Peso em ouro

“Ronaldo vale 4.278 lingotes de [um quilo em] ouro” [Público]

Alguns cálculos:

  • 1 kg equivale aproximadamente a 32,15 onças;
  • Este mês (Junho de 2009) o câmbio médio USD/EUR foi, até agora, 1,40837;
  • Este mês a cotação médio do ouro foi, até agora, 960,95 dólares;
  • Usando os dados anteriores, 94 milhões de euros (valor da transferência do Cristiano Ronaldo) equivalem a cerca de 4.285 lingotes de ouro;
  • Em Julho de 2001, Zinedine Zinade foi transferido da Juventus para o Real Madrid por 76 milhões de euros;
  • Nesse mês, o câmbio médio USD/EUR foi de 0,861489 e a cotação média do ouro foi de 267,53 dólares;
  • Nessa altura, 76 milhões de euros equivaliam a 7.612 lingotes de ouro.

Leitura complementar: “Reserva de valor?”

15 pensamentos sobre “Peso em ouro

  1. Rui Manuel Quintino

    Há aqui um problema…
    Essa diferença enorme de valores explica-se principalmente pela desvalorização do dolar e é difícil de evitar porque não há uma taxa de conversão directa do euro para o ouro… O dolar desvalorizou-se muito por razões que não são praqui chamadas e a desvalorização do dolar também não é praqui chamada…
    Uma maneira melhor para comparar os preços tendo em conta o período era usar o nível de preços nas duas épocas…

  2. nem estranho não estranhar

    Desculpem, posso não estar a ver bem a coisa ou então alguns valores não estão correctos:
    – como é que, em 2001, valendo menos o ouro (em média), os milhões do Zidane davam mais lingotes?

  3. “É mais rigoroso refazer os cálculos em libras!”

    A transferência do Zidane foi em euros e os 94 milhões de euros do Cristino Ronaldo já foram calculados com base no actual câmbio GBP/EUR. Mas todas as moedas em circulação (incluindo o dólar, euro e libra) são moedas fiduciárias

  4. “como é que, em 2001, valendo menos o ouro (em média), os milhões do Zidane davam mais lingotes?”

    Se vale menos, os mesmos dólares compram mais lingotes!

  5. «“Uma maneira melhor para comparar os preços tendo em conta o período era usar o nível de preços nas duas épocas…”

    Mas o que pensar do nível de preços quando alguns bens/serviços não entram no cálculo do custo de vida?»

    Mas o ouro ainda mais problemático é – no caso do nível de preços, há montes de bens e serviços que não contam para o seu valor; no caso do ouro, só há mesmo um bem que conta para o seu valor (o próprio ouro).

  6. Miguel Madeira,

    Uma cabaz de bens e serviços não é considerado moeda! Ouro já o foi e a melhor crítica aos cálculos acima é que hoje, apesar de em época de políticas inflacionistas este metal ser usado como reserva de valor, ninguém o usa como método de transacção.

    Uma forma habitual, mas indirecta, de comparar os valores monetários de diferentes períodos é usar, como sugeriu Rui Manuel Quintino, o que se designa por “ajustamento à inflação”. O problema é que inflação da massa monetária pode não reflectir-se, de forma evidente, nos níveis dos preços. Por exemplo, durante esta recessão seria natural passar por um período de redução geral dos níveis de preços, dada a necessidade de se libertarem inventários de produtos sobrevalorizados e/ou com procura drasticamente reduzida (entre outros, na actividade hoteleira). Mas por causa dos bichos-papão “deflação” e “armadilha da liquidez” tudo se tem feito para evitar tal descida do nível de preços.

  7. Caro BZ

    Podia explicar a um leigo (eu) o que quer exactamente dizer “a necessidade de se libertarem inventários de …”? Quer dizer que os stocks estão em excesso por causa da inflação?

  8. LPedroMachado,

    A inflação da massa monetária (através da redução das taxas de juro) causou investimentos não sustentados que, com a recessão, terão de ser reajustados ou eliminados.

    Alguns exemplos:
    1. No mercado imobiliário construiram-se demasiadas casas durante a bolha especulativa. Os seus preços terão de descer. Ou seja, libertar as casas em inventário (desocupadas).

    2. No mercado automóvel, a aparente riqueza do mercado imobiliário (casas sobrevalorizadas) aliada a baixas taxas de juro “criou” uma procura não sustentada por novos carros. Fábricas terão de fechar e concessionários com carros em inventário terão de baixar preços face à reduzida procura.

    3. As baixas taxas de juro fizeram crescer (exponencialmente) o mercado de crédito ao consumo. A não sustentabilidade da procura obrigará muitos sectores de actividade a, primeiro, vender a preços de saldo produtos ainda em inventário e, depois, a reorganizar os seus recursos (falência ou redução da produção).

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