da morte anunciada

Sete-Dias-Loureiro

Manuel Dias Loureiro está morto. Política e socialmente falando, claro está, que da outra morte, da que é física e irremediável, ainda se vai livrando.

Esta morte anunciada não surpreende ninguém. O obituário de Manuel Dias Loureiro há muito estava escrito, faltando apenas determinar a hora para que as exéquias tivessem lugar. Começaram ontem, com direito a cobertura mediática exaustiva, como se de um funeral de estado se tratasse.

Independentemente das responsabilidades que possa ter e que, até agora não foram reveladas, não deixa de ser espantoso que todos soubéssemos, há muito, que este seria um desfecho inevitável. Em boa verdade, não sabemos ainda de que é acusado, já que ser mentiroso, como Oliveira e Costa ontem o qualificou, não constitui, por si, crime algum, temos uma vaga ideia de que possa ter responsabilidades na situação de insolvência de um banco que com muitos outros, de quem ninguém fala, geriu, mas todos sabíamos intimamente que acabaria condenado.

Entretanto, alguns órgãos de comunicação social vão dando conta de que se estão a enterrar os restos do cavaquismo. O cavaquismo findou na primeira metade da década de 90, e, mais de quinze anos passados, ainda não enterrámos devidamente o cadáver. Em qualquer circunstância, Cavaco Silva, agora Presidente da República, não ficará bem na fotografia, sendo, pelo menos, responsável por um excesso de ingenuidade na gestão que lhe compete dos órgãos de estado, ao promover uma tão “desqualificada” figura, da qual até o mais humilde dos portugueses tinha justas e, agora, fundadas desconfianças.

Sem instituições, o país continua entregue às pessoas que o vão governando, às suas questões íntimas e pessoais. E disso – e só disso – nos vamos todos alimentando. O folhetim Dias Loureiro, mais um a juntar aos muitos dos últimos anos, é apenas a confirmação do estado de coma em que se encontra Portugal e do qual já não sairá sem violência.

8 pensamentos sobre “da morte anunciada

  1. “O folhetim Dias Loureiro, mais um a juntar aos muitos dos últimos anos, é apenas a confirmação do estado de coma em que se encontra Portugal e do qual já não sairá sem violência.”

    Temo que pela violência não vamos lá, os mais brutos e os que gritam mais alto não são certamente onde está a razão apesar de pela força certamente se conseguirem impor nos próximos anos.

  2. lucklucky

    Se os homens civilizados recusam a violência para se defender quando atacados com violência a civilização acaba.

  3. Fernando S

    “… do estado de coma em que se encontra Portugal e do qual já não sairá sem violência.”

    Independentemente da maior ou menor pertinencia e validade da analise … esta conclusão não é um pouco exagerada ?!….

  4. “Sem instituições, o país continua entregue às pessoas que o vão governando,…,é apenas a confirmação do estado de coma em que se encontra Portugal e do qual já não sairá sem violência.”

    Caro Rui Albuquerque

    Há um certo paradoxo no que diz.
    Se o país não tem instituições, então como começará a violência que o tirará do coma?
    É que eu não tenha dúvidas, que seja possível e provável, eclodirem fenómenos de violência espontânea.
    Mas se essa violência não tiver nenhuma instituição que a conduza, o seu resultado não tirará Portugal do coma, matá-lo-á de vez.

    Depois não percebo que instituições faltam a Portugal.
    O problema não será Portugal ter instituições a mais, sustentando muitos, mas sustentadas por cada vez menos?

    E quanto à temática da nossa busca eterna do Príncipe Perfeito, não sei, em que é a Direita difere da esquerda nesse ponto, e não sei em que é que Portugal difere dos outros países.
    A única diferença é que nós consagrámos essa busca em Poema e em Prosa, os outros Povos disfarçam melhor.
    Encontre-me um exemplo dum País do Mundo, em que um qualquer avanço civilizacional, não esteja intimamente ligado a um determinado líder carismático.

    Obviamente que me falta palavras e mérito para lhe explicar as razões que eu encontro para a nossa decadência, mas duas delas são:
    1. O tal “desenrascanço”, que ao não exigir grande qualidade às elites intermédias, permite a promoção de pessoas como Dias Loureiro e Sócrates aos lugares em que estão.
    2. O estrangeirismo das nossas elites académicas que perdem mais tempo a estudar autores estrangeiros do que a tentar conhecer o Povo de onde provêem.

    Ao contrário do que me parece ser a sua opinião, o Povo que eu conheço e com que lido todos os dias é muito pouco subserviente ao Estado (são aqueles que são contribuintes líquidos para o OGE).
    Pelo contrário viveriam muito bem (e melhor) se o Estado os deixasse em paz e sabem disso.
    E se houvesse políticos que tivessem a coragem de se apresentarem a votos dizendo isso mesmo, seriam eleitos.
    Ainda ontem ouvi o líder conservador britânico apresentar a sua plataforma eleitoral exactamente nestes termos – menos estado, menos regulamentos, menos legislação feita em Bruxelas, mais poder para o indivíduo.
    Aposto que ganha as eleições.
    .

  5. ruialbuquerque

    Meus Caros,

    A violência de que falo não consiste propriamente numa revolução. Tão pouco digo que cheguemos lá, mas somente que só sairemos do ponto onde estamos com ela. Também não acredito que exista força anímica nos portugueses para se rebelarem, de resto, praticamente nunca o fizeram ao longo da História: as nossas “revoluções” são mais golpes de palácio e pronunciamentos de descontentementos corporativos do que propriamente revoltas populares.

    A violência a que me refiro será de ordem social e incidirá sobre os portugueses e não tanto sobre as elites que nos governam. Aliás, já começou: aumento exponencial do desemprego, aumento exponencial da pobreza, dificuldades acrescidas de vida, violência psicológica deste género de tricas.

    Quanto a Dias Loureiro, o sentido do post não é de o condenar. Não tenho, nenhumde nós tem, pelo menos por enquanto, argumentos para o fazer, pelo menos argumentos técnicos no caso do BPN. O sentido do post era constatar que, apesar disso, ele há muito está condenado. Este género de violência psicológica com que o país se tem entretido nos últimos anos, está a condenar e a envenenar toda a nossa vida social.

  6. Miles

    A podridão actual em que até o 1º anda por aí enrredado em águas turvas tem origem no abuso que se deu e quando ninguém combateu os primeiros corruptos.Agora sabem todos uns dos outros menos pelos vistos a justiça que nunca actua…
    A continuar a roubalheira(que é disso que se trata) compensada com “abortos, casamentos gays, “nacionalizações” aos montes(o que só agrava o problema) será mesmo á porrada que as coisas se resolverão

  7. Pingback: O Insurgente

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