Ganhar o euromilhões

É também regressar de férias com um livro de £7 debaixo do braço e dar de caras com a edição portuguesa, de capa dura e uma linda gravura, o ideal para a estante de qualquer biblioteca caseira, com o absurdo custo de €33. As editoras portuguesas são iguais ao metro de Lisboa: Obras muito grandes, largas, bonitas, cheias de muita coisa e de utilidade nula. Uma aparência excelente que nos leva a nada.

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25 thoughts on “Ganhar o euromilhões

  1. Alguém devia fazer o favor de traduzir para as editoras portuguesas os conceitos de “paperback” e de “pocket book”.

    Mas também, sempre que as editoras portuguesas se lembram de entrar nos “pocket books”, a coisa não resulta. Lembro-me de uma colecção de sci-fi da Europa-América que era muito maneirinha, mas com traduções demasiado más…

  2. Andre, ainda me lembro de edicoes portuguesas de livros de bolso, de bons autores e bons tradutores, uma era da Livros do Brasil, outra salvo erro de uma coleccao “3 Abelhas” e havia muitas outras com esse conceito do livro acessivel. Nelas li Camus, Steinbeck, Hemingway, Tennessee Williams…
    Este conceito de edicoes de bolso durou sobretudo dos anos 50 aos 70. O auge parece-me ter sido nos anos 60.
    Tenho a sorte de ter um pai que gosta de ler e que nos passou essa curiosidade. Embora tivesse algumas coleccoes de capa dura, pela qualidade das gravuras ou quando se tratava de obras de arte, sempre valorizou os bons autores.
    Ainda estou para saber o que se passou entretanto para tudo isto se perder…
    Ceus!, sinto-me uma verdadeira ancia quando falo destas coisas…!

  3. O mesmo se aplica aos filmes. Comprar no UK sai sempre mais barato, mesmo pagando portes. Neste caso o problema é do editor visto que o que muda do produto que se compra em Portugal para o que se compra em terras de sua majestade é apenas a capa, as legendas em português (bem como numa quantidade de outras linguas) já vêm de origem.

    Pagar 10 ou 20 euros a mais num DVD ou Blue Ray para ter uma capa em português… vão-se matar!

  4. essagora

    Nos EUA compram-se centenas de paperbacks a 8$. Centenas.
    E em cadeias como a Borders (é o exemplo que conheço melhor), se nos registarmos para ter o cartão Borders, de borla, cada semana eles dão cupões de desconto. Em média esses descontos andam pelos 25%, mas volta e meia há uns descontos especiais até 40%.

    Ora 75% de 8$ são 6$.
    Já nem vou falar de câmbios (vou, vou. segundo o google 6$ são 4,24€).

    A verdade é que depois disso, quase que dá vontade de chorar quanto se entra numa livraria portuguesa.

  5. Realmente não se compreende. Dá a sensação, que pode ser injusta, de que por cá se tenta sempre o máximo lucro, sem necessidade de concorrer. Todos se ficam por aqueles preços e aquela oferta… Por que razão isto acontecerá?
    Em Paris comprei clássicos da língua francesa e da literatura internacional por 2 euros, em máquinas de vending(?), máquinas como as do tabaco ou das latas de refrigerantes, na rua, 2 euros!
    Lá para os lados do oriente os livros também são a este preço nas livrarias de aeroportos.
    Os editores portugueses não conseguiam atacar o mercado brasileiro com conceitos e preços dessa ordem? E o mercado hispânico com traduções dos autores portugueses?
    Não, parece tudo muito difícil…

  6. JB

    É uma questão de mercado. Embora tenha a ideia que as vendas de livros vão aumentando, o que se vai publicando e vendendo a números significativos é quase tudo literatura de aeroporto.
    Livros como esse do post não tem público suficiente para serem vendidos a precos decentes. Infelizmente.

    Eu vivo no estrangeiro e compro muitos livros em inglês, porque sempre se pode encontrar uma edicao barata.
    E há várias editoras de língua inglesa que tiveram a visao de publicar obras importantes em edicoes de bolso, baratas, para que os que nao têm muito dinheiro dísponível possam ter acesso às grandes obras de moldaram a civilizacão ocidental. Lembro-me da série “Great Ideas” da Penguin Books e da Oxford World Classic’s, onde se pode encontrar grandes obras a 5 e 10 euros.

    Mas cheguei a uma altura em que me fartei de ler livros em inglês. Afinal, a minha língua é o Português. E aí comecou um autêntico calvário, para encontrar edicões decentes de boas obras traduzidas ao Português directamente a bons precos.

  7. Obrigado pelos vossos comentários que confirmam uma certa frustração que parece não ser só minha.

    Cara Ana Silva Fernandes, os meus pais têm muitos desses livros de bolso dos anos 50 e 70. As edições recentes dos autores mais antigos custos fortunas.

  8. lucklucky

    “Realmente não se compreende. Dá a sensação, que pode ser injusta, de que por cá se tenta sempre o máximo lucro, sem necessidade de concorrer.”

    É o contrário. São caros porque consideram o lucro indigno. Logo não fazem nada para ter empresas eficientes. Obviamente temos também os impostos e custos escondidos enormes.

  9. JB

    Eu considero o custo excessivo, mas acho que é justificável se se tomar em conta a dimensao do mercado para livros assim.

    Há pouco tempo estive em Portugal e comprei o Paraíso Perdido da Cotovia por um preco que me doeu bastante.
    Mas compreendo que para fazer uma boa edicao de um livro há que gastar dinheiro.

  10. Caro André Amaral, como o percebo…

    1) Fazer traduções custa bastante dinheiro em Portugal (o que encarece os livros)
    2) Normalmente as edições em Portugal têm capa dupla (desperdício)
    3) As editoras usam regra geral papel de qualidade superior (para mim, completamente desnecessário)
    4) A folha em branco é muito pouco aproveitada (já repararam nas margens enormes nos livros editados por cá?)
    5) O tamanho da letra também é regra geral, muito grande o que aumenta o número de páginas (devem pensar que somos todos míopes)

    Comprei o “The Great War for Civilization” do Robert Fisk, via Amazon.uk. Com portes, custou-me cerca de 15€. A versão Portuguesa custa na Fnac cerca de 40€. Absurdo!

  11. Por outro lado, tenho a sorte de poder aceder a mais de uma centena dos saudosos livros de bolso da Europa-América, propriedade dos meus pais 🙂

  12. JP

    Na Fnac: “Os Pilares da Terra” de Ken Follett
    Edição inglesa mass market paperback – 11€
    Edição portuguesa em dois(!) volumes – 22€ cada volume!

  13. E não é tão bom partir um paperback ao meio e darmos a metade que já lemos a quem quer ler connosco? E também adoro o ar desgraçado que têm as lombadas e capas dos paperbacks no fim da leitura. Hmm, tão bom!

  14. Eu gosto de ler livros independentemente do aspecto da lombada. Há quem goste de os exibir bonitos nas estantes, tipo Fnac. São gostos, não se discutem.

  15. DrStrangelove

    Será possível que num blog frequentado por pessoas que aparentam ter um mínimo conhecimento de Economia, nem o autor do artigo original nem nenhum dos 17 comentários que o acompanham tenham mencionado a razão principal para o custo maior dos livros em Portugal quando comparado com Inglaterra? TIRAGENS, meus amigos! As tiragens em Portugal são substancialmente mais baixas do que lá. E tiragens menores acarreta um custo unitário maior. Uma editora britânica não tem apenas um mercado potencial de 60 milhões. Tem um mercado muitíssimo maior já que os falantes nativos de inglês no mundo são largas centenas de milhões. E a língua inglesa, ao contrário da Portuguesa, não tem grandes variações na sua forma escrita entre os continentes…

  16. Maria João Marques

    Em Portugal não há tradição do paperback e é por estas e por outras que eu quase não compro livros por cá (as traduções são vergonhosas na maior parte dos casos, também). Há uns livrinhos muito bonitinhos da Bertrand, coisas muito comerciais (um bom princípio para ganhar dinheiro), mas não sei porquê não há grande aposta neles. Não sei se serão as editoras que não apostam ou se são as livrarias (que recebem uma percentagem do PVP do livro) que também não têm interesse em vender mais livros mas mais baratos.

    Diga-se que o IVA dos livros é 5%.

  17. Helder

    Ver comment #18 e n esquecer q, normal/ no UK ou EUA, os livros são primeiro editados em hardcover e só (muitos) meses depois sai o paperback. O custo marginal em Portugal é muitíssimo mais elevado que lá

  18. Julgo que há que discernir dois pontos já focados que justificam estas diferenças UK vs PT:
    1. Tipologia de mercado – Há hábitos de leitura e uma massificação do consumo de livros no Reino Unido que não existe em Portugal, pelo que compensa fazer edições de bolso alguns meses depois da edição em capa dura pois há um filão por explorar que em Portugal é muito mais reduzido.
    2. Há, de facto, pelas tiragens reduzidas, uma diluição muito menor dos custos fixos em Portugal enquanto as edições inglesas podem ser vendidas praticamente ao preço do custo marginal.
    Concordo com muito do que foi dito, julgo que à responsabilidade da comunidade livreira, muito avessa às questões de mercado – e nesse aspecto julgo que o trabalho feito pela Leya tem sido muito interessante – mas não se esqueçam que é com alguns destes argumentos que se justificam subsídios e intervenções do Estado (em nome de valores abstractos como a Cultura e a Língua Portuguesa)…
    Há realidades distintas de qualidade e quantidade de mercados e maturidades diferentes que justificam as diferenças encontradas. Como o “engº” até já pôs todas as crianças a falar inglês… 😉

  19. Maria João Marques

    Helder e DrStrangelove, sendo verdade não justifica o facto de em Portugal não se apostar em edições mais baratas logo de início. Provavelmente vendiam-se mais uns quantos livros.

  20. Helder e StangeLove,

    Como eu apontei não estamos a falar só de livro, é generalisado no entretinimento: DVDs, BlueRay, Video Jogos, etc.

    A produção destes bens é, normalmente, feita à escala europeia já com as legendas feitas para uma duzia de países e muitas vezes dobragens para outros tantos sendo que o que muda de país para país é a capa e aquele anuncio irritante a pedir para não sacarmos os filmes da internet. Se falarmos em CDs de musica ainda é mais engraçado porque nesse caso nem sequer muda a capa.

    Fica aqui a ultima triologia que adquiri lá fora para se comparar:
    http://www.fnac.pt/pt/Catalog/Detail.aspx?cIndex=2&catalog=dvdVhs&categoryN=Filmes&category=altaDefinicaoAccao&product=5050582599855
    http://www.mymemory.co.uk/Blu-ray-Action—Adventure/20th-Century-Fox/The-Bourne-Identity-%28Blu-ray%29-%282002%29

    Para poupar trabalho digo já:
    FNAC: 24.99€
    UK: 17.59€ (Usado cambio EUR/GBP a 0.85)

    Uma diferença de cerca de 30%. E aposto que a capa nem é feita em Portugal 🙂

    Podem também ver no site da FNAC que a legendagem (e distribuição do produto) vem nas seguintes linguas:
    Inglês, Português, Castelhano, Alemão, Italiano, Francês, Japonês, Dinamarquês, Holandês, Finlandês, Coreano, Norueguês, Sueco, Mandarim

    Não me parece que a culpa seja dos custos marginais… digo eu.

  21. NOTA: Tinha colocado este comentário antes mas não apareceu, volto a colocá-lo sem URLs a ver se seria esse o problema.

    Helder e StangeLove,

    Como eu apontei não estamos a falar só de livro, é generalisado no entretinimento: DVDs, BlueRay, Video Jogos, etc.

    A produção destes bens é, normalmente, feita à escala europeia já com as legendas feitas para uma duzia de países e muitas vezes dobragens para outros tantos sendo que o que muda de país para país é a capa e aquele anuncio irritante a pedir para não sacarmos os filmes da internet. Se falarmos em CDs de musica ainda é mais engraçado porque nesse caso nem sequer muda a capa.

    Fica aqui a ultima triologia (Bourne) que adquiri lá fora para se comparar:

    Para poupar trabalho digo já:
    FNAC: 24.99€
    UK: 17.59€ (Usado cambio EUR/GBP a 0.85)

    Uma diferença de cerca de 30%. E aposto que a capa nem é feita em Portugal 🙂

    Podem também ver no site da FNAC que a legendagem (e distribuição do produto) vem nas seguintes linguas:
    Inglês, Português, Castelhano, Alemão, Italiano, Francês, Japonês, Dinamarquês, Holandês, Finlandês, Coreano, Norueguês, Sueco, Mandarim

    Não me parece que a culpa seja dos custos marginais… digo eu.

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