Ética de pau ôco

Alguns “humanitários” têm andado nas nossas caixas de comentários a criticar a ética de Rand sem saberem do que falam. Sugerem que “ético” é usar a coerção do estado para praticar aquilo que eles entendem como “o bem”. Uma clarificação: Não existe ética sem escolha. Uma acção apenas pode ser julgada éticamente se fôr livremente escolhida. A coerção priva o indivíduo da ética. Torna-o um mero instrumento.

5 pensamentos sobre “Ética de pau ôco

  1. Carlos Duarte

    Caro Miguel,

    Claro que existe. Chama-se “moral” e é uma das bases do sistema jurídico. O sistema jurídico implica SEMPRE uma limitação da liberdade individual em função ou do bem-estar da maioria ou da liberdade individual de um terceiro. Portanto, “coacção” é uma necessidade para a vida em sociedade.

    Agora, mesmo considerando o que seu ponto – que acho que é este, mas corrija-me se estiver enganado – de que, por via de impostos e políticas sociais, somos obrigados a fazer caridade e que, como essa caridade não é feita directamente por nós, deixa de poder ser considerada ética, relembro-lhe que num sistema democrático e por via da representatividade, Vc. é co-responsável – que é algo que parece ultrapassar muita boa gente – pelas acções do seu Governo.

  2. Gostava de ter sido eu a chegar primeiro, mas o Carlos Duarte antecipou-se.

    O Miguel prefere ignorar o facto de Rand chegar ao ponto de ridicularizar toda a acção “altruísta” por achar que este tipo de acção é contra-natura, é contra o próprio interesse individual. Critica a sociedade que valoriza actos altruístas, intitula-os de uma barbárie de sacrifício individual. Basta ver umas entrevistas dela no Youtube.

    Não tenho nada contra quem não queira dar nada a quem precise de algo. Que ninguém vá para a cadeia por isso. Felizmente, no meu ponto de vista, existe muito boa gente disposta à caridade.

    Rand acha que o Homem tem de funcionar sozinho, com a sua mente como unica arma e funcionando num sistema de troca justa. Pois acontece que, infelizmente, existem pessoas que nada têm para oferecer em ordem de receber algo em troca. Haverão parasitas? Claro que sim. Mas tenha a certeza que muitos não o são, vergonha têm até de pedir.

    Defender um Estado como pessoa de bem que ajude a aliviar a pobreza de alguns (porque as desigualdades existem) não é necessáriamente ser-se socialista. Eu não o sou e defendo-o pelo menos. Eu vejo a compaixão como um bem, infelizmente não vejo o enaltecer da compaixão em Rand, vejo o enaltecer do “egoísmo” e por isso aponto-lhe essa falha moral/ética.

  3. Interessante que pessoas que não conhecem Rand (ou o Migas) se apressem a fazer juízos de valor, sobretudo com base em semânticas desligadas do contexto que criticam.

    Para Rand, o “altruísmo” implica o sacrifício do indivíduo — e isso era imoral. Pelo contrário, dizia que acções que beneficiassem terceiros seriam morais desde que resultassem em engrandecimento do indivíduo – e não na sua obliteração – subalternização a terceiros.

  4. Caro António,

    Se alguém aqui se apressou a fazer juízos não fui eu. Concerteza não fui eu que andei a chamar a malta de “socialista”.

    “Para Rand, o “altruísmo” implica o sacrifício do indivíduo — e isso era imoral.”

    Ora, para poupar palavras minhas, “altruísmo”:

    “Inclinação para procurarmos obter o bem para o próximo, filantropia.” (dicionário)

    “deliberate pursuit of the interests or welfare of others or the public interest” (wikipedia)

    Rand considera isto imoral. Foi o que eu disse. Não sei onde estão as “semânticas desligadas do contexto”.

    “Pelo contrário, dizia que acções que beneficiassem terceiros seriam morais desde que resultassem em engrandecimento do indivíduo – e não na sua obliteração – subalternização a terceiros.”

    Isso tem muito que se lhe diga. Para Rand, portanto, uma acção que beneficie terceiros apenas tem justificação ética se esta resultar no engrandecimento do indivíduo. Ou seja, se a acção que vise beneficiar o próximo não resultar num engrandecimento nosso, então não tem justificação moral. Discordo.

    “Altruism permits no concept of a self-respecting, self-supporting man—a man who supports his own life by his own effort and neither sacrifices himself nor others … it permits no concept of benevolent co-existence among men … it permits no concept of justice”

    Aynd Rand, “Virtue of Selfishness”

    Talvez a grande problemática é que Rand e os Objectivistas decidem dar às palavras “egoísmo” e “altruísmo” um significado mais produndo de filosofia de vida. Todos nós somos egoístas em algumas coisas e altruístas noutras. Por isso, nunca vi grande interesse (para além de meramente académico) em estar a dar novas definições a essas palavras.

    Cumprimentos

  5. Repito, e para quem já leu Ayn Rand isso é evidente – ela dá às palavras sentidos diferentes, porque a linguagem que existe está adadptada aos conceitos filosóficos existentes, e o que ela propunha era radicalmente diferente. Insistir em tirar conclusões utilizando os sentidos actuais das palavras é um homem-de-palha.

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