Uma questão de conveniência

Apesar de grande número das especulações políticas tenderem para, depois das legislativas de Outubro, um eventual novo Bloco Central, continuo a considerar, caso o PS vença sem maioria, uma aliança PS/CDS como o cenário mais provável e aquele que satisfaz os mais variados interesses.

Interessa ao PS, porque garante a sua manutenção no poder; interessa ao CDS porque, permitindo o seu regresso ao governo, evitará o fim de mais uma vida política de Paulo Portas; aos partidos de extrema-esquerda, porque não assumem responsabilidades políticas; ao PSD, na medida em que ganha tempo para reformular o seu discurso. Os novos tempos políticos exigem debate ideológico e o PSD precisa de se preparar para ele.

Interessa ao país, pois fica assegurada a estabilidade governativa sem ajuda da extrema-esquerda. É conveniente para Cavaco Silva, na medida em que se submeterá pouco depois a eleições e não pode andar a ‘fabricar’ governos a torto e a direito.

Não tento adivinhar o quer que seja. Limito-me a reparar que a solução PS/CDS é a mais conveniente para todos. Aquela em que cada um recebe a sua parte e ganha tempo para retomar o fôlego que precisa.

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10 pensamentos sobre “Uma questão de conveniência

  1. desde quando a manutenção do ps no (des)governo tem qualquer interesse ao país? quando muito ao cds e mesmo assim, é irrelevante para o país, pois o cds neste momento não tem nem perfil nem qualidade política para participar nm qualquer governo…

  2. hotboot

    2 observações:
    – O perfil de Sócrates não me parece compatível com qualquer plataforma de entendimento com qualquer partido, a única razão que vejo para tal será aproveitar uma coligação fracassada para fazer o discurso calimero que tb é uma das especialidades do Sr 1º ministro, e mesmo neste presunção penso que o discurso PS contra todos e que não tem “condições para governar” mais de acordo com o nosso 1º.
    – Não existe garantia que PS + CDS > 115 deputados, principalmente por um eventual enfraquecimento do CDS.
    Uma observação pessoal acha mesmo que um governo liderado por gente do nível de Sócrates com ministros ao nível dos actuais pode interessar ao País? Pessoalmente parece-me mais provável um governo de minoria do PS ao qual o PSD em contragosto vai apoiar no Parlamento nas grandes questões (ainda que seja abstendo-se) até que passados 10 – 15 uma questão de menor importância faça que o governo se demita por falta de condições…

  3. Luís Lavoura

    “[interessa] ao PSD, na medida em que ganha tempo”

    Eu diria que a generalidade das pessoas do PSD está interessada em ganhar o poder e não em ganhar tempo.

    “o PSD precisa de se preparar para [um debate ideológico]”

    Eu diria que o PSD não está interessado num debate ideológico e sim em alcançar o poder.

    O PSD, como o PS, é uma máquina de consumir poder. O PSD precisa de poder, foi feito para conquistar e aproveitar o poder. Não foi feito para debates ideológicos nem para usar o tempo neles. Ideologia é o ponto fraco do PSD (e de Portugal em geral, aliás).

  4. E essa coligação interessará ao CDS?

    Por outras palavras, estará o CDS interessado em participar num governo que provavelmente tomará medidas impopulares e depois ainda ser ultrapassado “pela direita” pelo PSD nas próximas eleições?

  5. André: desta vez discordo em absoluto.
    Para o país, uma maioria seja-qual-for com o PS, é prejudicial. E não haverá “fôlego” que nos valha.
    Prediro confiar, como o Luís Melo, que o PSD consegue obter a maioria, e digo mais: ainda que “por uma unha negra”.

  6. Também preferiria uma maioria absoluta do PSD. Contudo esse cenário apresenta-se pouco provável. Mas esperemos para ver (e já agora façamos tb alguma coisa por isso).

    Quanto ao comentário do Luis Lavoura, que afirma que o PSD não tem ideologia…a verdade é que muitos dos militantes do PSD é que se estão nas tintas para a ideologia do seu partido e sim, querem poder, poleiro…é pena mas é verdade, porque o partido até tem ideologia e das boas (embora um pouco esvaziada, parece-me na última revisão de 92. Mas está lá o essencial: o primado da pessoa:

    “O PSD considera a pessoa humana, a sua vida, dignidade e consciência, como um valor anterior à sociedade e ao Estado, dos quais constitui o fundamento. E por isso foi sua a iniciativa da consagração do
    princípio personalista na Constituição da República Portuguesa” , Parte II, n1

    http://www.psd.pt/archive/doc/programa.pdf

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