Lê-se uma coisa destas e até se pensa que o senhor não tem tido nada a ver com despesas e receitas públicas nos últimos anos*

“Digo desde sempre que uma correcção virtuosa das contas só é feita pelo lado da despesa”, afirmou Teixeira dos Santos. , no i.

* Ou ‘Como é possível passar quatro anos a fazer o contrário daquilo que se diz que sempre se defendeu’. É que esta crença (tão acertada) no ministro responsável por orçamentos que em todos os anos aumentaram (acima da inflação) a despesa pública deixa-me, pelo menos, perplexa. Mas não devia, porque a estratégia ‘com papas e bolos se enganam os tolos’ deste governo, em boa verdade, já não deveria surpreender nem causar perplexidades.

15 pensamentos sobre “Lê-se uma coisa destas e até se pensa que o senhor não tem tido nada a ver com despesas e receitas públicas nos últimos anos*

  1. A Maria João tem que considerar que o ministro, embora seja desta opinião, pode não ter possibilidades de a pôr em prática.

    Como diminuir a despesa do Estado? Como fazê-lo? É a Maria João capaz de me explicar?

    Repare a Maria João que o ministro está (esteve), de facto, de pés e mãos atados, em matéria de diminuir a despesa.

    Diminuir os salários é, neste país, proibido por lei. Pode-se quando muito congelar os salários, isto é, não os aumentar, e isso o governo fez durante alguns anos. Despedir funcionários públicos é, neste país, proibido por lei. Pode-se quando muito aposentar (por mútuo acordo) funcionários já idosos, e o governo de facto fez isso, mas isso apenas transfere (parte de) as despesas dos salários para as reformas.

    Ou seja, o governo está impossibilitado, por lei, de diminuir a a parte principal das despesas, que são as despesas com salários.

    O governo poderia cortar nas despesas com salários, que eu veja, apenas de uma forma: diminuindo o número de professores contratados. Os professores são contratados anualmente, e o governo poderia diminuir todos os anos o número de contratados. As turmas nas escolas públicas aumentariam de número de alunos, até a um certo limite (estipulado por lei). O governo de facto fez isto em escolas do interior. Em escolas das grandes cidades, tal política é impossível, já porque as turmas já são grandes, já porque a qualidade do serviço de educação diminuiria e os protestos seriam fortes.

    Que sugere a Maria João? Que sugerirá o seu partido, o PSD, no seu programa eleitoral que nunca mais vê a luz do dia?

  2. Maria João Marques

    LL, esperoque esteja igualmente preocupado com os outros programas eleitorais, além do do PSD, já que nenhum foi ainda apresentado. Eu também acho que o do PSD tem probabilidades de ser mais interessante que os outros, mas convém não exagerar na pressa.

    Sim, parte da despesa pública é rígida, devido ao número exagerado de funcionários públicos. Neste caso deveria ser mudada a constituição, como é óbvio. Mas não é só aqui que é possível poupar. Por exemplo, congelamento de compras de carros, equipamentos informáticos, mobiliário de escritório e por aí adiante. Proíbir o endividamento da câmaras municipais, não continuar como se não houvesse amanhã a adjudicar obras públicas e, antes disso, a pagar estudos e mais estudos. Diminuir o nº de assessores (estou-me a lembrar dos 9 do Sá Fernandes quando não tinha pelouro). Avaliar decentemente as prestações sociais que se pagam e avaliar quais se deveriam suspender. Parar com os subsídios do ministério da cultura. E etc. Enfim, coisas, algums pequenas, mas que se somadas são muito representativas. (Pegando no exemplo da educação,não é hilariante que custe mais o ensino público por aluno do que o ensino privado? Mas, claro,não deve ter nada a ver com modelos de gestão e de (des)incentivo ao desperdício.)

    E atenção: eu falo em meu nome e não no do PSD. Que mania esta sua de me pôr em grupos, como se eu não tivesse opiniões pessoais.

  3. Maria João Marques

    Ah, mas nem comentei o fundo do seu comentário: pois é, coitadinho do ministro, não conseguia fazer nada para baixar a despesa pública, já aumentá-la… e até falou como se pensasse que se podia fazer alguma coisa para a diminuir. Mas afinal, não.

  4. E se o governo do PS não consegue porque há de o de o PSD conseguir? Porque raio anda o PS a acusar o PSD de querer reduzir o estado socialista se afinal isso nem é possível e eles sabem por experiêncoa prórpia?!! São uns mentirosos.

  5. lucklucky

    “Como diminuir a despesa do Estado? Como fazê-lo?”

    É simples. O Estado deixa de construir o que quer que seja que não esteja relacionado com Justiça ou a Defesa. RTP/RDP para que é que são precisas? Fecha-se o Ministério da Agricultura,Economia,Cultura,Educação. Como não há Moeda o Banco de Portugal não é necessário, fica só uma entidade de supervisão. Isto só para começar.

  6. lucklucky

    isso (fechar isso tudo) certamente que pouparia algum dinheiro, mas teria que se continuar a pagar muitos dos salários, uma vez que os funcionários públicos, mesmo que não tenham nada para fazer, não podem ser despedidos.

  7. José Barros

    Os comentários do Luís Lavoura são hilariantes.

    O LL certamente se esqueceu de que neste último ano, de eleições, o governo aumentou os salários dos funcionários públicos em 2,9% quando na maioria das empresas os salários foram congelados. Também se esqueceu que o plano de obras públicas na ordem vários mil milhões de Euros deste governo vão aumentar drasticamente a despesa pública e o endividamento nos próximos anos se forem a avante.

  8. José Barros,

    folgo que os meus comentários sejam assim hilariantes. Agradeço que, no meio de tanto riso, tenha ainda assim achado tempo para responder.

    Sim, eu concordo que o aumento dos funcionários públicos este ano foi um grave erro, aliás critiquei-o no meu blogue na precisa altura em que ele foi anunciado. Não me lembro de que esse aumento tenha sido criticado aqui. Deve ter sido esquecimento.

    Quanto às obras públicas, eu também não sou adepto delas. Mas não creio que sejam elas que tanta diferença fazem ao deficit. Os salários, pensões, etc são bem mais relevantes nos gastos do Estado.

  9. “Não me lembro de que esse aumento tenha sido criticado aqui.”

    Com certeza devem ter subsistido grandes dúvidas generalizadas em relação à opinião que por aqui grassaria.

  10. Sérgio

    “Justiça ou a Defesa”
    Porquê estes?
    Porque deve um estado preservar a propriedade privada e não a saúde privada, por exemplo?
    Os argumentos seriam semelhantes em relação a um e a outro.
    Por exemplo, porque tenho eu de pagar pela segurança quem nunca se preocupou em investir nela? Armas podem ser legalmente adquiridas, empresas de segurança podem ser contratadas e há uma enorme parafrenália de produtos dedicados á segurança da propriedade (casa, carro, quinta, segurança pessoal).
    Porque é que pagar impostos para a defesa de terceiros continua a ser liberal, mas ao dar o passo para a saúde já passa a ser socialista?

  11. João Luís Pinto,

    dúvidas não terá havido, mas não deixa de ser paradoxal que neste blogue (e noutros também) se gaste tanto tempo a citicar coisas que acontecem nos EUA e não se gaste tempo pelo menos idêntico a criticar coisas idênticas que acontecem cá em Portugal.

    Por exemplo, vi montes de posts a criticar o apoio dado pelo governo americano à AIG e pouquíssimos a criticar o apoio dedo pelo governo português ao BPN. Com a agravante de que os posts sobre a AIG apareceram logo quando a decisão foi tomada, e os posts sobre o BPN só apareceram muito a posteriori.

  12. José Barros

    folgo que os meus comentários sejam assim hilariantes. Agradeço que, no meio de tanto riso, tenha ainda assim achado tempo para responder – Luís Lavoura

    Ora, essa, eu é que lhe agradeço o riso.

    Sim, eu concordo que o aumento dos funcionários públicos este ano foi um grave erro, aliás critiquei-o no meu blogue na precisa altura em que ele foi anunciado – Luís Lavoura

    Então deverá ser o primeiro a reconhecer que conter a despesa pública não é assim tão difícil se não se aumentar todos os anos os funcionários públicos, independentemente dos níveis de despesa pública, do défice, do endividamento, etc., como este governo tem feito.

    Quanto às obras públicas, eu também não sou adepto delas. Mas não creio que sejam elas que tanta diferença fazem ao deficit – Luís Lavoura

    Vê? Mais uma forma de conter a despesa pública prevista para os próximos anos. Não é assim tão impossível como diz…Junte-se algumas das medidas que a Maria João Marques e muitas outras que podem ser anunciadas e a redução da despesa é até bastante fácil.

  13. lucklucky

    Porque deve um estado preservar a propriedade privada e não a saúde privada, por exemplo?

    O Estado existe para os Conflitos entre os Homens: Segurança e Justiça – também indirctamente protegendo a Saúde. A outra Saúde de que fala não deriva de um Conflito entre os Homens.

    “Por exemplo, porque tenho eu de pagar pela segurança quem nunca se preocupou em investir nela? Armas podem ser legalmente adquiridas*, empresas de segurança podem ser contratadas e há uma enorme parafrenália de produtos dedicados á segurança da propriedade (casa, carro, quinta, segurança pessoal).”

    Não percebo a pergunta, não pagam todos imposto? Se me diz que não quer pagar imposto para a Segurança Geral e prefere gastar o dinheiro em segurança privada não teria problemas. Aliás para o Estado de ineficiência generalizado na Segurança e Justiça os Portugueses, têm além dos impostos que pagam ainda reservado cada vez mais gastos privados para a sua segurança pessoal e de bens. Com o caminho que as coisas estão a tomar não dúvido que é para aí que caminhamos.

  14. Plus

    Teixeira dos Santos prepara-se para entrar na longa lista dos ministros das finanças desde os governos deCavaco Silva.
    Todos juntos, já são muitos, eles sempre conheceram os remédios necessários para as contas públicas mas por azar o nosso parece que aquele cargo oferece uma amnésia momentânea sobre as suas competências. O ministro actual,agora já quase de saída, comprova isso mesmo.

  15. Pingback: Análise à análise do novo governo « O Insurgente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.