Anda por aí, como é costume com estes fenómenos, uma grande histeria com a “gripe mexicana”. E como é costume com estes fenómenos, aparece sempre alguém, orgulhoso da sua fria calma, a dizer que “isto não vai dar em nada”, cometendo o mesmo erro dos histéricos. Miguel Sousa Tavares, homem capaz de ditar sentenças sobre os mais diversos temas, desde a inteligência de George Bush à honestidade de Pinto da Costa, disse hoje na TVI que não tinha qualquer receio da gripe. Também ele acha que “isto não vai dar em nada”. Como é que ele sabe? Porque já com a “gripe das aves” se atingiu esta histeria e depois a coisa “não deu em nada”. Não lhe ocorre que o facto de algo ter sido de uma determinada forma no passado não garante que seja igual agora. Não lhe ocorre que fenómenos como este são por natureza imprevisíveis, e que nós não podemos saber à partida se corremos realmente perigo ou não (razão pela qual devemos tremer sempre que um governo diz que está preparado para tudo. Se nós nem sabemos o que vai acontecer, como é que podemos saber se estamos ou não preparados para isso?): nada nos garante que, mesmo que o vírus não seja assim tão perigoso agora, não venha a ser muito mais perigoso no futuro. “Histéricos” e “calmos”, espécies que nestes períodos se reproduzem mais do que os vírus acerca dos quais falam, cometem ambos o mesmo erro: pensar que podem conhecer o futuro. O problema está precisamente em as coisas não serem assim.
Mês: Abril 2009
Transparência e equilíbrio
A lei do financiamento dos partidos políticos está para a ética pré-eleitoral como as mamas plásticas estão para as misses.
O estado das coisas
Sem pedir licença ao bom camarada Helder, recupero um post e respectivo cartoon. O episódio sintomático que o desencadeou foi a suspensão de um professor de inglês por ter comentado em termos menos próprios as qualificações de José Sócrates. Passaram dois anos. O estado das coisas está, hoje, muito melhor.
Por estas e por outras é que isto é um país de invertebrados. Um insulto é um palavrão, é o dedo médio no trânsito, passar à frente na fila do supermercado, é um penalty mal marcado. Listas “negras” do fisco, o cartão único, a ERC e o jornalismo de “sarjeta”, a mentira e a prepotência, a subserviência da Governadora Civil de Lisboa, os fumadores “apanhados em flagrante”, as virgens dos “jogos partidários” e a institucionalização do”bufo”, nada disso é insulto, nada disso merece a indignação dos eunucos. Pelo ontrário, aplaudamos. O que interessa é o insulto soez ao (vénia) senhor primeiro-ministro e à sua (vénia) licenciatura. Seja o que for que o tal professor tenha dito, seja em que contexto for, o que vale a liberdade para esta gente? Menos que a saliva nos sapatos do dono.
Liberdade em sentido alargado
Pode uma pessoa namorar? Amar? Apaixonar-se? Corresponder ao amor de outro? Quando convém pode-se publicar, quando não convém, lá se descarrega o processo?
A inspectora gadget
O raciocínio, tal como um músculo, tem que ser estimulado e sabe-se que é mais eficaz estimular nos mais pequenos. Vale a pena estudar. Mesmo a dar para o acabado, procurei nalguns livros mas não encontrei uma resposta definitiva e que me parecesse completamente certa: como se chama a uma moça que diz-se que vai casar com um moço? Molho de bróculos?
Amanhã, às 18 horas e 5 minutos, João Gonçalves e Henrique Raposo

Esta semana, estarei em debate com João Gonçalves e Henrique Raposo.
Juntos, analisamos alguns dos principais temas da actualidade:
– Epidemia paranóica? – Num curto espaço de tempo, uma nova estirpe do vírus H1N1 propagou o pânico no México e a apreensão do mundo inteiro. Conseguiria a nossa civilização sobreviver aos horrores de uma nova ‘peste negra’?
– Bloco Central – Na sua entrevista à SIC, Manuela Ferreira Leite terá admitido acordos pós-eleitorais com o PS, desmentindo depois que não haverá Bloco Central. Em que ficamos? Serão estas tricas eleitorais o que verdadeiramente interessa ao país?
– 100 dias – Barack Obama completou os primeiros 100 dias do seu mandato. Há quem fale da reconciliação da América com o mundo. Mas conseguirá o mundo reconciliar-se com a América?
– Democracia endividada – 35 anos depois há quem diga que, apesar do fim da guerra colonial e da instauração da democracia, os objectivos de Abril nunca se concretizaram. Mas não será o desânimo uma consequência do preço a pagar por quem tem vivido acima das suas possibilidades?
O Descubra as Diferenças tem podcast disponível aqui.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
O Z da esperança
Artigo de Fernando Gabriel (Diário Económico)
Em 1998 o arcebispo Desmond Tutu advertiu os sul–africanos: “não devemos assumir que os oprimidos de ontem não se tornarão nos opressores de amanhã. Vimo-lo acontecer por todo o mundo e não deveríamos ficar surpreendidos se acontecesse aqui”. Continue a ler “O Z da esperança”
E que tal extingui-lo?
Não é só em Portugal, no Reino Unido também são questões nacionais que motivam os partidos e eleitores para as eleições europeias.
we have the Tories telling us to vote for them, to send Gordon Brown a message, and Labour telling us to vote for them (or any of the main parties) to keep the BNP out. Of the Westminster “big three”, we have yet to hear from the Lib-Dims but, from past experience, they too are likely to go for local issues, also leaving the EU out in the cold.
This makes for a crazy election, with the main protagonists demanding votes for every and any reason other than actually appointing MEPs to do whatever job it is they are supposed to do. That, in itself, should tell you something about the EU parliament, but I suspect it is not the message the “colleagues” want to convey.
