Admirável Mundo Novo (2)

aristotleAinda sobre este post de Salvador Massano Cardoso no 4ª República que republiquei aqui. Fui pensando na coisa durante o dia e a dúvida martelava-me o pobre neurónio. Qual o crime? Qual falta de ética? Quanto mais pensava na coisa mais concluía: não houve crime nenhum e a ética…enfim, a ética da coisa tem que se lhe diga.
Voltei ao 4R e li este comentário do autor do post. Bem me parecia.

A nossa lei permite que “Na fertilização in vitro apenas deve haver lugar à criação dos embriões em número considerado necessário para o êxito do processo, de acordo com a boa pratica clínica e os princípios do consentimento informado”.
“O número de ovócitos a inseminar em cada processo deve ter em conta a situação clínica do casal e a indicação geral de prevenção da gravidez múltipla”.

Além do já referido nunca se faria, entre nós, a implantação na senhora, por não reunir condições para a procriação medicamente assistida e nem possuir condições psicológicas para o efeito.

Ora com excepção de a senhora não ser um casal, tendo em conta o comentário, é clarinho como água que estamos em presença do mais escrupuloso respeito pela ética republicana. Como previsto na lei portuguesa, alguém decidiu que oito embriões era o número necessário para o êxito do processo, a prática clínica foi tão boa que todos se mostraram viáveis, e (provavelmente) respeitaram-se os princípios do consentimento informado. A não ser assim a senhora ou alguém por ela (o psiquiatra dela por exemplo) se encarregará de processar os médicos por um ou dois milhões. Quem decidiu sobre a inseminação estava na melhor posição para ter a situação clínica da senhora/casal em conta. Quem somos nós, médicos ou não, estranhos ao processo, não é? Quanto á prevenção da gravidez múltipla, parece que esse era mesmo o objectivo, logo… Onde está então a falta de ética? Em lado nenhum. A não ser, a não ser que a ética republicana…não vale a pena. Contemplemos as ruínas. Gosto daquele busto ali em cima. É de um gajo morto que escreveu umas coisas sobre estes assuntos.

Um pensamento sobre “Admirável Mundo Novo (2)

  1. O gajo morto está, obviamente, ultrapassado.

    Só não se percebe como foi possível, durante tantos séculos haver tantos outros gajos a insistir em variantes e refinamentos das teorias do gajo morto, ignorando as Luzes da Modernidade (ou pós-modernidade, para os mais adiantados mentais).

    A única explicação que me ocorre é esses outros gajos serem na sua esmagadora maioria vítimas do obscurantismo do Livro, o qual, como qualquer dawkins será capaz de demonstrar, só trouxe desgraças ao mundo…

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