Ricos, remediados e pobres

Num post que supostamente constitui uma crítica aos partidos à direita e que, à partida, será de apoio ao PS – estando colocado no Simplex – Eduardo Pitta descreve a situação de um casal de classe média que passa algumas dificuldades. O post é surpreendente pois retrata um casal que vive dentro do universo de 15% dos portugueses que pagam 85% de todo o IRS, sobre o qual tenho vindo a escrever. Na verdade é um casal que está no percentil 92 (isto é 92% dos agregados têm rendimentos inferiores); e ironicamente está perigosamente perto do segmento a partir do qual o actual governo pretende reduzir benefícios fiscais…

O episódio é referido num contexto crítico de que a direita supostamente não se preocupa com as pessoas, ou não fala delas no seu discurso político. Independentemente desta acusação ser falsa, é engraçado como à esquerda existe esta ideia de valorizar as boas intenções mesmo que os seus resultados sejam calamitosos. Numa escala obviamente diferente, relembra a contemporização dos intelectuais de esquerda entre as décadas de 30 e 60 para com a URSS de Estaline e a China de Mao, pois enquanto milhões morriam de fome, os ideais é que contavam.

Portugal está a caminho do abismo. Não por causa da sua economia e sociedade civil (embora estas também não estejam famosas), mas por causa da falência do estado social e da incomportabilidade de todos os benefícios por ele criados sem levar em conta o real nível da produção do país. Os exemplos de ajudas sociais “indispensáveis” de Eduardo Pitta são apenas uma gota de água nos benefícios criados que o estado não tem condições de pagar de forma sustentável. Não questiono as boas intenções das ajudas (embore questione os seus resultados práticos). No caso da medida propagandista do 200 euros, por exemplo, é hilariante que se leve tal coisa a sério. Num país em que a quota parte por pessoa da dívida pública aumenta anualmente entre 300 e 600 euros, dar 200 a cada nascimento, pagáveis 18 anos depois, só pode ser anedota.

Um pensamento sobre “Ricos, remediados e pobres

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