O eventual regresso do CDS ao poder

A não obtenção, pelo PS, da maioria absoluta nas próximas legislativas, mais a exigência que se fará para a constituição de um governo com forte apoio parlamentar, empurrarão os socialistas para a teia das coligações. Pela primeira vez na história da democracia portuguesa, todos, PSD, PCP, BE e CDS se apresentarão como viáveis para constituir governo. O tempo que apaga a memória e a viragem à esquerda, mais o regresso ao passado em matéria económica, serão demasiado tentadores para o PCP e o Bloco de Esquerda. Será difícil resistir a uma oportunidade única. PSD e CDS são partidos com os olhos fitos no poder e candidatos naturais para uma solução governamental.

No entanto, enquanto o PSD não estará muito interessado em repetir o Bloco Central (que Cavaco Silva, agora em Belém, desfez em 1985), já o CDS terá em 2009 uma oportunidade de ouro para mostrar a sua utilidade: A de um pequeno partido que viabiliza governos e impede os socialistas de caírem nas garras da esquerda menos moderada. Junte-se a isto, a salvação de Portas que há semanas atrás, se dizia politicamente morto. Uma coligação com o PS será a sua tábua de salvação, fazendo dele o dirigente centrista que conduziu o CDS, num curto espaço de tempo, a dois governos, depois de mais de 20 anos afastado do poder. E poderá colocar um problema à facção democrata-cristã que tem criticado a sua estratégia, numa atitude que parece esquecer para que serve um partido político.

Seria engraçado que Sócrates recuperasse parte dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes.

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11 thoughts on “O eventual regresso do CDS ao poder

  1. Luís Lavoura

    Adolfo Mesquita Nunes,

    pela lógica do seu comentário, o CDS só alguma vez poderá ser governo sozinho. Nunca fará coligações, uma vez que é o único (Você o diz) partido não socialista em Portugal, pelo que nunca poderá fazer coligações com qualquer outro partido, pois são todos socialistas. O CDS é portanto uma “alternativa” não socialista, que nunca se concretizará.

  2. Caro Luis,

    Gostaria que me encontrasse uma frase minha em que dissesse que o CDS é ou foi o único partido não socialista em Portugal.

    Se acaso cumprisse essa missão, o CDS poderia formar Governo desde que impusesse, consoante a sua força eleitoral, um conjunto de reformas tendentes a reduzir o socialismo, previamente anunciadas.

    Não é nada disso que está no texto do André, que situa a coligação no plano meramente estratégico e da estabilidade.

  3. O mais engraçado é que as coisas em política não se passam assim… E que um partido político não serve para viabilizar políticas erradas, historicamente erradas, “get it”? Se o fizer, torna-se cúmplice de um erro histórico. E pagará caro esse erro, como é evidente.
    Não se trata aqui de não ser livre para o fazer. É totalmente livre. Trata-se sim de uma responsabilidade como partido, perante o país que serve, o eleitorado que nele confiou, e os valores inscritos na sua magna carta. Essa confiança é que é a essência da “estabilidade”.
    Estas fórmulas matemáticas e geográficas que se andam a desenhar parecem-me muito artificiais e pouco funcionais. O único consolo, no seu “post” é não colocar a hipótese de “uma renovação da maioria absoluta PS”, como já li hoje.
    Cumprimentos.

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