Um sinal grave

Há dias, José Junqueiro e Vitalino Canas, dois conhecidos (das respectivas mães) aguadeiros de José Sócrates, vieram mostrar-se muito escandalizados (no Rato, toda a gente se escandaliza muito facilmente) com a suposta colaboração de assessores do Presidente da República na elaboração do programa eleitoral do PSD. Em resposta a esta acusação, um membro da Casa Civil de Belém “confessou” (certamente de “coração pesado”) ao Público que “o clima psicológico” que se vive em Belém “é de consternação”, com a possibilidade de os serviços da Presidência (e os assessores de cavaco” estarem sob escuta e vigilância. A ser verdade, seria o suficiente para demitir este Governo imediatamente (e razões suficientes para este Governo ser demitido foi coisa que nunca faltou ao longo do seu triste mandato). Mas seja como for, esta notícia é grave. Seja verdade o que diz o anónimo assessor de Cavaco, seja isso uma mentira deliberada da sua parte, ou seja isso uma mera suspeição infundada.

Se o assessor de Cavaco tiver razão, e o Governo, ao bom velho estilo do saudoso Dick, estiver a escutar e a vigiar as pessoas que trabalham na presidência, a gravidade da coisa não pode ser exagerada: um governo que traísse a relação de confiança mútua, e de respeito, pela Presidência, desta maneira, seria, pura e simplesmente, um Governo criminoso, já nem sequer “sub suspeita” como dizia Aguiar Branco, mas panahado em flagrante. Se, pelo contrário, esta acusação não passa de uma notícia plantada por spin doctors ao serviço de Cavaco, uma mentira deliberada que visa descredibilizar (ainda mais) o Governo, seria também uma quebra intolerável da normal relação que a Presidência deve ter com um Governo, e portanto, um acto intolerável. E mesmo que o assessor de Cavaco pense realmente que está a ser escutado, mas tal não corresponda a verdade, o caso não é menos grave: pois o simples facto de algo assim ser concebível, o simples de alguém na Presidência poder acreditar que o Governo é capaz de fazer algo assim, atribuir credibilidade a essa hipótese, demonstra como a relação entre Belém e São Bento se degradou. Obviamente, não sei o que aconteceu. Não sei quem fala verdade, quem fez o quê, e quem é vítima de que truqes baixos. Mas não é difícil perceber que, seja qual for a verdade, todo este caso dá um sinal da grave degradação das nossas instituições políticas.

4 pensamentos sobre “Um sinal grave

  1. filipe castro

    finalmente alguém que não ignora a importância do acontecido! Seja qual for o cenário é uma situação muito grave. Ou bem que a presidência está a ser escutada e aí o Presidente deve chamar o Procurador geral da República e a PJ para investigar, demitir o governo e por aí fora (e não mandar recados e desabafos para o Público, como se estivéssemos a falar de um desencontro de opiniões); ou o Presidente resolver fazer uma perninha na política partidária agora que se aproximam as eleições! como diria o HRaposo, o fim da República está próximo. é pena.

  2. A. R

    Não seria prática original do socialismo. Assim foi com Felipe Gonzalez e assim é com Zapatero: escutam quem bem entendem e usam as forças policiais sem rebuço.

  3. Pingback: O pântano « O Insurgente

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