Soft power iraniano

Falamos muito do soft power europeu e da administração Obama. Esquecemos depois que os ‘outros’ também podem ter o seu. Também podem ser soft a não apenas hard. Também fazem jogo diplomático, também são espertos, também se encontram, discutem pontos de vista em comum e, por vezes (quem sabe), até se aliam.

Foi esta a tónica da cimeira dos presidentes do Irão, Afeganistão e Paquistão, realizada no passado Domingo, na capital iraniana. Os iranianos, enquanto armam os talibãs e também dão dinheiro para obras públicas no Afeganistão, acusam os EUA de fomentarem o terrorismo na região, ao invés de o combater. O Paquistão, acusado por Washington de não utilizar bem o dinheiro que recebe para combater os talibãs, pretende informar a Casa Branca que sabe fazer os negócios à sua maneira (à maneira da região). Já o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, gostava de contar com os votos da tribo tajik (persa) para as eleições de Agosto deste ano. Tudo é possível, quando se conversa.

O soft power faz-se nos encontros entre líderes, trocas de impressões, meras conversas e aproximações entre as várias partes. São uma oportunidade para os governos se sondarem uns aos outros. É uma boa técnica, mas não foram os europeus que descobriram a pólvora.

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15 thoughts on “Soft power iraniano

  1. Luís Lavoura

    Concordo com tudo mas tenho fortes dúvidas sobre a frase “Os iranianos, enquanto armam os talibãs”. Isto está provado? Ou são apenas calúnias? Os iranianos armam mesmo os talibãs? Por quê? Com que intuitos?

    Que eu saiba, quem armos os talibãs durante muito tempo foram a CIA e os serviços secretos paquistaneses. E atualmente os talibãs dispõem de ópio, e portanto de dinheiro para comprar as armas que queiram – e neste mundo não faltam fornecedores. Não vejo por que motivo haja de ser política do Estado iraniano o andar a vender armas aos talibãs.

  2. CN

    Não tenho conhecimento do Irão a armar os Talibans com quem não têm afinidades. O Irão terá interesse no objectivo difícil ou impossível de querer o Afeganistão com um Estado funcional e não ganha nada que também o Paquistão se desintegre por “unintended consequences” de todo o intervencionismo da NATO no que se classifica de “cemitério dos impérios”, coisa provavel dado a enorme capacidade das coisas correrem mal e ao contrário do que se espera.

  3. Luís Lavoura

    Os sítios referidos pelo Miguel têm todo o aspeto de serem propaganda norte-americana ou de grupos direitistas.

    Não se deve acreditar em todas as coisas que se vêem escritas na internet, sobretudo quando pode haver interesses de Estados poderosos por detrás dessa desinformação. É evidente que os EUA, por não gostarem do Irão, têm todo o interesse em espalhar notícias difamantes sobre esse país.

    Eu acredito que haja armamento de fabrico iraniano na posse dos talibãs. Já tenho fortíssimas dúvidas que esse armamento seja diretamente fornecido pelo Estado iraniano. Quase de certeza ele é, simplesmente, vendido por traficantes de armas.

    Qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa – e nem precisa de ser um liberal! – desconfia de certas notícias, quando vê a quem elas podem servir.

  4. “Os sítios referidos pelo Miguel têm todo o aspeto de serem propaganda norte-americana ou de grupos direitistas.”

    Exacto. Como é o caso da BBC.
    É melhor ficarmos por aqui. Não vale a pena perder mais tempo consigo.

  5. “Os sítios referidos pelo Miguel têm todo o aspeto de serem propaganda norte-americana ou de grupos direitistas.”

    Por exemplo, a BBC e a MSNBC. Esses reconhecidos ninhos de propagandistas-direitistas. Deve-se sempre desconfiar dessas fontes. Sempre.

  6. CN

    As dúvidas devem permanecer mas admito que tudo seja possível, incluindo extremistas dentro do regime iraniano com iniciativas próprias (Os EUA também o tiveram no assunto dos “Contra” na altura de Reagan).

    A percepção sobre verdades varia muito com disposições para este linha ou aquela linnha. Vimos a quantidade de erros feitos no caso do Iraque apenas por “querer” muito acreditar em casus bellis reais e objectivos.

    Uuma cimeira com o Irão achando que existe o apoio institucional do Irão parece-me difícil.

  7. lucklucky

    Uh! cimeiras destas sempre existiram. E esta não tem nada soft quando está um pau por trás. Qualquer dos países pode desestabilizar o Afeganistão.

    “Qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa – e nem precisa de ser um liberal! – desconfia de certas notícias, quando vê a quem elas podem servir.”

    Sim há quem não tenha dois dedos de testa para ver como interessa ao Irão ter um Estado clientelar ali ao lado e ainda menos um Aliado dos Americanos. A desestabilização do regime até certo ponto faz parte da receita.

  8. Luís Lavoura

    Miguel, eu é que não deveria perder mais tempo consigo.

    As informações da BBC são pouco mais fiáveis como as outras. A BBC está sujeita à desinformação das suas fontes. Eu li o artigo da BBC e o que eles dizem é que há armas iranianas no Afeganistão, e que alguém alega que algumas delas foram fornecidas por pessoas “ligadas ao regime iraniano”. Isto é muito pouca informação sólida. São umas “bocas”, pouco mais.

  9. CN

    “O casus belli no Iraque existia.”

    Eu sei que acredita nisso, mas olhe que existe mais vida para além de defender tudo o que o “Ocidente” fez de errado e no sentido provavel de estar a acabar o suícidio civilizacional que começou com a WWI.

  10. lucklucky

    Eu acho que o suícido civilizacional começou com o Romântismo e o fim da ligação a um qualquer Deus e continuou com a Esquerda mas isso é outra história.
    Primeiro não foi o Ocidente infelizmente, foram só os EUA e foi a coisa mais certa que Bush fez. E os resultados são bastante bons.

  11. Pingback: Diz que é uma espécie de inevitabildade « O Insurgente

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