Falácias da Escola Burocrática

No Bichos Carpinteiros, escreve-se que:

E também se sabe que escolas frequentam antes de entrarem para as universidades. Ou seja, o Estado, não investindo o suficiente na escola pública, continua a potenciar os berços de ouro e as colheres de prata. Depois, ainda fazem rankings…

O problema da Escola Pública não é de investimento, já que o custo per capita da Escola Pública corresponde ao valor da propina de grande parte das melhores escolas privadas; há até algumas escolas privadas com qualidade mais baratas que a Escola Pública. E convém não esquecer que muitas escolas privadas têm de incorporar amortizações do seu imobilizado, o que não ocorre com boa parte das Escolas Públicas.

Há certamente inúmeras razões que importa combater para eliminar a desigualdade no acesso ao ensino superior, em função das condições sociais, porque a igualdade à partida é uma condição essencial para a meritocracia. Agora, o problema, não é certamente a alocação de mais recursos, mas uma adequada alocação dos recursos.

O Modelo da Escola Pública centralizada, burocrática, ideológica, abstracta, faliu. Esse é que é o problema que muitos são incapazes de encarar.

8 pensamentos sobre “Falácias da Escola Burocrática

  1. De Joana Amaral Dias não seria de esperar outra coisa. E logo ela, que tb saíu ganhadora da lotaria genética.
    A esquerda é dogmática e aponta como única razão para o (in)sucesso de determinados grupos, a “desigualdade de oportunidades”, o lastro histórico, no fundo a vulgata marxista das classes dominantes e das classes dominadas.
    A explicação justifica tudo, mas não explica nada e, porque é fundamentalmente errada, leva sempre à adopção de soluções igualmente erradas

    O factor que ninguém refere, por ser politicamente incorrecto, é a desigualdade genética. O mais elementar darwinismo explica como determinados grupos vencem melhor a lotaria biológica.

    Há quem explique, por exemplo, os bons resultados da Escola Secundária de Dona Maria, (Coimbra), estabelecendo uma simples (cor)relação com o facto de os alunos habitarem um bairro de gente rica. Pais ricos, melhores condições, boas notas, é este o raciocínio linear da esquerda.
    A conclusão imediata e simples que a esquerda tira daqui, é que o que está em causa é a desigualdade de oportunidades” pelo que, em consequência, a solução passará por atacar as “desigualdades”, sem as quais, presume-se, todos os alunos obteriam resultados semelhantes.

    Este raciocínio ignora o indivíduo, diluindo-o em conceitos ideológicos, e é falacioso, não só porque confunde relação com correlação, mas também porque de facto os indivíduos têm capacidades diferentes e elas são de nascença, são uma herança genética.

    O facto de os pais dos alunos da Escola Dona Maria e dos alunos de medicina, serem ricos, diplomados e bem sucedidos, é importante no sucesso escolar dos filhos, pelas condições que lhe podem propiciar, sim, mas principalmente porque serem pessoas bem sucedidas deriva (em amostras significativas), de serem mais inteligentes e academicamente motivados.
    A herança do meio e da atitude paterna é importante,sem dúvida, mas o mais importante legado que os pais deixaram aos filhos foi ratificado 9 meses antes do nascimento destes. Os filhos de pais diplomados tendem a ser tb eles mais inteligentes ( estou sempre a falar em amostras significativas). Estudos com gémeos verdadeiros educados em meios diferentes são inequívocos.
    Por exemplo, há estudos (nos EUA) que apontam elevadas correlações entre a quantidade de livros em casa e o desempenho escolar.
    A conclusão “progressista” é imediata e a Joana Amaral Dias abocanhá-la-ia de imediato: livros para todos, para que todos estejam em condições de igualdade.
    Mas é uma conclusão errada, porque o facto de haver mais livros em casa, deriva dos pais, do seu interesse intelectual (inteligência) e do dinheiro para os comprar (sucesso na vida…por sua vez largamente relacionado com a inteligência).
    Os genes, portanto. E são esses genes que os filhos terão alta probabilidade de herdar.
    Como é óbvio, estou a falar em termos estatísticos, já que, individualmente, cada caso é um caso.

  2. “Este raciocínio ignora o indivíduo”

    Diga-se de passagem que o raciocínio geneticista do Lidador, à sua maneira, também ignora o individuo (se calhar ainda mais que as teses “ambientais”).

  3. MM, encontra alguma falácia ou imprecisão no meu argumento?
    É falso?
    Ou é simplesmente “incorrecto” e detestável, segundo a ortodoxia?
    Em que é que aquilo que eu escrevi, ignora o indivíduo?

  4. Neves Paixão

    Li atentamente o post escrito por Lidador e tendo a discordar em certos pontos importantes da sua análise. Penso que o argumento que o sucesso escolar se baseia na sua maioria em razões genéticas não é de todo algo que se possa considerar válido na análise de políticas de educação no que diz respeito ao melhoramento da escola pública.

    Estou à vontade para falar do caso da Escola Infanta D.Maria em Coimbra, porque fui aluno há não muitos anos e conheço razoavelmente bem a população estudantil que a frequenta. Neste caso penso que é mais relevante falar em estatuto socio-económico do que em estatuto intelectual, visto que muitos dos estudantes podem ter pais com um estatuto socio-económico acima de média que não possuem sequer uma licenciatura.

    O que se passa neste caso é que os alunos para além das aulas recorrem a explicações, pagas a peso de ouro, muitas vezes prestadas por professores da própria escola, e como tal obtêm resultados a nível de exames nacionais superiores aos que supostamente não têm ajuda extra-curricular.

    Concluo assim que a qualidade da escola pública não se mede com rankings nem se esconde atrás de razões genéticas mas mede-se sim através da qualidade das escolas em si, em termos de infra-estruturas e da competência técnica e pedagógica do seu captial humano.

  5. “Em que é que aquilo que eu escrevi, ignora o indivíduo?”

    Considerar que o individuo é fruto da sua herança genética e tão ignorar o individuo como o considerar fruto da sua educação. No fundo, ambas as prespectivas negam (ou reduzem bastante) o livre-arbitrio.

    Note que, com isso, eu não estou a dizer que, com isso o seu raciocínio está errado.

  6. MM, em 1º lugar não falei do indivíduo, mas de amostras significativas. Não é possível dizer que o indivíduo A será mais bem sucedido que o indivíduo B, mas é com rigor matemático que se pode afirmar que o resultado médio de uma amostra significativa será melhor ou pior que o de outra amostra significativa e o MM sabe isso melhor que eu.

    Em 2º lugar, estudos com gémeos verdadeiros educados em meios diferentes, mostram com bastante rigor que é muito maior a correlação entre herança genética e determinadas capacidades, do que o meio (educação, oportunidade, etc). Estudos sobre o QI ( o que quer que seja que isso meça) demonstram que em crianças, a base genética apresenta correlações na casa dos 0,5 com o QI, e em adultos essa correlação chega aos 0,8.
    São correlações elevadas.
    Entre gémeos monozigóticos criados separadamente, as correlações chegam aos 0,78 (estudos europeus e americanos .)
    Por sua vez, as correlações entre crianças geneticamente não relacionadas, mas criadas juntas em famílias adoptivas, atingem o máximo de 0,2 (estudos americanos)

    Estes resultados provam inequivocamente que:

    1: o factor genético, cujo imprimatur é feito no momento da fecundação, é o mais importante.
    2: o meio é tb importante, principalmente na infância.
    3.Os pares de gémeos verdadeiros que passam a vida separados, apresentam um factor g (inteligência geral) quase igual ao dos que estão juntos (correlações de 0,76 e 0,78, respectivamente)

    Ou seja, é obvio que não se pode ignorar a educação, mas isso mesmo eu disse acima. O que enfatizei, foi que a esquerda recusa de forma passional a lotaria genética, como se ela não tivesse qq relevância, quando é ela quem tem de facto a parte de leão.

    Ora quando se aplicam soluções a situações mal compreendidas, o erro é provável.
    A “igualdade” na escola pública é um desses erros. É como regar com a mesma quantidade de água, o centeio e o milho.
    Ambos dão pão, mas a água para o milho mata o centeio e a água para o centeio não chega para o milho.

    Caro Neves Paixão, o meu argumento não é posto em causa pelo que disse. Em amostras significativas, a riqueza está correlacionada com capacidades melhores. Pais ricos são pais com sucesso na vida. Tenham ou não uma licenciatura. Bill Gates não tinha licenciatura, mas era inteligente qb.

    O que eu pretendo dizer é que os pais com sucesso (falo sempre de amostras significativas), tendem a gerar filhos com mais probabilidades de sucesso.
    Claro que nem todos. Claro que pais sem sucesso tb geram filhos bem sucedidos, mas a probabilidade é menor. As percentagens sobre estudantes de medicina provam isso mesmo.

    Isto que eu digo é elementar e duvido que alguém de boa fé o posse questionar sem por em causa as leis de Mendel, a genética e o darwinismo.
    A educação e o meio são importantes, claro, mas não são a história toda, nem sequer são a parte mais importante de história.
    E é isto que a esquerda de um modo geral recusa ver.

    É evidente que o ambiente cultural tem também um efeito significativo nas habilidades intelectuais das pessoas e vice-versa. Pessoas inteligentes ficam mais tempo na escola. Escolas com mais desafios e bons programas de ensino, tendem a ser frequentadas por indivíduos mais inteligentes.
    A má nutrição prolongada, escolas fracas, exposição a metais pesados, o abuso do álcool e do tabaco pelas mães durante a gravidez, etc., contribuem também para baixar a probabilidade de sucesso
    Em suma, a acção do gene processa-se num ambiente, pelo que é importante criar condições nas quais cada indivíduo, independentemente de sua origem familiar ou social, tenha uma oportunidade para atingir ou realizar todas as suas capacidades inatas.
    Mas há que entender que estas são diferentes, os resultados estão viciados à partida pela lotaria biológica, e não encarar este assunto como um tabu.
    Eticamente condenável não é reconhecer que as pessoas são biologicamente diferentes mas sim descriminá-las negativamente em função dessa diferença.

  7. MM, não me parece que esse estudo em concreto seja tão contraditório como parece pensar.
    As correlações são sempre maiores nos adultos, o que parece demonstrar que é a base genética que manda.
    É interessante a conclusão de que a base genética pode ser quase irrelevante no QI de gémeos nascidos em meios empobrecidos, mas estamos a falar à partida de baixos QI.
    É como o crescimento económico. O de Angola é várias vezes superior ao da Alemanha, em percentagem, mas em valor absoluto é uma pequena fracção.

    No caso desses gémeos, como o estudo deixa implícito, se lhe forem propiciados meios eles poderão chegar a um estádio de optimização no qual a base genética os lastrará.
    É como correr a maratona.
    Nos primeiros 200 metros as capacidades atléticas são irrelevantes e qq pessoa pode chegar à frente, independentemente delas. Á medida que a distância aumenta, vem ao de cima aquilo a capacidade atlética.

    Quanto à sorte, bem, Napoleão escolhia os seus generais por esse factor.

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