Nacionalidades à venda

Se Maria João Pires se quer “desnacionalizar” por se sentir desprezada ao não receber subsídios governamentais para os seus projectos pessoais, então de facto não merece a minha consideração.

Ser português é algo mais do que subtrair subsídios para projectos musicais, ainda que recheados de méritos. Portugal merece-me inúmeras críticas e insatisfações. Mas há poucas sensações melhores do que o momento do regresso a casa, depois de vários dias ausente no exterior. Ser português é algo mais do que uma mera transacção comercial, implica amar a nossa terra, as nossas culturas e tradições. Há um sentimento de pertença que não de dilui nas dificuldades.

Tenho a certeza que o Brasil a recebe de braços abertos.

25 pensamentos sobre “Nacionalidades à venda

  1. “Ser português é algo mais do que uma mera transacção comercial, implica amar a nossa terra, as nossas culturas e tradições. Há um sentimento de pertença que não de dilui nas dificuldades.”

    Exactamente.
    .

  2. Ricardo

    Acho que reduzir a questão toda aos subsídios é ridículo. Nem acredito que vocês levem tal acusação a sério. A verdade é que a própria ainda nem explicou a fundo as suas motivações. Está-se a discutir um desabafo num centro comercial que foi autorizado para reprodução (e nesse desabafo não foram discutidos subsídios).

    Só quem nunca tentou criar alguma coisa por cá pode criticar facilmente a possível frustração da MJP. Não terá a ver apenas com subsídios, terá igualmente a ver com a recepção dos seus projectos, as burocracias, e outras dificuldades que nem sequer podemos “cheirar”.

    Acontecendo, a mudança de nacionalidade não será um simples acto pessoal, será uma reprimenda ao país. Poderemos precisar de uma reprimenda, e reconheço legitimidade em quem ofereceu tanto da sua vida pela cultura em Portugal para o fazer. E é só isso… as outras questões só serão esclarecidas se MJP decidir falar sobre elas. Se não o fizer, está no seu pleno direito.

  3. Caro Ricardo,
    Ninguém discute que há inúmeras dificuldades no nosso país para empreender, e aceito como válidos todos os argumentos que Maria João Pires queira apresentar para defesa do seu projecto.
    Misturar a questão da nacionalidade é que é muito infeliz, e noto que neste plano MJP é recorrente, o que torna tudo isto particularmente desagradável.
    O meu ponto é, apenas, este: há sentimento de pertença na nacionalidade que não de dilui nas dificuldades, nunca.
    Ab
    RAF

  4. Fernando S

    3. “…quem ofereceu tanto da sua vida pela cultura em Portugal …”

    “Ofereceu” ?!…
    Não tera sido antes uma natural, legitima, e até saudavel, ambição individual em tirar o melhor partido das suas capacidades inatas e adquiridas com trabalho no sentido de ter sucesso pessoal e reconhecimento publico ?…
    Claro que os sucessos individuais de portugueses, neste caso na area cultural, são favoraveis à imagem do pais e da sua cultura.

    O que é menos saudavel é que essa condição, que suponho que ninguém contesta, lhe tenha subido à cabeça ao ponto de considerar que as dificuldades que possa ter encontrado são um “crime de lesa majestade” que justifica qualquer forma de desprezo ou repudio da sua nacionalidade de origem (e de existencia até hoje).
    Pelo que percebi, MJP também ja percebeu que foi longe de mais e esclareceu que não tenciona abandonar a nacionalidade portuguesa (de resto, não deve ser formalmente assim tão facil num pais que não exclui a multipla nacionalidade).

  5. Eu nem é por isso de se ser português (e eu não nasci cá, sequer): uma nacionalidade é uma coisa irreversível, é o Eu final e absoluto. Mesmo que se torne brasileira nunca deixará de, primeiro, ser portuguesa.

  6. Deve estar aí o vosso atraso em relação ao resto da UE.

    Por aquilo que sei, ela, conhecida mundialmente, quis criar uma associação para vos ajudar a evoluir culturalmente. Não me parece que ela queira o numerário na sua conta bancária.

    O Rodrigo Adão da Fonseca devia se informar um pouquinho mais.

  7. AAS

    Não está aqui em causa apenas a questão dos apoios, subsídios ou qualquer dificuldade burocrática. A Nacionalidade é afecta a uma Nação, não a um governo, máquina estatal ou até ao público.

    Esta senhora não está a optar por outra nacionalidade por factores de vivência ou afinidade, está antes de mais a renunciar primeiro à sua nacionalidade. Sejam os motivos os que o RAF referência, ou seja mesmo um repúdio ao povo português por um achaque não súbito de génio incompreendido, ou até uma combinação de ambos, quem renega assim a sua nação, estará certamente melhor entregue a quem a receber, do que em Portugal.

  8. »»»Deve estar aí o vosso atraso em relação ao resto da UE.«««

    Pois deve caro Amílcar.
    Pôr grandes pianistas a gerir o dinheiro dos nossos impostos só podia dar esse resultado.
    .

  9. »»»Por aquilo que sei, ela, conhecida mundialmente, quis criar uma associação para vos ajudar a evoluir culturalmente.««««

    Caro Amílcar

    Convide-a para ir para Cabo Verde, ou por aí já atingiram o topo da V/evolução cultural?
    .

  10. Ricardo

    Acho que aqui a chapada da MJP se está a sentir bem forte. Acho que cada pessoa é livre de sentir mais ou menos apego à Nação (o que quer que isso seja). Se a MJP vê isso como um vínculo a uma organização com a qual quer cortar (o Estado português), não vejo porque razão se há-de inventar tanto. Não há-de ser por causa disso que ela irá gostar mais ou menos de pastéis de nata, de ler Pessoa ou falar sobre a paisagem de Belgais.

  11. “Se a MJP vê isso como um vínculo a uma organização com a qual quer cortar (o Estado português), não vejo porque razão se há-de inventar tanto.”

    O Sr. Ricardo tem um conceito muito estreito de nacionalidade e de nação. Para o Sr. Ricardo e apra aqueles que come le se identificam, a nacionalidade é um documento de BI e de IRS. A pertença a um passado comum e a uma comunidade para eles são “pastéis de Belém” e talvez “chouriços de Vinhais”. Uma tristeza.

  12. Duvido muito que alguma vez a Maria João Pires queira renunciar à nacionalidade portuguesa. Infelizmente há poucas notícias para o verão, um dia acabará a novela do funeral do outro e da estreia do Ronaldo e logo há que encontrar bons assuntos de polémica. É melhor repor todas estas afirmações no contexto e reproduzi-las de forma integral para se perceber de que se trata … e na verdade eu tenho de vos dizer que tendo em conta os destaques dos nossos jornais das oito eu, se fosse músico, também me interrogaria se gostaria de ser português. Muitos dos insurgentes que por vezes aqui leio também expressam por vezes desabafos no mesmo sentido, por outras razões, mas no mesmo sentido. Obviamente são estados de alma passageiros que apenas revelam um desencanto por características que nos parecem ser de todo contraditórias à ideia que temos da nossa nação. Mas em breve, desejamos de novo partir para a luta. Acredito que será sempre essa a postura de MJP.

  13. Pedro

    PF, e que tem o senhor ou os demais a ver com o conceito de nacionalidade de cada um? Ou querem tornar obrigatória uma declaração de amor à pátria, eventualmnente sessões diárias forçadas de canto do hino nacional? Eu acho isto extraordinário. Senhores, ser português é nascer em Portugal. Nasce-se num país, fica-se natural desse país. A nacionalidade não é um “documento”, é o sítio onde se nasceu. Não se nasce apátrida. O resto, o amor à pátria, ao hino, aos pastéis de Belém ou ao Belenenses, não resulta da nascença num País, não é exactamente genético, é uma questão de opção.

  14. “Senhores, ser português é nascer em Portugal. Nasce-se num país, fica-se natural desse país. A nacionalidade não é um “documento”, é o sítio onde se nasceu.”

    Pois, assim como “chover é água a cair”, OK. Por mim o Sr. Pedro pode relativizar tudo aquilo que quiser, mas extraordinário é se algo assim tão relativizado e inócuo como uma nacionalidade serve para a chantagenzinha e a declaração de desfidelização que a MJP fez, por não ter recebido os apoios pretendidos por parte não do País, mas do governo desse mesmo país. Eu insurjo-me pelo equívoco dessa senhora e de outros comentadores entre o governo e o país em si. Se o governo não me apoia deixo de ser português e passo a declaração para todos os média como uma declaração de intenções. Como se tal declaração fizesse mossa, pelos vistos até faz a alguns, a muita gente. Uma espécie de pirraça que não abona em nada ao perfil de alguém que se alcandora como única obreira da Nação.

  15. atom

    Que tal um novo impostosinho a pagar por todos ao cidadãos anónimos para subsidiar os famosos e evitar que eles nos abandonem?

  16. Dêm-se ao trabalho de ler o que a MJP verdadeiramente disse e o contexto em que o disse. Não é muito diferente do que nós muitas vezes desabafamos inclusivamente alguns dos Insurgentes … E não tem nada a ver com $. Tem a ver com a atitude do país e do nosso povo e também da classe que nos governa e isso também define a pátria porque numa democracia nós somos (porque escolhemos) quem nos governa.

  17. Caro Fernando Vasconcelos,

    Os desabafos são sempre legítimos, ocorre que é a segunda vez que MJP argumenta, não sem um toquezinho de chantagem, que como não a apoiam vai prescindir da nacionalidade portuguesa. Mais, ela é livre de não querer ser portuguesa.

    Agora, ligar a falta de apoio à nacionalidade, é este nexo criado pela própria que se critica.

    Caro José Rui Fernandes,

    “17.Caro RAF, ainda se lembra porque saiu do Blasfémias?”

    Obvio, mas o que é que isso tem a ver com esta discussão? Esclareça-me, faxavor.

  18. Caro RAF essa pergunta demonstra que as companhias o estragam. Ou seja, numa escala de elegância (falta dela), o post do CAA sobre a Senhora Dra. Constança Cunha e Sá (um copo) fica uns furos acima do post de um tal de Pinto, sugerindo entre outras coisas que a pianista se prostituisse. Independentemente dos méritos e deméritos das senhoras.
    E ainda bate no ceguinho. Tinha-o em melhor conta.

    no Blasfémias não se fazem perseguições pessoais

  19. Já não sei quem aqui comentou a dizer que a nacionalidade não é um documento, é o sítio onde se nasceu. Atrevo-me a corrigir, como alguém que tem uma naturalidade e outra nacionalidade: naturalidade é, de facto, o sítio onde se nasceu e a nacionalidade até “é”, na verdade, um documento. Não têm de ser respeitantes ao mesmo local, ao mesmo país. A naturalidade não muda, a nacionalidade sim. O amor pátrio é que é outra coisa muito mais pessoal e insubstancial e, ou se tem, ou não.

  20. sergio garcia

    O ato de renunciar à uma nacionalidade é pessoal e direito do pretendente.

    Ser nacional de um determinado país tem a ver com a identificação da pessoa com o lugar.

    A Maria não se sente portuguesa é seu direito em renunciar à nacionalidade.

    No entanto, se ela acha que ser brasileiro vai lhe dar mais satisfação, o tem dirá.

    Não existe identidade brasileira, não existe nacionalidade brasileira, este país é um engodo.

    Tudo bem, a lei portuguesa, permite a reaquisição da nacionalidade de forma bastante simples.

    Quando ela se arrepender, ha ! isso vai, ela requer e pronto, volta a ter a nacionalidade portuguesa.

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