Não se pode dizer que não fosse previsível

Depois do Japão, o Reino Unido. Só falta a vaca sagrada: os EUA.

9 pensamentos sobre “Não se pode dizer que não fosse previsível

  1. Luís Lavoura

    Mas quem compra a dívida pública dos EUA não são, em grande parte, investidores particulares, e sim os bancos centrais dos países asiáticos e (em menor escala) árabes. Ou seja, na compra dessa dívida pública o que está envolvido não é tanto uma avaliação de risco como um jogo político e comercial.

    O governo chinês atua como uma espécie de capitalista marxista, que extrai a mais-valia do trabalho dos chineses, impedido-os de aumentar o seu consumo e, em vez disso, investindo essa mais-valia em obrigações do tesouro norte-americano. Isso contribui para manter a economia americana à tona e para manter o grande deficit comercial entre a China e os EUA. Se o governo chinês deixasse de roubar aos chineses a mais-valia, o consumo privado chinês aumentaria substancialmente e o tesouro americano (e a economia americana no seu todo) ver-se-ia à rasca, porque deixaria de ter, em grande parte, quem lhe comprasse a porcaria das suas obrigações.

  2. “Se o governo chinês deixasse de roubar aos chineses a mais-valia, o consumo privado chinês aumentaria substancialmente e o tesouro americano (e a economia americana no seu todo) ver-se-ia à rasca, porque deixaria de ter, em grande parte, quem lhe comprasse a porcaria das suas obrigações.”

    Luís Lavoura

    Desenvolva melhor lá essa teoria, que é interessante.
    Com que então, o governo chinês rouba o seu próprio povo, para comprar a “porcaria” das obrigações do Tesouro dos EUA, porque assim pode continuar a vender coisas baratas para os EUA e assim continuar a roubar os pobres dos chineses.
    E fazem isso por maldade pura, estupidez, ou porque na realidade o Partido Comunista Chinês é uma secção secreta da CIA?
    E se não é por nada disso, não podíamos convencê-los a comprarem antes títulos do tesouro português?
    Assim como assim, também compramos muita “tralha” chinesa e sempre temos relações históricas mais antigas.
    Desconfio que deve haver razões mais “pragmáticas” para os comunistas chineses se comportarem dessa maneira.
    .

  3. Caro Luciano

    Eu não percebo nada disso de “ratings”, mas deduzo que se só falta baixar um, o dos EUA, se isso acontecesse, queria dizer que se estava a subir todos os outros, não era ?
    Mesmo numa corrida de “coxos” presume-se que um dos “coxos” chegará na frente.

    PS:As minhas desculpas, pela falta de elegância da comparação.
    .

  4. lucklucky

    O rating já devia ter baixado para eles todos as pressões políticas sobre as agências é que não deixam.

  5. Mentat,

    Não necessariamente porque os ratings traduzem (supostamente) risco em termos absolutos e não apenas relativos.

    Ou seja, pode acontecer que aumente o risco de todos os Estados. Aliás, com os disparates keynesianos que têm sido feitos, é mesmo isso que tem acontecido, independentemente de tal estar ou não reflectido nos ratings…

  6. Luís Lavoura

    Mentat,

    não tenho muito a desenvolver na minha teoria, a qual aliás é apenas um sketch feito por umn leigo.

    O governo chinês segue esta estratégia porque foi a forma que escolheu para desenvolver a China. Desevolve-a à custa das exportações e da `exploração’ do mercado americano. Outros países há (por exemplo, a Índia) que se estão a desenvolver de forma diferente, nomeadamente explorando o mercado interno. Cada país segue a sua estratégia de desenvolvimento e a chinesa, a avaliar pelos resultados até agora, até nem parece ser má de todo.

    Uma vantagem substancial para os governantes chineses de aplicarem as suas poupanças em títulos do tesouro americano é que esses títulos têm elevada liquidez, isto é, são fáceis de transacionar a qualquer momento. Isto quer dizer que, a qualquer momento, os chineses podem, se precisarem de dinheiro, vender umas tantas obrigações do tesouro americano, porque há sempre quem as compre. Essa é uma enorme vantagem dessas obrigações quando comparadas com as obrigações emitidas por qualquer Estado europeu, e com muito maior razão por Portugal. O mercado de obrigações do tesouro americano é líquido, o mercado de obrigações do tesouro português é ilíquido.

  7. Luís Lavoura

    AAA (#5)

    Você tem razão mas, por outro lado, os investidores têm que investir nalguma coisa. Não havendo produtos sem risco em que investir, os investidores investem de bom grado em produtos com risco, como a história tem repetidamente demonstrado. Foi isso que, em boa parte, causou, por exemplo, a crise da dívida na América Latina nos anos 80; os investidores sabiam que financiar os governos latino-americanos era arriscado mas, apesar disso, faziam-no… até que aquilo estourou, e muitos investidores tiveram que ser dolorosamente apartados do seu dinheiro.

  8. “Você tem razão mas, por outro lado, os investidores têm que investir nalguma coisa.”

    Sem dúvida. Eu não sugeri que os investidores iam deixar de comprar dívida pública. Apenas que o risco desta está, em termos gerais e devido à intensificação das políticas keynesianas, a aumentar e isso não é nada bom.

  9. Vasco

    “Isto quer dizer que, a qualquer momento, os chineses podem, se precisarem de dinheiro, vender umas tantas obrigações do tesouro americano, porque há sempre quem as compre. ”

    Por enquanto…

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