Uma parasita a menos

Maria João Pires tem um projecto pessoal que muitos consideram meritório. Poderia ter financiado o projecto recorrendo às suas poupanças pessoais, receitas de vendas de discos e concertos, a doações voluntárias de todos aqueles que consideram o projecto meritório, organizando rifas, prostituindo-se ou mendigando. Acabou por optar pela forma menos digna, embora mais usual entre os seus colegas de profissão, de se financiar: extorquindo dinheiro aos restantes contribuintes.
Felizmente, até para o nosso estado socialista a chantagem tem limites. A estratégia de extorsão de Maria joão Pires acabou por correr mal. Bem sei que é uma excepção, que, ao contrário da Maria João Pires, há muitos que conseguem extorquir dinheiro anos a fio aos restantes contribuintes para projectos pessoais, habitações gratuitas, bolsas de estudo e afins, mas não deixa de ser um bom sinal que esta história tenha acabado assim.
Maria João Pires decidiu abandonar a nacionalidade portuguesa e partir para o Brasil. Era bom que os restantes parasitas lhe seguissem o caminho.

(nota adicional: a inclusão das opções “prostituir-se” e “mendigar” no texto acima visa tão somente colocar em perspectiva a imoralidade do acto da Maria João Pires, não visa ofender nem fazer qualquer tipo de sugestão. O objectivo da frase é apenas de listar um conjunto de formas de financiamento moralmente mais dignas do que o assalto ao bolso dos contribuintes e, ao fazê-lo, posicionar a acção de Maria João Pires na minha escala moral. Qualquer outro sentido atribuido à frase fica por conta de quem o faz)

50 pensamentos sobre “Uma parasita a menos

  1. stingbite

    Se todos os parasitas se fossem embora, quem ficava no país?
    Vamos trancar a porta a esta trampa e ir embora?
    Ou precisa que lhe lembre o quanto a Alemanha injectou neste país ao longo dos anos? “Parasitas”…
    Se não fosse o Carlos Guimarães (e eu também, e os outros todos) um parasita, escreveria a sua mensagem num papiro com sangue de pombo e andava de carroça (com sorte).
    Devia era fazer a pergunta que interessa: e agora que a teta secou?

  2. ccz

    Por favor,

    Comparem os números da evolução das receitas fiscais em Portugal (impostos directos -21,9%;impostos indirectos -19,8%, dados da DGO de Maio), com os dados italianos (”Today’s report showed that revenue from direct taxes fell 4.6 percent with indirect taxes, such as value-added tax, dropping 4.9 percent from the same period a year earlier.” ( http://www.facebook.com/ext/share.php?sid=96485430325&h=vl313&u=ajg7M&ref=nf ) e com os dados ingleses (”With the exception of the dotcom bust, the amount of cash flowing into the Government’s vaults grew by around 4 per cent a year over the past decade. Since 2008, those revenues have been shrinking at an annual rate of almost 10 per cent. This is the main reason why the budget deficit is about to rise to levels unprecedented in peacetime.” ( http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/edmundconway/5713846/Falling-tax-revenues-are-about-to-balloon-our-budget-deficit.html )

    Isto vai dar um estouro mas um estouro como só o Anti-comuna previu.

  3. Não sei se o “ouro do Brasil” continua a ser a teta que outrora foi. A senhora se calhar vai iludida com os efeitos da pirraça – podia ter tentado na Coreia do Norte por exemplo, terra de bons financiamentos lúdico-culturais e desportivos.
    Mas o que vai ser de nós, se a nossa classe “artístico-intelectual” começar a debandar para o paraíso do Socialismo?? Temos de fazer alguma coisa! Que tal um peditório público, já que o governo neoliberal se exime de tão nobres obrigações! Nem devíamos para já pensar noutra coisa!

  4. Pingback: A pianista, a corte e o dinheiro público « O Insurgente

  5. Pingback: cinco dias » Carlos Guimarães Pinto para o Brasil!

  6. Filipe Abrantes

    “Podia ter financiado o projecto recorrendo às suas poupanças pessoais, receitas de vendas de discos e concertos, a doações voluntárias de todos aqueles que consideram o projecto meritório”

    Tá bem tá! Mas como piada, valeu. 🙂

  7. joao

    A ideia faz sentido mas falta o sentido de proporcionalidade ao post. Suponho o autor tenha estudado numa universidade pública, e se assim foi teve na prática uma bolsa de estudo visto que o financiamento é suportado em 90 % pelo estado. E portanto quer queira quer não também foi um parasita.

  8. OFS

    Depois de ler artigos de portugueses burgessos deste calibre também a mim apeteçe mudar de nacionalidade

  9. lucklucky

    “Ou precisa que lhe lembre o quanto a Alemanha injectou neste país ao longo dos anos? “Parasitas”…”

    Qual a dúvida que somos parasitas da Alemanha? A entrada na CEE precisamente ajudou precisamente a criar uma cultura de subsídio dependência e em que a estratégia era a Europa do “somos o bom aluno”. Se não fossem os dinheiros Europeus e a dívida crescente já há muito estaríamos em depressão, infelizmente isso não aconteceu .O facto de isso não ter acontecido no tempo certo faz com que este hiato perigoso entre os problemas começarem e a sua manifestação aguda. É como ter uma doença que só se descobre quando é tarde demais.

    Olhando para os resultados o que é que o dinheiro alemão fez? A unica conclusão é que destruíu a nossa capacidade crítica durante 20 anos.

  10. #9 Lucklucky,

    O “Ou precisa que lhe lembre o quanto a Alemanha injectou neste país ao longo dos anos? “Parasitas”…” era para o Carlos Guimarães Pinto, o autor do texto.

    Obviamente que concordo com tudo o que escreveu Lucklucky.

  11. Bonifácio

    Porra, é assim que tratam o Brasil?
    Mandem os parasitas para Bruxelas!
    E quanto aos dinheiros de Bruxelas, eu não recebi nenhum! Devem ter ido para os mesmos filhos da puta que hoje me aterrorizam com as cartas das finanças e me impedem de trabalhar com milhões de regras ridículas que servem para manter os de fora do esquema das poucas actividades que ainda dão lucro.

  12. Cirilo Marinho

    Carlos:

    Eu já me ri imensamente contigo, até já respondi duas vezes ao Luis Rainha. Ve lá tu.

    Estive tentado a ir ao insultivo, mas contive-me.

    Mas diz-me uma coisa, se te apetecer: Tu sabias que era pra armar confusão, não sabias?

    Abraço

    Cirilo Marinho

  13. Joooão, o facto de ter nascido num país socialista não me deve impedir de ser critico em relação a tal facto. Nem a mim, nem a si. Nós não devemos nada, porque não pedimos nada. Eu gostaria que não tivesse sido assim, gostaria de ter nascido num país em que não tivesse que ser servo de ninguém nem obrigar ninguém a ser meu servo. Infelizmente, não foi esse o caso, mas tal não me deixa com menos autoridade para criticar aqueles que proactivamente lutam por viver à custa de outros.

  14. Bonifácio

    Só tenho pena que esta revolta contra esta mercenária não seja dirigida de forma proporcional contra outros parasitas ainda mais perigosos, afinal, ela não passa de um vermezinho insignificante na cadeia alimentar humana.
    Ex: Os bancos por detrás do roubo dos BCs, as corporações multinacionais que vivem dos subsídios, os partidos financiados por esta escumalha, as ONGs corporativas, os sindicatos, as casas reais que financiam o socialismo internacionalista eugenista(Bourbon, Windsor, Orange,…), e por aí vai…

    P.S: Nunca foram os artistas tão ricos e as artes tão pobres. Será pelo facto da excelência exigir sacrifício e o caviar e o champagne estragarem os sentidos?

  15. Nuno BTT

    Parasita… Tipico tipico tipico. Mais uma que se vai embora, porque nao ha tempo, nao ha dinheiro, nao ha nada… So ha estradas, corrupcao, pato bravo e muita miseria. Compreendo esta senhora. Este pais nao presta. Esta podre, corcomido. E os portugueses sao a raca mais invejosa que ja conheci. Assim, quem e que quer ser portugues?

  16. Von

    Os restantes parasitas? Quem? Os banqueiros que receberam do estado para suprir falhas de gestão? Os dirigentes dos partidos que receberam do estado para as campanhas eleitorais? Os autarcas que receberam do estado para despesas pessoais? Os jornalistas que receberam do estado para viajarem sob o pretexto da reportagem? Os deputados que receberam do estado para se reitegrarem no mundo do trabalho? Os vereadores que receberam do estado para despesas de representação? Os políticos que receberam do estado em forma de reforma, para continuarem a vida profissional no sector privado? Os ex-presidentes da república que receberam do estado para continuarem a parecer presidentes da república? Quem, todos estes?

  17. «Nós não devemos nada, porque não pedimos nada.»

    Típico argumento de adolescente malcriado e ingrato: Eu não pedi para nascer, por isso não tenho que respeitar ninguém.

    Olhe, Carlinhos: Maria João Pires é e foi mais produtiva para a sociedade em que vive do que mil como você. Daqui a décadas ainda não lhe teremos pago a dívida que temos para com ela. Com a saída dela ficamos mais pobres. Já se fosse você a sair, ficaríamos mais ricos.

    Podia ser sua mãe; mas apesar da diferença de idades, quando você estiver morto e esquecido, ela ainda estará viva. Talvez venha daqui a sua inveja e a boçalidade com que a exprime.

  18. Olha o sr. José Luiz Sarmento. Não senti a sua falta desde que resolveu desaparecer das nossas caixas de comentários, sabia?

  19. Carlos Guimarães Pinto

    Caro José Luiz Sarmento, se a senhora é tão produtiva, que tal contribuir com 10% do seu salário para a casa de Belgais. Ou acha que a produtividade da senhora não merece que você abdique de 10% da sua?

  20. “Daqui a décadas ainda não lhe teremos pago a dívida que temos para com ela.”

    Só se for você, eu não lhe devo nada.
    .

  21. A pobreza de Portugal não é causada por aqueles a que aqui se chama «parasitas». É causada pelos boçais que não prestam para nada e andam há séculos a expulsar ou a menosprezar, sempre com a mesma acusação de «parasitismo», quem presta para alguma coisa.

    Razão tinha Camões:

    O favor com que mais se acende o engenho
    Não no dá a Pátria, não, que está metida
    No gosto da cobiça e na rudeza
    Duma austera, apagada e vil tristeza.

  22. Claro não era, mas cá vai a resposta: Não estava a falar de mim. Não sou um ser superior como Maria João Pires e não incorro portanto no risco que ela corre de suscitar o ódio dos imbecis. Por outro lado, também não sou um desses imbecis: ao contrário deles, não me passa pela cabeça exigir a um génio que seja «rentável». Pelo contrário, exijo ao país e a mim próprio que sejamos produtivos, é precisamente para podermos criar condições ao génio – sem o que toda a riqueza que produzíssemos seria inútil.

  23. Carla Vicente

    Maria João Pires dignificou o nome do nosso pais como nenhum dos que aqui a criticou o fez. A sua saída de Portugal é para mim uma vergonha. Devemos acarinhar os nossos. O projecto de Belgais é de interesse nacional e é pena que não existam mais como este.

  24. Miguel, compreenda uma coisa: Tanto a Carla Vicente, como eu, como você, podemos contribuir directamente para projectos como o de Belgais – ou podemos contribuir indirectamente através dos nossos impostos. É uma questão de preferência.

    Se as nossas preferências são diferentes, a questão resolve-se nas urnas e não pelo insulto ou pela violência verbal.

  25. “Miguel, compreenda uma coisa: Tanto a Carla Vicente, como eu, como você, podemos contribuir directamente para projectos como o de Belgais – ou podemos contribuir indirectamente através dos nossos impostos. É uma questão de preferência.

    Se as nossas preferências são diferentes, a questão resolve-se nas urnas e não pelo insulto ou pela violência verbal.”

    Eu acho que se deviam resolver de forma mais simples. Quem quer contribui. Quem não quer não contribui. Pode fazê-lo directamente sem ser via impostos. Vamos deixá-los para financiar funções verdadeiramente importantes e que dificilmente podem ser delegadas a outros que não o estado como a segurança interna e externa e a justiça.

  26. Tudo bem, se isso fosse materialmente possível. Mas não pode ter num só espaço político vários sistemas fiscais, nem vários estados talhados à medida de cada um. Só pode ter um estado, cuja dimensão «correcta» não pode ser determinada cientificamente nem pela economia, nem pela sociologia, nem por qualquer outra ciência humana. Só pode ser determinada politicamente a partir das preferências do eleitorado.

  27. É perfeitamente possível. Não venha com subterfúgios. Que mecanismos é que impedem a realização da redução do estado?

    Será que as preferências do eleitorado podem decidir tudo, inclusivamente a escravidão?

  28. Já há muito tempo que este post e suas respostas entraram no domínio do delírio.
    Nem acredito que estou aqui a contribuir tráfego ao comentário insolente.

  29. Tiago Alex

    Bom post, não é mais nem menos é exactamente isso! Uma autêntica vergonha! E os que defendem o que a MJP fez, por favor sigam-lhe o exemplo. A única coisa que sabem fazer é dizer mal do país, devem ser desempregados ou uns iletrados que não sabem fazer nada de útil. Renunciar à pátria porque o Estado não lhe dá apoios é de uma falta de nível gritante, o país se não está melhor é por gente como esta e por gente como vocês que a única coisa que sabem fazer é maldizer e não fazer nada! Emigrem!

  30. Pingback: O grande artista « O Insurgente

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