos de investir nesses espaços; permite a instalação de parques eólicos em áreas protegidas ou de elevado valor paisagístico; não altera a lei do arrendamento, a qual contribui para o despovoamento dos centros urbanos e para o crescimento contínuo dos subúrbios de forma insustentada; permite a manutenção de regimes de gestão de áreas protegidas ambíguos e confusos que permitem o benefício de alguns em detrimento das povoações e proprietários locais; etc, etc, etc…

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