MARISA MONTE – Panis et Circences
Mês: Julho 2009
Cohen
Vi-o o ano passado, pela primeira vez. Ontem, repetiu-se mais uma noite feliz. A voz de Leonard Cohen, como diz um amigo, nasce-lhe da alma. É a própria voz da alma, cava e solene, sem mais nada. In my secret life, por assim dizer.
Hoje às 18 horas, Afonso Azevedo Neves e Miguel Madeira

Esta semana, ainda sem a Antonieta Lopes da Costa, irei moderar a conversa entre Afonso Azevedo Neves e Miguel Madeira que analisarão os seguintes temas escolhidos para esta semana.
– O futuro da China – Depois das manifestações do ano passado no Tibete, foi a vez dos confrontos em Xinjiang, no noroeste do país. Há quem fale numa possível derrocada do império.
– Comissão Durão – A eleição de Durão Barroso já foi adiada para depois de Julho, possivelmente para o fim do Verão. Socialistas e liberais querem garantias quanto ao trabalho de Barroso para os próximos cinco anos.
– Blogues e política – Com o surgimento de blogues de apelo directo ao voto em alguns partidos políticos e o encontro de José Sócrates com alguns bloggers, a blogosfera parece ter encontrado a vida político-partidária. O que é que se segue?
– Costa vs Santana – Depois do debate televisivo entre os candidatos à autarquia lisboeta, já se destrinçam algumas diferenças entre os dois. Já temos vencedor, ou o resultado dependerá das legislativas?
O “Descubra as Diferenças” tem podcast disponível aqui.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
O ‘Descubra as Diferenças’ interrompe as suas emissões durante o mês de Agosto. Voltaremos para o Setembro quente de 2009.
O mistério do desemprego espanhol
Preocupado com o desemprego Banco de Espanha pede reforma laboral urgente
Excessivo papel negociador dos sindicatos na fixação dos salários, subsídios de desemprego “generosos” e número excessivo de empregos temporários. Foram estas as críticas feitas pelo governador do Banco de Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, ao Governo.
Ordóñez acredita que a culpa do crescimento do desemprego (que já atinge mais de 18% da população espanhola) é de Zapatero, pela sua “apatia na hora de impulsionar reformas estruturais”,(…)
Se para as estatísticas fossem utilizados os critérios de 1990 o desemprego estaria nos 24%, a taxa mais elevada da história da Espanha.
Afinal
E não é que que o PS foi forçado a reconhecer que a sua “solução final” para o mercado de arrendamento foi completamente ineficaz. Estou genuinamente espantado.
Venha lá a regionalização, não é?
O programa eleitoral do PS vem propor a regionalização, algo, por acaso, já rejeitado em referendo pelos eleitores e que num país pequeno (que gosta de complicar, é certo) se vê que levaria a mais níveis burocráticos, mais entraves às iniciativas individuais, a mais licenças e certificações necessárias e respectivas taxas, a mais funcionários públicos, enfim, a um Estado maior e financiado com mais impostos. Esta proposta do PS tem particular pertinência no momento em que o Tribunal Constitucional vem reconhecer que as objecções do Presidente da República estavam correctas e que o Estatuto dos Açores contém várias inconstitucionalidades. À parte as consequências políticas de minguar ainda mais a força de um governo que fez frente ao PR – de forma particularmente gratuita e ostensiva – e perdeu, valia a pena reflectir sobre o que a novela ‘estatuto dos Açores’ augura para uma futura regionalização.
A Madeira e Alberto João Jardim costumam ser apontados como handicaps da defesa da regionalização, pelo estilo histriónico, pelas faltas de educação, pelo despesismo, pela constante chantagem financeira sobre os vários governos. O que a aprovação do Estatuto dos Açores – aprovado primeiro por todos os partidos e, na segunda volta, por PS, PCP, BE, CDS e alguns deputados do PSD – mostra é que não é o estilo arruaceiro, mas eficaz, de Jardim que prejudicam a defesa da regionalização, ofuscando a nobreza desse desígnio nacional; pelo contrário: é a regionalização que leva a que os líderes regionais, flamboyants como Jardim ou opacos como Carlos César, tenham excessivo poder de influência a nível nacional e obtenham legislação que defenda as suas regiões em deterimento do interesse geral ou financiamentos que não obteriam se não brandissem uma região, neste caso autónoma. Eu não quero a política nacional ao sabor de caciques locais, a la Jardim ou César, que os governates nacionais e os deputados à AR não queiram e não consigam contrariar, temendo vinganças posteriores.
Também (quase todo) no Jamais.
Grandes frases
“The tragic failure of Keynesian economics” de Steven Kates (IEA blog)
To paraphrase Margaret Thatcher, the trouble with Keynesian economics is that eventually you run out of other people’s money.
Progressividade fiscal (6)

Um argumento usado sistematicamente quando se refere a progressividade galopante do IRS é o de que existe uma grande desigualdade de rendimentos. Esta desigualdade de facto existe. Daí até o imposto atingir níveis punitivos vai uma enorme distância. No gráfico acima podemos ver o efeito de concentração do imposto. Temos a distribuição da população, do seu rendimento e do IRS que pagam, em função dos escalões existentes. É visível que a distribuição de rendimento é lopsided face à da população, sendo ligeiramente avançada para o lado dos mais ricos (eu diria antes menos pobres, se excluirmos aquele último escalão). Mas mais notável ainda é o efeito da passagem da distribuição do rendimento para a distribuição do imposto. Este efeito é punitivo. É esta punição que há quem pretenda agravar.
Progressividade fiscal (5)
Cortesia do Nuno Branco, aqui fica um gráfico com a distribuição da carga do IRS em função de classes sociais, cuja definição está aqui.

