2009 não é 2004? E então?

O Henrique Raposo responde ao meu post. Diz ele que 2009 não é 2004. Ele tem “uma novidade” para mim (logo desqualificando-me ao dizer que eu não percebo nada), a de que todos os políticos são “oportunistas sedentos de poder”. E que por isso, eu não preciso que ele seja suficientemente bom para vir tomar chá cá a casa (coisa que talvez fizesse falta ao homem), apenas que ele nos “represente politicamente”. E pergunta-me: “queremos um Presidente de Comissão português, que ainda por cima tem tendências liberais?” Quanto ao facto de ser português, dispenso, se a sua política não for a mais correcta. O que nos leva às tais “tendências”. É possível que Durão as tenha, e eu próprio acreditei que sim (era jovem e ingénuo). O problema está em que, como já demonstrou à saciedade, não tem grandes problemas em escondê-las bem fundo, quando elas não servem a sua ambição pessoal. Como é que posso esperar que ele me “represente politicamente” se ele não hesita em esquecer os seus compromissos (e nem sequer estou a falar da saída em 2004, mas das políticas que desenvolveu entre 2002 e 2004)? O Henrique diz-me que “o asco pessoal que podemos ou não sentir pelo político X ou Y não interessa na analise política”, que “análise política com ressentimento tem um nome: terapia”. Ora o meu (muito vincado) asco em relação a Durão Barroso é puramente político: ele é alguém que subordina totalmente a sua acção política aos seus objectivos pessoais, e que por isso, inviabiliza a condução de qualquer política minimamente decente. E se “análise política com ressentimento tem um nome: terapia” (veja-se, não só preciso que o henrique me dê novidades como sou maluquinho), louvar um político porque ele é bom a enganar-me e a promover exclusivamente os seus interesses pessoais também tem um nome: estupidez.

10 pensamentos sobre “2009 não é 2004? E então?

  1. e depois Bruno?

    não que jogar com o que temos? aparte o tema da nacionalidade, que tanto se me faz como se me deu, há melhor que Durão Barroso para ocupar o cargo?

  2. “…como se houvesse um político que não fosse oportunista e sedento de poder. A política é isso.”

    Um dia depois de se ter canonizado um Português que deu exemplo exactamente do oposto, há quem defenda esse conceito de política e que temos de nos contentar com isso.
    Curiosamente os descendentes desse Português defenestraram um outro que na altura corresponderia ao que é hoje Durão Barroso.
    Que pena já não haver Homens desse calibre.
    .

  3. terrivel

    O pensamento do HR é o de um taxista sofisticado, salpicado com umas tentativas falhadas de emular o MEC e o JPC.

  4. Bruno Alves

    “Há melhor que Durão Barroso para ocupar o cargo?”

    Caro Manuel,

    Talvez haja, talvez não haja. Confesso que não pensei muito sobre isso, porque não voto para o presidente da Comissão Europeia (nem quero votar). Mas o percurso político de Durão Barroso, esse, conheço bem e estou longe de o avaliar positivamente…

  5. Filipe Abrantes

    A imoralidade é defendida por Raposo com o maior dos à-vontades. Já estamos habituados.

  6. Filipe Abrantes

    Sem esquecer a fantasia de se comparar a Aron. Chegámos ao grau de loucura mais profundo.

  7. G.S

    Não se pode disassossiar as acções de um político – boas ou más – com a falta de ética na feitura das mesmas. E aqui a falta de ética reside na quebra do compromisso firmado com os portugueses em 2002, e como o Bruno bem disse, no aproveitamento desse compromisso para fins meramente pessoais, uma verdadeira usurpação das oportunidades decorrentes do poder que lhe foi delegado pelo país.
    O Henrique Raposo esquece-se que mesmo que os actuais políticos sejam por natureza obcecados pelo poder (com tudo o que isto tem de vago e de conversa de café: será que a MFL cabe nessa definição, por exemplo ?), isso não constitui uma característica apreciável e até normativa de um grupo social que, primeiro do que buscar o poder per se, deve buscá-lo para servir os outros: não é esta a ideia da representatividade democrática ? O pior de tudo é que quando me lembro de políticos “obcecados pelo poder” só me vêm à cabeça tesourinhos deprimentes. Afinal de contas, foi essa ideia de “todos os políticos serem “oportunistas sedentos de poder e reconhecimento” que permitiu que Durão tenha feito aquilo que fez; e que um outro PM apesar de todos os escândalos ainda não tenha mostrado um pingo de vergonha, quanto mais pensar em demitir-se…

  8. José Barros

    Post exemplar.

    O estilo velhaco da geração “Independente” é precisamente aquilo de que o comentário político não precisa. Redunda na negação de “evidências”, como sucedeu neste caso. Alguém em Portugal quer saber de Durão? Claro que não. E o mesmo de outros actores políticos que, pelos seus actos, demonstram o seu desprezo pelos cidadãos que os elegeram. Um bom exemplo é o de Ana Gomes que se presta a ser candidata a dois cargos cujo exercício simultâneo é incompatível e, como a própria reconhece, ilegal.

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