A entrevista de Passos Coelho mostra bem o que ele é

A entrevista de Pedro Passos Coelho, à TSF e ao Diário de Notícias, merece ser lida (ou ouvida). Se bem que o ex-líder da JSD não diga nada de especialmente interessante, a entrevista mostra bem o carácter duvidoso da figurinha. Veja-se o que diz Passos Coelho quando os jornalistas lhe perguntam se “concorda com Ferreira Leite sobre o abandono do projecto do TGV”: Passos Coelho começa por dizer que “o TGV não é um projecto para abandonar porque é estratégico para Portugal”, e logo de seguida afirma que “manifestamente não temos condições, neste ano ou no próximo, de avançar com este projecto”. Passos Coelho começa por dizer uma frase que sirva para ser apresentada, nos telejornais e nas manchetes dos jornais, como uma crítica a Ferreira Leite, pois sabe que isso a desgastará e lhe criará problemas. Mas logo de seguida, aproveita para se distanciar de Sócrates, para que os defensores do Ferreira Leite no PSD não o possam acusar de (como Menezes) não hesitar defender o Primeiro-Ministro só para atacar a líder laranja. Para conduzir a sua agenda de promoção pessoal, Passos Coelho não hesita em usar estas habilidades, em dizer “sim, mas não, mas sim”, mostrando um oportunismo e falta de vergonha que podem agradar aos nossos “maquiavélicos” de pacotilha (Marcelo deve ter achado a coisa genial, e talvez só não o diga porque também não lhe dá muito jeito), mas que dão muito poucas garantias de que Passos Coelho pudesse ter a coragem necessária para fazer as reformas de que o país precisa. Quando concorreu à liderança do PSD, Passos Coelho usou o slogan “o futuro é agora”. A entrevista de hoje apenas vem confirmar a impressão, que tive nessa altura, de que caso Passos Coelho venha a ser líder do PSD, o futuro é para esquecer.

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18 pensamentos sobre “A entrevista de Passos Coelho mostra bem o que ele é

  1. A entrevista de facto deixou bastante a desejar.

    A imagem de PPC é boa, a estratégia de promoção pessoal nos media também tem sido bem conduzida mas a mensagem continua a apresentar, pelo menos para já, lacunas e inconsistências graves.

    Se o registo não melhorar, não augura nada de bom para o futuro do PSD.

  2. Ricardo

    O que PPC disse foi que nas condições presentes não de pode avançar com o projecto, sem que isso signifique um abandono definitivo. É um projecto a considerar num contexto económico melhor.

    Qual é a dúvida? Porque é que isto é desonesto?

    Até compreendo que discorde, mas não vejo qualquer desonestidade.

  3. JoaoMiranda

    ««É um projecto a considerar num contexto económico melhor.

    Qual é a dúvida? Porque é que isto é desonesto?»»

    O TGV é economicamente inviável em qualquer contexto económico.

  4. Excelente, a referência ao Marcelo.
    Ainda há pouco o vi, no abstruso programa da RTP, considerar “infelizes” as declarações do Cardeal-Patriarca sobre os casamentos com muçulmanos.
    Do Passos Coelho e do Marcelo – para não referir outras desgraças por demais conhecidas -, pode dizer-se que, com amigos assim, nem o PSD precisa de inimigos nem o Sócrates de propagandistas.

  5. Miles

    Bem o PPC sempre pode apresentar um programa de distribuição gratuita de droga com base nas apreensões das polícias uma vez que promessas de redução de SMO já foi chão que deu uva…
    Pois é.É difícil a quem sempre “derrubou” apresentar algo de “construção” não é?
    Cheques em branco nunca mais…

  6. -Começo a pensar que o PSD é que está cada vez mais transformado num partido inviável. Com o PS demagógico virando à esquerda, o CDS/PP resume-se a Paulo Portas, a Direita necessita com urgência de ser repensada…

  7. Ricardo Arroja

    O PPC também me (des)iludiu. Infelizmente, não tem consistência. Aliás, não entendo como é que ainda continua a aparecer tanto. E também não entendo como é que continua a desperdiçar as oportunidades e a não dizer nada com cabeça, tronco e membros.

    Se querem apostar em malta nova do PSD, então têm aquele rapaz de barbas (acho que é um tal de Miguel qq coisa) que costuma aparecer no telejornal do Mário Crespo. Esse, sim, parece ser consistente e não se sai nada mal frente às câmaras.

  8. Ricardo Arroja

    Miguel Frasquilho, suponho. É verdade, o homem não se cansa de pedir baixa de impostos.

    Não li a entrevista. Mas é pena que PPC não diga que o TGV é um erro crasso. Estratégico? E qual é a estratégia, apetece perguntar?

  9. Ricardo Arroja

    Não, não é o Miguel Frasquilho. Esse eu conheço bem. É outro, que suponho terá sido secretário de Estado no governo do Durão Barroso.

  10. Pingback: A propósito da entrevista de Passos Coelho « O Insurgente

  11. Pingback: Liberalismo à portuguesa « O Insurgente

  12. Sara

    “caracter duvidoso da figurinha”??? esta tentativa de ridicularizar o bom nome e a boa imagem de um politico como Passos Coelho, não só é uma vergonha como demonstra o medo que muitos tem de perder os seus tachinhos e arranjinhos. se querem comentar comentem construtivamente para bem do pais e da nossa população, não para destruir.

  13. Pingback: O caso do livro que não existe « O Insurgente

  14. carla

    Concordo plenamente, com o comentário anterior… É por estas e por outras que o jornalismo é o que é em Portugal. O jornalista tem a meu ver a obrigação de relatar factos e não fazer um juízo de valor, completamete parcial acerca de quem quer que seja…
    Não tenho nem pretendo ter qualquer conexão com um partido político, mas como funcionária pública, posso dizer com toda a honestidade que espero sinceramente ver o Primeiro Ministro José Sócrates a terminar as suas funções o mais depressa possível, pois (e saliento que não tenho qualquer partido político nem sou apoiante de menhum) quando Manuela Ferreira Leite falava de asfixia democrática, ela sabia o que dizia, e quem está na função pública, principalmente na administração central, sabe o que digo. O Sr 1º ministro soube colocar em quase todos os locais de chefia da administração, pessoas da sua cor partidária (parecendo agentes da PIDE disfraçados), provocando um sentimento pior do que o do tempo de Salazar, pois na altura, havia ditadura e as proibições eram claras e hoje vive-se na administração central uma ditadura escondida e suja… É preciso mudar urgentemente… E se o Dr Passos Coelho é a alternativa, pois seja benvindo. Ao que tudo indica, vai ser o novo Primeiro Ministro de Portugal, por isso espero sincerametne que as coisas melhorem pois vive-se uma tensão insupurtável.

    Tentem investigar e escrever sobre isso senhores jornalistas…se vos deixarem.

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