Os tectos salariais

Com a imposição dos tectos salariais anuais de $500000 aos gestores de instituições americanas que recebam bailout money, Obama e a administração americana correm um sério risco de tornar os corpos gerentes dessas empresas num reflexo do nível de brilhantismo que grassa na nossa representação parlamentar na Assembleia da República.

Sobre o assunto, ler também o que acertadamente diz o Nobel Gary Becker:

The main problem with wage (and price) controls is that they never work, although governments have imposed them throughout history. They will not work in this case either, where the plan includes a salary cap of $500,000 for top executives at companies taking “extraordinary assistance” from the federal government, restrictions on when these executives can cash in the stock they will receive, limits to their severance pay, and monitoring of fringe benefits, like company jets. There are no good guides to a priori setting of either the form or the level of compensation to employees in any occupation, including top executives. Competition, with all its defects (which I discuss later), is still the best mechanism available for setting salaries and other prices.

Pay caps will encourage companies that take government aid to hire high priced lawyers and accountants to devote their expensive time trying to find loopholes in these caps. Loopholes include reclassifying some employees to positions below top executives so that their pay would not be subject to any government pay caps. Most loopholes center on various forms of deferred payments and non-monetary benefits. For example, companies started to provide free medical coverage to its employees during World War II as a way to circumvent controls over wages.

[…]

Companies that take government assistance do so because they fear going bankrupt. Sometimes that is because they were badly managed by the CEOs and other executives in charge. What many of these companies need are new executives who can take a fresh look at their problems. Unfortunately, pay caps that leave total pay considerably below what able executives receive in other companies make it more difficult to attract these executives to companies in distress because they can earn more, and work with considerably less government interference, in companies that do not take or need aid.

10 pensamentos sobre “Os tectos salariais

  1. Luís Lavoura

    Bem, o nível de brilhantismo desses corpos gerentes já hoje não deve ser muito bom, a avaliar pelos créditos hipotecários arriscadíssimos que andaram a conceder… Pelo que, não se perderá gande coisa.

  2. Sendo que os que os vão substituir vão ganhar substancialmente menos, é de esperar o pior.

    Além disso, está a ser feita uma grande injustiça aos corpos gerentes que deram origem à crise: gestores que conseguiram dinamizar resultados mirabolantes, distribuindo dividendos colossais pelos accionistas, e que no fim ainda conseguiram transferir o buraco para o estado, não merecem castigo dos accionistas. Merecem um louvor e cada cêntimo de prémios e indemnizações que lhes sejam pagos.

    Presumo que não terão dificuldade em arranjar empregos ao seus nível de remuneração em empresas que não beneficiem de bailout money. Rapidamente.

  3. JoaoMiranda

    ««Bem, o nível de brilhantismo desses corpos gerentes já hoje não deve ser muito bom, a avaliar pelos créditos hipotecários arriscadíssimos que andaram a conceder… Pelo que, não se perderá gande coisa.»»

    O Luís Lavoura tem sempre uma resposta pronta, mesmo quando não percebe o argumento.

  4. Segundo o parágrafo do texto transcrito, o grande argumento para a ausência de um tecto salarial de $500,000 (!)para CEO seria o facto de que as empresas iriam sempre encontrar maneira de o contornar (!) criando novos cargos não sujeitos à restrição. Tem de haver decência, mesmo na argumentação.

  5. É o preço a pagar após anos de gestão ruinosa.

    Se eu tiro do meu bolso para safar alguém, tenho que exigir algo em troca. Essa medida tem grande apoio social porque os contribuintes sabem que é o dinheiro deles que está a ser aplicado aí e, obviamente, não querem seja usado para comprar jactos particulares.

    Elementar.

    Obviamente que actual Administração dos EUA não tenciona ter a mão nessas empresas para sempre. Penso que após a consolidação elas voltarão ao seu próprio governo e aí já podem pagar milhões e comprar jactos à vontadinha.

  6. Como essas empresas são, na sua maioria, grandes demais para poderem ser geridas por alguem (é, basicamente, o mesmo problema que o Estado tem), é irrelevante o grau de competencia das pessoas que para lá vão.

    Em certo sentido, até é desejável que vão para esses cargos pessoas pouco competentes (para assim as pessoas competentes irem para cargos onde a sua competência tenha alguma utilidade).

  7. Pingback: Tectos salarias (2) « O Insurgente

  8. Pelo que percebi, esse limite só é imposto às empresas que forem apoiadas pelo estado, certo?
    Nesse caso, basta recusar os apoios para poderem continuar a ganhar o que lhes apetecer.

    Acho que o grande problema desta medida é que os responsáveis pela situação actual da empresa são os seus antigos gestores e não o futuros. Assim, deviam ser estes a ser responsabilizados.

  9. “Nesse caso, basta recusar os apoios para poderem continuar a ganhar o que lhes apetecer.”

    Se recusarem, vão à falência e não precisam lá de ninguém. Se aceitarem, têm que aceitar o “refugo” de todas as áreas económicas que não forem apoiadas.

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