José e o Lobo

cry_wolf

Tendo em conta o que escrevi aqui, há mais de um mês, e aqui, há quase dois anos, parece que o que há a dizer, perante os acontecimentos dos últimos dias que envolvem o primeiro-ministro, é um bocado “chover no molhado”. Foram promessas não cumpridas de não subir os impostos e de não aumentar a idade de reforma; a demagogia fácil dos 150000 empregos; a encenação do défice dos 6,83%; a trapalhada da licenciatura, não se “lembrando” do professor que era omnipresente na sua vida; a ridícula reclamação dos créditos sobre a descida das taxas de juro; não se lembrar de ter sido sócio de uma empresa com Armando Vara e um fulano que viria a ser preso; o episódio do relatório que afinal não era da OCDE; a estória dos projectos assinados na Covilhã; a “descida” de impostos para veículos que já estavam isentos; as apresentações do governo com crianças contratadas a agências de casting; os computadores portugueses que afinal eram da Intel (e que na sua grande maioria não foram ainda entregues nas escolas); a lista é longa. A habituação geral à habilidade de José Sócrates na flexibilização e contorcionismo da verdade e dos factos é semelhante à fábula de Pedro e o lobo. Acaba por chegar um dia em que, mesmo que eventualmente diga a verdade, ninguém acreditará no primeiro-ministro.

7 pensamentos sobre “José e o Lobo

  1. rita

    Toda a razão. De tanta coisa que inventaram para o desacreditar, tanta crítica infundada, tanta deturpação fod factos, tantos ataques vis e doentios, que ele até podia assaltar um banco à vista de todos que ninguém acreditava que era ele.

  2. Mentat

    “Acaba por chegar um dia em que, mesmo que eventualmente diga a verdade, ninguém acreditará no primeiro-ministro.”

    Mas ainda haverá alguém que acredite?
    Só mesmo os “boys in the jobs” e se calhar nem esses.
    Aqueles que conheço limitam-se a encolher os ombros e não me dão troco, por mais que provocados.
    .

  3. Mentat

    “A habituação geral à habilidade de José Sócrates na flexibilização e contorcionismo da verdade e dos factos…”

    Isso é que eu não percebo.
    Bastava estar calado e dar uma de estadista superior a intrigas e esta treta, como é costume em Portugal, morria na praia, virgem e solteira.
    Quem deu corda a isto, foi ele.
    .

  4. O Silva

    Ainda bem que se sabe isto tudo…era de estranhar um primeiro-ministro neste país da treta que não tivesse qualquer coisinha a apontar…
    Quem nunca fez asneiras, meteu cunhas ou qualquer coisa de mal que atire a primeira pedra… ao Sócrates é claro!

  5. Manolo Heredia

    O Zé-povo está cada vez mais pragmático, não lhe interessa se os gatos são pretos ou brancos, interessa-lhe é que cacem ratos! Vêja-se o caso da fátinha, do isaltinho, do albertinho… Quando eles governam bem a malta vota neles. A questão da corrupção é encarada pela maioria dos eleitores como o mal necessário para remunerar os políticos, pois toda a gente sabe que os “dinheiros por fora” são a forma hipócrita que o Sistema encontrou para resolver esse problema de remuneração. A ideia de que os políticos têm que enriquecer, senão são “bananas”, está demasiado arreigada na mente dos votantes. É um preconceito que não favorece a transparência mas é assim… Aposto que o PS vai ganhar novamente.

  6. O problema não está no bípede – está em nós, invertebrados,ignorantes e tristemente resignadoa perante esta choldra que, não o esqueçamos , levámos ao poder.

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