De um bolso para o outro

O Pedro Sales está muito aborrecido porque não será o patronato mas a segurança social a pagar os salários dos trabalhadores em caso de quarentena relacionada com a Gripe A. E quem é que o Pedro Sales pensa que sustenta a Segurança Social?

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17 pensamentos sobre “De um bolso para o outro

  1. Cirilo Marinho

    De acordo com a teoria de Elisa Ferreira, é o estado, ou seja, o ps. Fight Club, versão tuga.

  2. Carlos Guimarães Pinto

    Caro Miguel, já pensou perguntar a trabalhadores dependentes quanto é que eles descontam mensalmente para a segurança social? E quando os questiona sobre o salário, quantos é que respondem com o salário bruto?

  3. Cfe

    “Os trabalhadores?”

    Deveriam obrigar a cada trabalhador recolher, em guia própria, seus tributos. A empresa pagaria em cheio: logo, logo os impostos baixavam, oh se baixavam…

  4. JP Ribeiro

    Muitos trabalhadores desconhecem que a parte que descontam para a segurança social quer seja em seu nome quer em nome da empresa, faz parte integrante do seu salário, e faz parte dos custos salariais da empresa.
    As empresas deviam informar anualmente todos os seus empregados, por carta individual, de qual foi o custo real em que incorreram com aquele posto de trabalho (salario, descontos para Seg Social, seguros e outros benefícios, etc.), pois talvez assim as pessoas começassem a entender como é que o monstro se alimenta.

  5. “Caro Miguel, já pensou perguntar a trabalhadores dependentes quanto é que eles descontam mensalmente para a segurança social? E quando os questiona sobre o salário, quantos é que respondem com o salário bruto?”

    E…?

  6. Pingback: O custo real de um posto de trabalho « O Insurgente

  7. “E…?”

    … a segurança social é tão paga pelos trabalhadores como o IRC. Efectivamente é um custo para a entidade patronal e não para o trabalhador.
    É porém verdade que os trabalhadores sofrem de uma redução de salário indirecta devido ao IRC e à segurança social, mas não se pode dizer que são eles que a pagam.

  8. “… a segurança social é tão paga pelos trabalhadores como o IRC. Efectivamente é um custo para a entidade patronal e não para o trabalhador.”

    Por essa ordem de ideias, a segurança social não é paga nem pelo trabalhador nem pela empresa – é “paga” pelo contabilista da empresa (se o que interessa é quem exerce o trabalho administrativo de “pagar”…).

    Bem, é verdade que os trabalhadores só pagam (formalmente) 1100/3475 das contribuições para a segurança social, mas acho que até era mais correcto considerar que na prática os trabalhadores pagam tudo do que os empregadores pagam tudo.

    Outro ponto – imagine-se que eu deixava de pagar a minha casa e o banco mandava uma carta ao Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio para me descontarem 1/3 do vencimento. O CHBA procedia ao desconto.

    Nesse caso, quem é que estava pagar ao banco? Eu o o CHBA?

  9. “Por essa ordem de ideias, a segurança social não é paga nem pelo trabalhador nem pela empresa – é “paga” pelo contabilista da empresa (se o que interessa é quem exerce o trabalho administrativo de “pagar”…).”

    Miguel, não é uma questão de quem tem o trabalho administrativo, é uma questão de percepção de salário. Um trabalhador negoceia salários líquidos: é-lhe absolutamente indiferente quanto paga de Segurança Social. Se amanhã deixasse de haver descontos para a segurança social, e o “patronato” não subisse o salário líquido de acordo com a descida, a maioria dos trabalhadores nem se aperceberia.
    “Outro ponto – imagine-se que eu deixava de pagar a minha casa e o banco mandava uma carta ao Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio para me descontarem 1/3 do vencimento. O CHBA procedia ao desconto.”
    Nesse caso, era o Miguel, porque esta era uma contribuição específica do Miguel e não uma contribuição geral. O Miguel saberia e sentiria um abatimento do salário quando se iniciasse o desconto de 33%. Seria como se o empregador lhe pagasse a renda: aqui sim existe apenas uma transferência de custos administrativos.

    Já agora, pensa que uma abolição de contribuições para a segurança social de imigrantes por exemplo seria neutra no mercado de trabalho, ou seja, os empregadores continuariam a ter as mesmas preferências por locais e imigrantes se não houvesse pagamento de segurança social para imigrantes?

  10. “Um trabalhador negoceia salários líquidos: é-lhe absolutamente indiferente quanto paga de Segurança Social. Se amanhã deixasse de haver descontos para a segurança social, e o “patronato” não subisse o salário líquido de acordo com a descida, a maioria dos trabalhadores nem se aperceberia.”

    Independentemente do que os trabalhadores negociam, o que depois vem escrito nos contratos é o salário ilíquido. Logo, se deixassem de haver descontos para a segurança social e os patrões não subissem o salário liquido, estariam a cometer uma infracção contratual.

    E os trabalhadores aperceberiam-se sim – veja o que acontece com o IVA; ninguém faz a mínima ideia do que é preço e do que é IVA quando compra alguma coisa; mas, quando o IVA desce, se os preços não descem é logo um escândalo total (e, juridicamente, com muito menos razão, do que seria no caso dos salários).

    Aliás, façamos uma analogia com o IRS: quando as taxas do IRS variam, o que varia é o salário liquido do trabalhador (em vez de o salário liquido ficar constante e o ilíquido variar para compensar a variação do IRS).

  11. Finalmente, o argumento do CGP também poderia ser usado para demonstrar exactamente o contrário – que toda a segurança social (incluindo os 23,75% da entidade patronal) são todos pagos pelo trabalhador:

    “Um empresário negocia encargos salariais totais: é-lhe absolutamente indiferente o que vai para o trabalhador ou o que vai para a Segurança Social. Se amanhã deixasse de haver encargos patronais para a segurança social, e os trabalhadores subissem o seu salário de acordo com essa descida, a maioria dos empresários nem se aperceberia”

  12. “Já agora, pensa que uma abolição de contribuições para a segurança social de imigrantes por exemplo seria neutra no mercado de trabalho, ou seja, os empregadores continuariam a ter as mesmas preferências por locais e imigrantes se não houvesse pagamento de segurança social para imigrantes?”

    Se estivermos a falar da contribuição de 11% da responsabilidade do trabalhador:

    À partida seria indiferente para a empresa pagar 100 (ou 123,75) e o trabalhador ficar com 89 ou pagar 100 (ou 123,75) e o trabalhador ficar com 100.

    [Da mesma forma, é indiferente para uma empresa pagar 1000 euros a um trabalhador sem filhos (e reter-lhe 8% de IRS) ou pagar 1000 euros a um trabalhador com 3 filhos (e reter-lhe 6% de IRS).]

    O que o Carlos pode dizer é que, a partir do momento em que o imigrante deixasse de descontar para a segurança social, estaria disposto a trabalhar por 89 ilíquidos em vez de por 100, mas penso que isso não é assim tão certo (depende muito das elasticidades da oferta e da procura de trabalho).

    No fundo, a tese que a segurança social é paga pelas empresas fará sentido se assumirmos que os trabalhadores têm um elevado poder de mercado e conseguem passar para os consumidores (os empresários) os impostos que o Estado cobra sobre o seu produto. Mas será mesmo assim? (a mim parece-me que só seria assim se: a) a oferta de trabalho fosse totalmente elástica face ao preço; ou/e b) a procura de trabalho fosse absolutamente inelástica face ao preço).

  13. “O que o Carlos pode dizer é que, a partir do momento em que o imigrante deixasse de descontar para a segurança social, estaria disposto a trabalhar por 89 ilíquidos em vez de por 100, mas penso que isso não é assim tão certo”

    Não?!?!

    “No fundo, a tese que a segurança social é paga pelas empresas fará sentido se assumirmos que os trabalhadores têm um elevado poder de mercado e conseguem passar para os consumidores (os empresários) os impostos que o Estado cobra sobre o seu produto. Mas será mesmo assim? (a mim parece-me que só seria assim se: a) a oferta de trabalho fosse totalmente elástica face ao preço; ou/e b) a procura de trabalho fosse absolutamente inelástica face ao preço).”

    A questão aqui é que a elasticidade da oferta de trabalho só existe relativamente ao salário líquido.

  14. >>“O que o Carlos pode dizer é que, a partir do momento em que o imigrante deixasse de descontar para a segurança social, estaria disposto a trabalhar por 89 ilíquidos em vez de por 100, mas penso que isso não é assim tão certo”

    >Não?!?!

    Pode ser que eu faça um post no VS com uns graficozinhos.

    Mas imagine o Carlos a seguinte situação: que o tal imigrante que recebe 89 euros liquidos / 100 euros iliquidos estaria disposto a trabalhar por qualquer valor superior a 80 euros liquidos; no entanto, a concorrência entre os potenciais empregadores fixa o seu salário em 89 euros liquidos / 100 iliquidos (já que haverá várias empresas dispostas a pagar-lhe no máximo 100 euros iliquidos).

    Agora imagine-se que os descontos para a segurança social desapareciam: realmente o empregador podia passar a pagar-lhe só 89 euros que o salário liquido ficava na mesma. Mas como há vários empregadores em disputa por esse trabalhador (não necessariamente por “esse” trabalhador concreto – a concorrência pode ser por um trabalhador genérico com as caracteristicas desse), e dispostos a gastar 100 euros para o contratar, o salário iliquido ficará à mesma nos 100 euros, e a redução nas contribuições para a segurança social será integralmente apropriada pelo trabalhador (e para as empresas fica tudo tal como estava).

  15. “Agora imagine-se que os descontos para a segurança social desapareciam: realmente o empregador podia passar a pagar-lhe só 89 euros que o salário liquido ficava na mesma. Mas como há vários empregadores em disputa por esse trabalhador (não necessariamente por “esse” trabalhador concreto – a concorrência pode ser por um trabalhador genérico com as caracteristicas desse), e dispostos a gastar 100 euros para o contratar, o salário iliquido ficará à mesma nos 100 euros, e a redução nas contribuições para a segurança social será integralmente apropriada pelo trabalhador (e para as empresas fica tudo tal como estava).”

    Correcto. Da mesma forma que se desaparecer o IRC, os salários também aumentariam pelo simples facto de que o empresário ficaria com mais dinheiro disponivel para oferecer no mercado de trabalho.
    A questão aqui não é essa. A questão é que no mercado de trabalho negoceiam-se salários líquidos, e todos os descontos são um encargo extra que não dão nenhum poder negocial ao empresário no mercado de trabalho.

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