Ensino de excelência, ou uma geração de ignorantes na forja

Em Moscovo, a Susana guardou alguns rublos, moeda russa, para comprar lembranças para os
amigos. Decidiu que as lembranças teriam todas o mesmo preço.
Verificou que o dinheiro que guardou chegava exactamente para comprar uma lembrança de
35 rublos para cada um de 18 amigos, mas ela queria comprar lembranças para 21 amigos.
Qual o valor máximo que poderia pagar por cada lembrança, com o dinheiro que tinha?

Mostra como chegaste à tua resposta.

Esta é a 6ª pergunta do recente exame nacional de matemática do 9º ano. Imagino como serão as das Novas Oportunidades.

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34 pensamentos sobre “Ensino de excelência, ou uma geração de ignorantes na forja

  1. João, estás a esquecer-te que a conta é para ser feita em rublos… o que complica tremendamente o exercício… só o Carlos Fino ou o José Milhazes estariam em perfeitas condições de o resolver…

    Agora um nadinha mais a sério… é muito mau… e pelos vistos agora passou a ser demasiado pedir a alunos do 9º ano que saibam as fórmulas do perímetro e da área de, por exemplo, círculos ou a fórmula resolvente…

  2. JoaoMiranda

    A pergunta 5 é muito difícil. Há alunos universitários que não conseguem ler gráficos.

  3. Alexandre Gonçalves

    Estou admirado com a dificuldade da pergunta…repare-se, para dificultar a vida ao aluno colocaram números difíceis, podiam colocar cada prenda a 2 rublos para cada um dos 10 amigos mas que afinal queria comprar para 20 amigos.

    Depois de responder a esta, perguntas de trigonometria são para crianças…

    ps: será que podiam usar máquina de calcular? É que sem máquina duvido que muitos respondessem…

  4. “Parece um teste do meu filho no 4º ano…”

    No outro dia ajudei a minha filha num problema semelhante, mas com euros.
    Mas ela está no 3º ano.
    Com rublos seria uma maldade…
    🙂

  5. No comunicado da Sociedade Portuguesa de Matemática sobre o exame nacional de matemática do 3º ciclo do Ensino Básico:
    «2. Logo na pergunta 1, pede-se a média aritmética de três números: 382, 523 e 508. A
    facilitar ainda os cálculos, que são triviais na posse da calculadora permitida nesta prova,
    fornece-se a soma (1413) — é uma questão do 6.º ano de escolaridade. (…)»

  6. mf

    se fosse só de ignorantes ainda tínhamos safa , agora com uma geração que recebe notas e passagens sem nada fazer por isso..provavelmente também pensará que vai receber salário só por aparecer no emprego.

  7. Pedro

    Só uma pergunta: como é que era este país, quando todos eram genios em matemática desde crianças? Eu sou muito novo para me lembrar. Alguém me responde?

  8. “Só uma pergunta: como é que era este país, quando todos eram genios em matemática desde crianças? Eu sou muito novo para me lembrar. Alguém me responde?”

    Eu ainda me lembro.
    O País era atrasadito mas ninguém se achava um génio por saber resolver este tipo de problemas, antes dos 10 anos de idade.
    Aquele tipo de questões estudava-se até à 4ª classe e chamava-se aritmética.
    E não havia calculadoras, ou se havia eram proibidas quase até chegar à universidade.
    E mesmo aí eram controladas.
    Ah, e também era proibido contar pelos dedos, pelo menos a partir da 3ª classe.
    Em suma uma ditadura horrível.
    .

  9. Fartinho da Silva

    A culpa é dos professores…! Lembram-se? Pois é!
    Espero que todos nós abramos os olhos à verdade.

  10. Pedro

    Miguel e Mentat, têm de reconhecer que a minha pergunta é pertinente. Portanto, dizem voces que o nível de conhecimento de matemática, e obviamente de ciencia em geral, seria muito maior há trinta e tal anos, antes desta rebaldaria da esquerdalha, em que ninguém aprende nada. Qual horrível, qual quê, eramos uns barras. Reformlo a pergunta: porque é que das geraçoes anteriores raramente alguém se distinguiu na ciencia a nivel internacional? Porque é que (isto que vou dizer é uma heresia), a qualidade média dos nossos jovens na ciencia é muito maior do que era há cerca de trinta anos (para nao falar mais para trás, que tenho vergonha)

  11. mf

    Mentat , e as réguadas quando não trabalhávamos? acho que mais valia uma réguada ou duas de pequeno , quando se torce o pepino , que processos disciplinares no trabalho de grandes..ou uma suspensão ou um castigo do que despedimentos sucessivos.
    Muito grave o que está a acontecer : a vida não é fácil e estão a passar a mensagem , no lugar onde supostamente se aprende a superar dificuldades com trabalho , a ser exigente e disciplinado , de que é.

  12. mf

    Essa é fácil Pedro , houve sempre barras , não saíam era nas notícias nem iam para universidades no estranja , nem havia em Portugal laboratórios e essas coisas onde investigar e brilhar , tipo universidade de Aveiro. E muitos nem podiam continuar na escola , iam sachar batatas ou coisa parecida.
    É que o mundo da ciência também avançou , não foram só os cientistas cá do burgo. E foi dada a hipótese a pessoas muito inteligentes , que antes não a tinham , de frequentarem a escola até á licenciatura ou doutoramento.
    A questão é que esses jovens de que fala podiam ser muitos mais se o caminho da saber e do trabalho não fosse armadilhado para os que não nascem com um talento que resiste às mais duras provas do facilistismo público.

  13. Carlos Duarte

    Caro Pedro,

    Vc. está a confundir o ensino obrigatório com o ensino complementar. Os “barras” são-no a nível de ensino superior público que para já – e apesar de esforços no sentido contrário, diga-se! – ainda apresenta níveis qualitativos comparáveis aos melhores da Europa.

    Mas se falar com Prof. universitários que tenham alunos do 1o ano a seu cargo, TODOS lhe dirão que o nível de conhecimentos com que atingem o superior tem vindo a reduzir-se de ano para ano, o que levou as Universidade a, na melhor das hipóteses, estabelecer programas “extra” de requalificação (uma espécie de “ano zero” à pressão) ou, na pior das hipóteses, baixar o nível de exigência.

  14. Pedro

    Carlos Duarte, eu era capaz de apostar consigo que o nível médios de qualificação dos jovens que agora entram no superior é maior do que era há trinta anos. Eu já fui criança, conheci muitas e sei qual a diferença de conhecimentos gerais (humanísticas, ciências, etc) das crianças da altura, para as crianças de agora. Já para não falar no conhecimento nesses campos dos nosssos pais e avós. Aliás, se concorda comigo que há mais barras agora no ensino superior público, nem se compreende que diga que entraram burros… 😉

  15. Carlos Duarte

    Caro Pedro,

    Em não falei de potencialidade ou nível de inteligência. Falei, sim, de conhecimento. E eu garanto-lhe – na área que conheço, de ciências – que quem entra agora sabe bastante menos do que quem entrou a 10 anos. Oviamente que têm outras vantagens – mais à-vontade com computadores, p.ex. – mas essas vantagens advêem da sociedade (exposição mais prematura e mais intensa à tecnologia, p.ex.) e não da qualidade de ensino que receberam.

    Em relação ao número de “barras”, não me parece que hajam mais. Antes me parece que estão mais ao “descoberto”.

  16. “Portanto, dizem voces que o nível de conhecimento de matemática, e obviamente de ciencia em geral, seria muito maior há trinta e tal anos, antes desta rebaldaria da esquerdalha…”

    Pedro

    Eu não disse nada disso.
    Disse apenas que, o que hoje se designa por Matemática se chamava na altura Aritmética, o que quer dizer Cálculo, ou seja, uma componente da Matemática.
    E até ao fim da 4ª Classe as pessoas eram devidamente estimuladas a saber Cálculo, coisa que agora não acontece.
    Não vou entrar por discussões sobre pedagogia (para as quais não tenho competência), mas a verdade é que pelo que tenho lido, já começa a ser aceite que os métodos da época afinal não eram assim tão disparatados.
    .

  17. “Reformlo a pergunta: porque é que das geraçoes anteriores raramente alguém se distinguiu na ciencia a nivel internacional? Porque é que (isto que vou dizer é uma heresia), a qualidade média dos nossos jovens na ciencia é muito maior do que era há cerca de trinta anos (para nao falar mais para trás, que tenho vergonha)…”

    Pedro

    Pura questão de marketing.
    Aponte-me um nome dum “génio” actual que eu encontro um contra-ponto equivalente.
    E até lhe posso já apresentar alguns casos bem conhecidos frutos da educação do anterior regime (apesar de a maior parte deles nem simpatizantes são desse regime):

    Prof. Mariano Gago
    Engº Mário Pimenta (irmão do Carlos Pimenta e investigador do CERN)
    Prof. Carlos Salema (Telecomunicações)
    Prof. João Appleton (Engenharia Civil)
    Prof. Júlio Appleton (Engenharia Civil)
    Eng. Edgar Cardoso
    Eng. Manzanares Abecassis
    Etc., etc.
    Fui um pouco parcial, porque só mencionei os que conheci pessoalmente, mas apresente-me os actuais, que eu busco outros em outros campos da Ciência.
    .

  18. Pedro

    Uma nota prévia: eu não tenho estudos para afirmar o que afirmo, apenas convicções baseadas no que observo todos os dias (nisso, aliás, parece estarmos em condições de igualdade)

    Carlos Duarte
    É claro que a vantagem do uso das maquinas é também chamada para esta discussão. Eu agora vou-lhe perguntar uma coisa que lhe vai arrepiar os cabelos, concerteza, sendo você da area das ciências, mas arrisco: quantos colegas seus, daqueles que admira, que produzem boa ciência, conseguem fazer complexos cálculos de cabeça?
    Eu acho que a qualidade do ensino também resulta de as escolas cada vez mais colocarem à disposição dos alunos esses instrumentos, computadores, por exemplo.

    Mentat, é verdade que na primária antiga havia mais preocupação com a aritmética, o cálculo (eu seou desse tempo), mas ficava-se por aí, não havia era estimulo para o conhecimento científico, não se estimulava essa curiosidade, coisa que eu acho que há mais agora.

    Ainda sobre o seu ultimo comentário, Mentat: é só a impressão que tenho, pouco mais. Diga quem souber. Parece-me que os jovens que saem agora das faculdades têm agora mais qualidade media. Acho eu, repito. Todos os dias, quase, se vêm noticias de jovens que inventam qualquer coisa, que criam empresas de novas tecnologias, etc, etc, cada vez há mais artigos cientificos de jovens e menos jovens portugueses (formados depois do 25.A, atenção, isto é importante), em revistas internacionais.
    Isto, só para a ciência. Nas letras parece-me o mesmo. Apesar de se dizer que agora se escreve pior, vejo mais imaginação, mais criatividade, fruto não só dos estimulos da sociedade como da forma como os professores estimulam os alunos à leitura e dialogam com eles. Vocês sabem o que me ficou da análise dos sonetos do Camões e dos sermões do Padre António Vieira no Liceu? Muito pouco. Redescobri-os mais tarde, por pura curiosidade pessoal.

    Repito que não sou expert nestes assuntos, nem pouco mais ou menos.

  19. Carlos Duarte

    Caro Pedro,

    Sobre as calculadoras: eu não tenho problema absolutamente nenhum em que se usem calculadoras no Secundário e no Superior, para efectuar cálculos complexos! O que eu tenho problemas é que se usem calculadoras para efectuar cálculos simples (as quatro operações elementares) ou para resolver problemas algébricos (problema que só se põe nas calculadoras mais avançadas com um sistema algébrico incorporado). Ora, a nível de ensino básico, não vejo necessidade NENHUMA para o uso das calculadoras.

    Mais lhe digo, de há uns tempos para cá, faço QUESTÃO de fazer todos os cálculos (simples) para efeitos profissionais “à mão” e depois verifico-os ou no computador ou na calculadora. Isto porque cheguei à conclusão que, fazendo “à mão”, muitas vezes se obtêm informações preciosas que se perdem no cálculo automatizado.

  20. Pedro

    Pode ser, Carlos Duarte. O meu ponto principal é que, com ou sem calculadoras no básico, desconfio que a ciência avançará na mesma, até com mais velocidade, nas mãos dos nossos jovens. Acho eu.

  21. Carlos Duarte

    Caro Pedro,

    Mais rapidamente, não duvido! Existem – felizmente – muitos mais meios e muito mais “pedra” partida. O problema aqui é que o esforço desses mesmos jovens acabará por ser maior porque vão ser obrigados, fora de tempo e se calhar com menor “agilidade mental”, a aprender coisas que já deveriam saber.

    O problema não é o aluno que, coitado, leva com o que lhe dão. O problema é o ensino que lhe é dado!

    Eu acho que ninguém aqui está a defender que os jovens agora são mais “burros” (para usar o coloquial) que os jovens há 20 ou 40 anos atrás. O que se está a defender é que o ensino, a pedagogia, é pior. Não pior porque diferente (até porque em parte Vc. tem razão que algumas coisas foram corrigidas), mas pior por si mesma. Passou-se, se quiser, do 8 (decora, decora, decora, não questiona) ao 80 (não tem que “decorar” nada, tudo tem de ser intuitivo, tudo é questionável). E, em termos práticos de empregabilidade (mais um palavrão que desgosto) o 8, apesar de tudo, é melhor que o 80.

    Repare numa coisa, e isto é o meu caso pessoal, tive um ensino “básico” de caras e um secundário “fácil”, pelo que nunca me dei ao trabalho de me aplicar a sério nas matérias. Os “5” e os “18” vinham naturalmente sem grande esforço. Resultado: quando cheguei à Universidade tive um choque (felizmente!) e tiver que suar as estopinhas! E mesmo hoje, passado isso tudo, ainda sinto “falta” de não ter sido convenientemente puxado quando deveria.

  22. Fartinho da Silva

    Para se perceber bem ao que se chegou no que ao facilitismo diz respeito, basta dizer que o Ministério da Educação proibiu os professores de fazerem reset às máquinas de calcular nos exames, ou seja proibiu os professores de evitarem que os alunos copiem!

    Quem não acredita tal como eu não acreditei, basta lerem aqui a circular: http://sitio.dgidc.min-edu.pt/JNE/Documents/circulares/2009/Oficio_Circular_1743_09.pdf

    Quem quiser perceber bem a dimensão do problema, basta consultar o fórum exames.org em que os alunos não discutem como podem cabular, mas sim como podem processar os professores que os apanharem…; reparem nesta pequena conversa: “Podes fazer o que te apetecer com a informação que tens no “software” da calculadora.
    E se algum vigilante implicar contigo, estás à vontade para o processar.”

    Claro que segundo o Tonibler, a culpa destas circulares é dos… professores!

    Nota: julgo que todos sabemos que as máquinas de calcular gráficas permitem a entrada de dados escritos na memória.

  23. Moura

    Penso que todos sabemos que tanto ensino secundario como superior a questão de escrever formulas nas calculadoras ja devia estar ultrapassada. O objectivo da aprendizagem não é ensinar os alunos a decorar formulas mas sim perceber como se fazem as coisas. Mesmo quando ha um formulario o aluno pode ver uma nota qualquer que fez parte do seu estudo. Novamente digo, os alunos não servem pa decorar as coisas, mas sim percebe-la.

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