monarquia: conclusões

Não me surpreenderam as reacções de indignação aos meus últimos posts sobre a monarquia (aqui, aqui, aqui e aqui), provenientes de alguns sectores monárquicos. Elas apenas confirmaram o que de há muito suspeitava: a profunda e inultrapassável divisão entre os monárquicos portugueses, que os impede de apresentar ao país uma alternativa uniforme ao regime republicano. Essa divisão, no fim de contas, é muito antiga e continua a separá-los em “legitimistas” e “liberais”. Curiosamente, se a amostra da blogosfera for representativa, com amplo predomínio dos primeiros sobre os segundos. A minha conclusão é, portanto, esta: os monárquicos portugueses continuam reféns de 1834 e nunca serão capazes de ultrapassar essa profunda divisão.

9 pensamentos sobre “monarquia: conclusões

  1. Rui, marimbe-se nos “monárquicos” e continue a defender a monarquia (se quiser criar qualquer coisa monárquica e constitucional a sério, apite). Outra coisa: em Portugal, os “legitimistas” são os monárquicos constitucionais porque D. Pedro IV é que era o rei legítimo (a importação do termo de França para o colar aos miguelistas (ou absolutistas) é uma forma reles de propaganda a que nenhum liberal se deveria prestar). Abraço.

  2. É verdade o que o Rui refere e desculpe que lhe diga: se assim não fosse a questão era muito grave. Conheço bem socialistas, social democratas, conservadores e ultramontanos monárquicos. So what?
    Mas já pensou o Rui na divisão inconciliável entre os republcanos? O que é que têm em comum Fernanda Câncio, Vital Moreira, o reverendo Louçã, Manuela Ferreira Leite e Sarsefield Cabral? São republicanos.
    Cordiais saudações,

  3. ruialbuquerque

    Caro Luís,

    Como reparou certamente, coloquei entre aspas a expressão.

    Abraço e um dia destes falaremos,

  4. ruialbuquerque

    “Mas já pensou o Rui na divisão inconciliável entre os republcanos?”

    Claro que pensei, caro João Távora. Há, todavia, uma diferença de substância que, desculpe-me que lhe diga, a meu ver não beneficia alguns defensores da monarquia. É que os republicanos – com excepção de grupos muito minoritários -, não questionam a natureza constitucional do regime, nem o Estado de Direito, isto é, a natureza contratualista do estado, a separação e a limitação de poderes soberanos, e a democracia. O que não me parece ser o que pensam, se bem os entendi, os “legitimistas” monárquicos, que, inclusivamente, também não me parece terem sequer grande apreço pelas monarquias europeias actuais. Mas posso ser eu que entendi mal. Apreciava que alguém me esclarecesse, por exemplo, o que pensam os legitimistas da monarquia espanhola actual, ou da monarquia liberal inglesa. Fico à espera.

    Saudações cordiais,

  5. ruialbuquerque

    Para concluir, caro João, deixe-me, então, dizer-lhe que o que me parece separar os “legitimistas” dos monárquicos constitucionais – os dois grandes grupos em que eles parecem dividir-se, em Portugal -, é a própria natureza do estado e não tanto o sistema de governo do mesmo. Ser republicano socialista, liberal, democrata-cristão ou social-democrata não implica um juizo político de valor sobre a natureza constitucional e democrática do estado. Creio que o mesmo não se poderá dizer dos monárquicos legitimistas.

    Saudações,

  6. Pingback: algumas dúvidas legitim(ist)as « O Insurgente

  7. José Souza Brandão

    Não posso estar mais de acordo com o post. Realmente, os monárquicos portugueses estão divididos há 175 anos. Como monárquico, ideologicamente, sou até da opinião que essa cisão foi o que criou instabilidade suficiente para se conseguir a queda da monarquia.

  8. Caro Rui: acha mesmo que os republicanos comunistas e bloquistas não questionam a natureza constitucional do regime, nem o Estado de Direito, isto é, a natureza contratualista do estado, a separação e a limitação de poderes soberanos, e a democracia? Olhe que estes republicanos representam actualmente quase 20% do eleitorado.
    Ao contrário, os monárquicos “legitimistas” podem possuir muitos blogues, mas certamente representam uma ínfima minoria – acredite.
    Abraço,

  9. Então, se o Rui tem como argumento fundamental a questão contratualista, o que dizer do BE e do PC que sabemos rejeitarem liminarmente o tipo de construção estatal que possuímos? São os “legitimistas” da república? Se o Rui se der ao trabalho de consultar os blogues assumidamente monárquicos, poderá facilmente verificar que o preconceito não tem qualquer razão de ser.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.