O descaramento da esquerda e o limite da nossa paciência

Perante a crise e no meio do oportunismo da esquerda que se abate sobre nós, a maioria parece esquecer ter sido o Estado quem criou, ao longo dos anos, incentivos ao consumo. Foram muitos os benefícios fiscais dados às empresas pela compra de carros novos; a valorização artificial de um automóvel antigo dado para abate em troca de um novo (sob o pretexto da renovação parque automóvel); os benefícios fiscais das contas poupança habitação que conduziram muitos (praticamente todos) a comprar casa, a endividarem-se para terem um sítio onde dormir, apenas e tão só porque a lei do arrendamento tinha sido politicamente congelada, não deixando margem de manobra a quem quer que fosse. Os governos e muitos partidos da oposição (o Bloco de Esquerda que hoje grita contra o capital, foi dos mais aguerridos) defenderam, vezes sem conta, a descida das taxas de juros do BCE, permitindo que as pessoas gastassem mais. Mexeram e remexeram na economia, na vida privadas das pessoas, a seu bel-prazer, de acordo com as suas certezas muito próprias e sempre com vista à realização de objectivos político-sociais muito determinados.

O endividamento acima da possibilidades reais das pessoas, acima dos rendimentos auferidos pelo trabalho foi aceite e incutido pelos Estados como forma de garantir a continuação de um crescimento económico ímpar que já se tinha iniciado nos anos 80. Como forma de se evitarem recessões (correcções do mercado) que conduziriam, inevitavelmente, à derrota eleitoral dos que estavam no poder e à perda de votação daqueles que não entrassem neste jogo perigoso.

Tudo isto foi feito com a cumplicidade da esquerda. Desta esquerda que acusa as práticas liberais pela crise que se vive actualmente. O descaramento (a que assistimos todos os dias quando lemos os artigos de Mário Soares, quando ouvimos Manuel Alegre, como se fosse em pureza em pessoa, e sentimos um arrepio na espinha sempre que Louçã ameaça nacionalizar os bancos, manifesta o seu ódio à propriedade privada e afirma, sem qualquer despudor que o capital não produz) devia ter limites. A cara de pau com que nos olham e repetem os erros, também.

A nossa paciência pela ignorância voluntária e desonesta, ainda mais.

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15 thoughts on “O descaramento da esquerda e o limite da nossa paciência

  1. Pingback: A ler: « BLASFÉMIAS

  2. Pitágoras

    E os bancos foram obrigados a emprestar… e as empresas a vender a crédito… Sob ameaca de arma, digo eu.

  3. Então o Louçã e o Manuela Alegre é que lixaram isto tudo? Ou não tinha por aí fotos do Cavaco, Guterres, Durão Barroso, Paulo Portas, Santana Lopes e Sócrates ?
    Eu já experimentei não consumir, mas ia-me aconteçendo o mesmo que ao cavalo do espanhol.

  4. Miles

    E atenção.O Louçã foi bem claro: os trabalhadores não têm pátria.A que o António Costa deu forma ouvido as “associações” e o nosso africanizador – mor, o menino de ouro, deu letra de forma.Nacionalizaram centenas de milhar de pobres.A maioria já a viver em bairro social e a receber o RSI e outras minudências como saúde, educação, etc.Onde anda a concretização do slogan:vão-nos pagar as pensões?Se ninguém tem trabalho(muitos deles nunca devem ter mexido uma palhinha…
    Só isto justifica o afundanço geral.Todo um mundo de pobres por nossa conta.E que vão continuar a chegar pois as leis foram o mais beneméritas que se possa imaginar…
    Portanto a africanização dos rendimentos é o que pediram é o que têm…

  5. Pingback: cinco dias » Eu bem desconfiava que a culpa era dessa malta

  6. Eu acho bem que o capital seja distribuído pela malta e não me importo de ficar com as propriedades do Dr Louçã, incluindo o barco.
    Como não sou contra o capital, pelo contrário, gosto dele nos meus bolsos, não me incomoda nada poder fazer esse favor ao Dr Louçã e respectivos fiéis, já que tanto se avinagram com o capital.
    A carrinha do Dr Louçã tb não é má…ainda por cima foi fabricada por uma odiosa multinacional fundada por Hitler.
    Venha a mim..eu sacrifico-me às agruras do “neoliberalismo”.

    Sou um mártir da causa…e o barquito fazia-me um jeito do caraças para os fins-de-semana.

  7. Já que os outros são todos ignorantes e vocês os iluminados, porque não se juntam num Partido???

    De certeza que com a vossa sabedoria, conseguiam dar a volta ao povo estúpido…

    Força!

    Formem o Partido Liberal, mas despachem-se, já ouvi dizer que o Santana Lopes, quando está bem disposto pensa em fazer o mesmo.

  8. “Já que os outros são todos ignorantes e vocês os iluminados, porque não se juntam num Partido???”

    Os Partidos são necessários em democracia mas tendem a atrair pessoas como o Ricardo Ferreira pelo que exigem grande vocação e dedicação.

  9. “De certeza que com a vossa sabedoria, conseguiam dar a volta ao povo estúpido…”

    Acho mais realista ter como ambição “dar a volta” ao povo inteligente.

    Junto do povo estúpido, como se comprova, temos tido pouco sucesso.

  10. Pingback: O Bloco não faz falta « O Insurgente

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