A promoção de um terrorista e as vítimas esquecidas

O Crime Compensa de Manuel Castelo-Branco

Otelo Saraiva de Carvalho foi o líder operacional das FP-25 de Abril. Este facto foi julgado e provado em tribunal. Entre os crimes de que foi acusado, estavam o assassinato de 17 pessoas, de uma forma fria brutal e cobarde. Apesar disso, Otelo foi promovido a coronel por despacho conjunto do Ministro da Defesa e das Finanças.

Entre as vitimas, estava o meu Pai, Gaspar Castelo-Branco, Director Geral dos Serviços Prisionais, assasinado a sangue frio, de forma cobarde, com dois tiros na nuca. Apesar da sua coragem e sentido de dever, Gaspar Castelo-Branco, foi ostensivamente esquecido pelo poder vigente. No ano da sua morte, foi proposto para uma condecoração, recusada por Mário Soares.

Hoje, Otelo é promovido a coronel, com uma indemnização superior aquela que receberam as vítimas que assassinou. Não vale a pena expressar ainda mais a minha vergonha, revolta e incompreensão. Este Ministro que o promoveu, não tem memória nem vergonha, não merece o meu respeito nem dos Portugueses.

10 pensamentos sobre “A promoção de um terrorista e as vítimas esquecidas

  1. Luís Lavoura

    Sem contestar este post e os sentimentos de quem o escreveu, devo fazer notar que, em muitos países hoje em dia democráticos, inclusivé em Portugal com os antigos agentes da polícia política PIDE, alguns dos quais responsáveis por bárbaros assassinatos, se fez isto – passar uma esponja sobre o passado, perdoar a pessoas responsáveis por crimes de sangue.

    O mesmo foi feito, por exemplo, em Espanha, aquando da transição para a democracia, com o perdão a muitos membros da ETA.

    Na Argentina fez-se o mesmo, e no Chile, e na África do Sul, etc etc etc.

    É claro que entre perdoar e condecorar ou promover, como agora o Estado português vai fazer a Otelo, vai um enorme passo.

    Mas não foram muitos ex-agentes da PIDE tratados da mesma forma?

  2. “…inclusivé em Portugal com os antigos agentes da polícia política PIDE, alguns dos quais responsáveis por bárbaros assassinatos, se fez isto – passar uma esponja sobre o passado…”

    Como por exemplo?…
    .

  3. “Hoje, Otelo é promovido a coronel, com uma indemnização superior aquela…”

    O biltre ainda tem o desplante de dizer que vai recusar e pôr o Estado em tribunal.
    Se calhar queria a promoção a General…
    A ver vamos se ele não arrecada a massa e se cala muito caladinho.
    .

  4. Luís Lavoura

    Os actos praticados por Otelo (assaltos, bombas e assassinatos) não foram durante nenhum processo revolucionário, foram já depois da extinção do Conselho da Revolução e portanto oficialmente depois do fim do PREC.
    Durante o PREC, as sevícias, as prisões arbitrárias e os mandatos de captura em branco, ao abrigo dos quais, um amigo meu com 16 (dezasseis) anos foi preso, são actos pelos quais nunca sequer foi julgado.
    Se quiser “passar uma esponja”, passe nesses.
    .

  5. Caro Senhor Castelo Branco:

    Compreendo e sou solidário com a sua revolta.
    Acompanhei TODO o julgamento das FPs 25, como jornalista, e o que escrevi na época fala por mim.
    Uma correcção: Otelo foi condenado pelo crime de Organização Terrorista e co-fundador da referida organização, mas não como operacional.
    Quem liderou o grupo de criminosos que assassinaram o pai foi um indivíduo de seu nome Luis Filipe Gobern Lopes ( condenado a 19 anos) que por acaso era até bem pouco tempo produtor na TVI.
    Foram 14 homicídios e mais de um milhão de contos roubados a bancos e uma carrinha de valores.
    Estes factos estão no processo.
    Outra coisa é a promoção de Otelo.
    Aí estaremos seguramente em desacordo.
    Fez o que fez e pagou em parte ( esteve preso apenas 4 anos, sendo amnistiado pela AR, por sugestão do então PR Mário Soares), mas também foi o líder operacional que conduziu à revolução do 25 de Abril – ninguém lhe tira o anátema dos crimes que estimulou e avalizou, ninguém lhe tira o mérito de ter sido o principal estratega militar do 25 de Abril.
    A História é assim mesmo.
    Não é por causa das barbaridades e violências que cometeu ou mandou executar, que o Marquês de Pombal deixa de ter com ele o ónus de ter sido um estratega da recuperação e modernização do país ( não só Lisboa) e por isso mesmo ser bem referenciado na História, a qual não omite as referidas barbaridades.
    Espero não magoá-lo.
    Solidariedade!

    Guilherme Pereira

  6. Carlos Guimarães Pinto

    Miguel, distrai-me e republiquei o mesmo post. Ficam aqui as desculpas pela repeticao. Mas parece-me que vale mesmo a pena.

  7. Ricardo Sousa

    Resposta a “como por exemplo” que não implica qualquer especie de compreensao, muito pelo contrário, para com o cobarde assassinato.
    1931, o estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;
    1932, Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;
    1934, Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve de 18 de Janeiro; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada durante a repressão da greve de 18 de Janeiro; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal
    1935, Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);
    1936, Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;
    1937, Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;
    1938, António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;
    1939, Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;
    1940, Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;
    1941, Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;
    1942, Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;
    1943, Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;
    1944, general José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.
    1945, Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;
    1946, Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;
    1947, José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;
    1948, António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;
    1950, Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;
    1951, Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;
    1954, Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;
    1957, Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;
    1958, José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;
    1961, Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;
    1962, António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;
    1963, Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;
    1964, Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;
    1965, general Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;
    1967, Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na PIDE;
    1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
    1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;
    1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na “fuga-libertação” de Alcoentre, em Junho de 1975;
    1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;
    1974, (dia 25 de Abril), Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.

  8. António Carvalho

    Ricardo Sousa reproduzio a lista das vítimas do SALAZARISMO desde 1931 (que se saiba), até ao 25 de Abril de 1974 (pelos pides acantonados no edifício da Pide, na rua António Maria Cardoso). Otelo Saraiva de Carvalho, não só traíu a Revolução como ainda provocou vítimas como líder operacional das FP-25 e como prémio foi promovido a coronel em 2000! Neste país, o crime compensa!…

  9. rui peters

    se quiserem terei muito gosto em publicar a lista dos cerca de 65 milhões de pessoas que o regime soviético matou,torturou,massacrou,durante a longa noite social-fascista que durou 70 anos,ou ainda dos 2 milhões no Cambodja mortos pelo mestre Paul-phote em apenas 2 aninhos, ou ainda dos 6 milhões de chineses mortos só no tempo da revolução cultural de Mao Tsé Tung, mas acho que infelizmente não há espaço na Internet para tal, e também não haverá pachorra, para ler tamanha lista.Não brinquem com a minha inteligência.Comunismo nunca mais!!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.