O petróleo e a importância do mecanismo de preços

“BIC XXI” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

O dia 3 de Julho de 2008 fica na história dos mercados: nesse dia o barril de petróleo atingiu os 145 dólares, um máximo absoluto. À espectacular subida do preço seguiu-se uma não menos espectacular queda no final do ano passado.(…)

No seu artigo mais recente, “Causes and Consequences of the Oil Shock of 2007-08”, James Hamilton argumenta que o choque petrolífero de 2007-8 teve causas diferentes dos choques das décadas anteriores. O mais recente “pico” de preço resultou da conjugação de um crescimento sustentado da procura com uma estagnação da extracção petrolífera, e não de reduções súbitas e significativas da oferta por motivos geopolíticos. Com uma produção mundial estagnada e uma procura com baixa elasticidade de resposta a variações no preço, o “pico” de 145 dólares poderia ter sido ainda mais elevado. Poder-se-ia pensar que a queda vertiginosa do preço no final de 2008 se deveu à redução do rendimento decorrente da crise financeira, mas seria necessária uma redução de 10% do PIB mundial apenas para induzir uma contracção da procura capaz de reproduzir o preço de equilíbrio de 2005.

A explicação mais provável aponta para a maior sensibilidade dos consumidores a variações no preço no longo prazo -resultado de ajustamentos no consumo decorrentes do efeito cumulativo das subidas do preço nos anos anteriores. Este processo de “aprendizagem” e ajustamento dos consumidores à informação transmitida pelos preços traduz-se, por exemplo, na quebra de vendas de automóveis, bem como na maior preferência por veículos mais eficientes no consumo. A melhor forma que os políticos dos países consumidores têm de contribuir para aumentar a eficiência na utilização de energia consiste em não interferir com este mecanismo, não desperdiçando dinheiro de impostos com empresas incapazes de produzir os veículos que os consumidores pretendem, ou seja: o oposto das políticas americanas e de outros países, que disfarçam subsídios à ineficiência com eufemismos como ajudas à “formação”.

3 pensamentos sobre “O petróleo e a importância do mecanismo de preços

  1. Oferta e procura? Sensibilidade dos consumidores? Pois, pois…

    “When oil prices spiked last summer to $147 a barrel, the biggest corporate casualty was oil pipeline giant Semgroup Holdings, a $14 billion (sales) private firm in Tulsa, Okla. It had racked up $2.4 billion in trading losses betting that oil prices would go down, including $290 million in accounts personally managed by then chief executive Thomas Kivisto. Its short positions amounted to the equivalent of 20% of the nation’s crude oil inventories. With the credit crunch eliminating any hope of meeting a $500 million margin call, Semgroup filed for bankruptcy on July 22.

    But now some of the people involved in cleaning up the financial mess are suggesting that Semgroup’s collapse was more than just bad judgment and worse timing. There is evidence of a malevolent hand at work: oil price manipulation by traders orchestrating a short squeeze to push up the price of West Texas Intermediate crude to the point that it would generate fatal losses in Semgroup’s accounts.

    “What transpired at Semgroup was no less than a $500 billion fraud on the people of the world,” says John Catsimatidis, the billionaire grocer turned oil refiner who is attempting to reorganize Semgroup in bankruptcy court. The $500 billion is how much the world would have overpaid for crude had a successful scam pushed up oil prices by $50 a barrel for 100 days.

    What’s the evidence of this? Much is circumstantial. Proving oil-trading manipulation is difficult. But numerous people familiar with the events insist that Citibank, Merrill Lynch and especially Goldman Sachs had knowledge about Semgroup’s trading positions from their vetting of an ill-fated $1.5 billion private placement deal last spring. “Nothing’s been proven, but if somebody has your book and knows every trade, it would not be difficult to bet against that book and put the company into a tremendous liquidity squeeze,” says John Tucker, who is representing Kivisto.

    What’s known for sure is that Goldman Sachs, through J. Aron & Co., its commodities trading arm, was in prime position to use such data–and profited handsomely from Semgroup’s fall. J. Aron was Semgroup’s biggest counterparty, trading both physical oil flowing through pipelines and paper oil, in the form of options and futures.

    When crude oil peaked in July, Semgroup ran out of cash to meet margin requirements on options contracts it had with Aron, contracts on which it had paper losses of $350 million. Desperate to survive, Semgroup asked Aron to pony up $430 million it owed on physical oil. Aron said no, declared Semgroup in default on its contracts and demanded immediate payment of losses.

    Some answers may emerge in late March when former FBI director Louis Freeh releases a report on the trading surrounding Semgroup’s demise. He was hired by Semgroup and given subpoena power by the bankruptcy court judge in Delaware. Meanwhile the Securities & Exchange Commission is investigating, and lawyers involved in the bankruptcy say that Manhattan District Attorney Robert Morgenthau’s office is looking into the actions of New York firms in the collapse. His office declines to comment.”

    http://www.forbes.com/forbes/2009/0413/096-sachs-semgroup-goldman-goose-oil.html

    O pico petrolífero que ocorreu no ano passado foi altamente artificial, um Pump desmedido todo cheio de “estudos” e “targets” quase diários. E com a “mãozinha” da Goldman Sachs.

  2. Aliás, náo há como não gostar da GS 🙂

    “O banco norte-americano alterou o seu calendário fiscal para que o mês de Dezembro de 2008 fosse ignorado nas suas contas, permitindo que o lucro trimestral da instituição superasse as estimativas.

    No seu espaço no jornal “New York Times”, o Prémio Nobel da Economia Paul Krugman chama a atenção para um artigo no mesmo jornal escrito por Floyd Norris, que investigou junto do Goldman Sachs os motivos pelos quais o banco apresentou na segunda-feira um lucro de 3,39 dólares por acção no final do primeiro trimestre, um valor bastante superior aos 1,64 dólares estimados pelos peritos.

    Floyd Norris nota que o Goldman Sachs, cujo exercício fiscal decorria normalmente de Dezembro a Novembro, decidiu a partir deste ano regressar a um ano de calendário normal, tendo por isso apresentado contas relativas a Janeiro e Março no primeiro trimestre, ao contrário de entre Dezembro e Fevereiro, como habitualmente fazia.

    “Nos dados do Goldman, o [primeiro] trimestre encerrou a 31 de Março, contra o fecho em Fevereiro do primeiro trimestre do exercício anterior”, diz o artigo.

    O resultado prático da decisão do Goldman Sachs de alterar o seu trimestre fiscal foi o de que o mês de Dezembro de 2008 passou a ser, pura e simplesmente, ignorado pelas contas do banco.

    O “New York Times” adianta que, no entanto, o banco efectuou grandes amortizações no último mês de 2008, as quais teriam resultado num prejuízo depois de impostos de 780 milhões de dólares (590 milhões de euros) só em Dezembro. É notado que, caso o Goldman Sachs se tivesse mantido fiel ao seu antigo calendário fiscal, tendo que incluir Dezembro e excluir Março das suas contas do primeiro trimestre, é possível que a instituição nem tivesse registado um lucro trimestral, muito menos um resultado muito superior ao esperado.

    Na sessão de ontem, os títulos da banca registaram fortes ganhos baseados nos resultados divulgados pelo Goldman Sachs, embora os títulos do próprio banco tenham caído 12% em Nova Iorque, devido ao anúncio de que a instituição irá aumentar o seu capital em cinco mil milhões de dólares.”

    http://economico.sapo.pt/noticias/goldman-sachs-fez-desaparecer-dezembro_8122.html

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