Decifrando Daniel Oliveira…

…e partes do seu post Regras da propaganda:

– Associar qualquer condenação ao crime que está a ser levado a cabo em Gaza a um apoio ao Hamas.

Só por falta de tempo é que quem condena os ataques de Israel a Gaza se esqueceu ao longo dos últimos meses de condenar os ataques do Hamas a Israel.

– Aproveitar o facto de Palestina não ser, porque não a deixam, um Estado estruturado, para dar a Israel (”um país”) uma legitimidade diferente da de qualquer grupo palestiniano (”um gangue”).

O Hamas e Israel são entidades semelhantes e se Israel o permititsse a Palestina seria um estado próspero, unido e pacífico. Na verdade a Mossad é que encenou os conflitos armados entre o Hamas e a Fatah. Foi tudo no mesmo estúdio em que filmaram a chegada à lua.

– Usar o facto de Israel ser uma democracia para legitimar qualquer acto, como se a democracia desse às bombas de um país uma natureza diferente. E nunca permitir que alguém recorde que o Hamas, também ele, foi eleito. Quem o disser, apesar de ser um facto, é apoiante do Hamas.

Usar o facto de Israel ser uma democracia para legitimar qualquer acto é mau. Usar o facto de o Hamas ter sido eleito para legitimar qualquer acto é bom.

– Aproveitar o facto de Israel não deixar que haja testemunhas em Gaza para desumanizar esta guerra, para a tornar “limpa”.

A situação em Gaza é completamente desconhecida do opinião pública mundial. Esta deverá ser a guerra menos mediática dos últimos anos. Se não fosse eu e o esquerda.net ninguém teria conhecimento do que se está lá a passar.

– Desacreditar todas as testemunhas, como foi feito com os médicos noruegueses.

Tudo o que se passa em Gaza deve ser revelado, excepto a parcialidade das testemunhas.

– Deslegitimar qualquer imagem de mortos, tratando-a como propaganda e manipulação.

Não existe qualquer utilização de imagens de mortos para fins de propaganda.

– Feito isto, criar um paralelo entre o número de rockets lançados para Israel com o número de mortos na Palestina, em vez de, como obriga a lógica e a honestidade, comparar mortos com mortos e feridos com feridos.

Israel só terá o direito de se defender no dia em que o Hamas tenha capacidade militar para ameaçar a sua existência.

– Usar qualquer imagem falsa dos acontecimentos para desacreditar todas as imagens que nos chegam, através de correspondentes, de Gaza. Assim, as pessoas deixam de acreditar mesmo no que vêem.

Tudo o que se passa em Gaza pode ser reportado, excepto as manipulações nas reportagens.

– Quem não usar a palavra “terrorismo” para falar do Hamas é um fanático. Quem usar a palavra “terrorismo” para falar de Israel é um fanático. A posição equilibrada e neutral exige linguagem desequilibrada e parcial.

Israel atinge maioritariamente instalações utilizadas para fins militares avisando com antecedência as populações dos alvos, portanto é terrorista. Já o Hamas apenas deseja o desaparecimento do Estado de Israel e ataca indiscriminadamente a sua população, algo normal nas relações entre estados vizinhos em qualquer parte do mundo.

– Impor a ideia de que qualquer morte de um civil palestiniano não é premeditada.

Israel mata civis de forma premeditada.

– Tratar todos os palestinianos civis como supostos militares do Hamas.

Um exército que não consiga distinguir entre militares vestidos à civil e civis é terrorista e assassino.

– Quando assim não pode ser justificado (caso de crianças pequenas), responsabilizar o Hamas por cada morte, já que usarão os civis (numa das regiões mais densamente povoadas do Mundo) como escudo humano. Desresponsabilizar, mais uma vez, Israel por qualquer consequência dos seus actos.

O Hamas só utiliza escolas e hospitais como instalações militares porque Gaza é tão sobrepovoada que não há espaço para as construir noutro lado. No fundo não é o Hamas que utiliza escolas e hospitais como instalações militares, eles são tão bonzinhos e amigos da população que permitem que as instalações militares sejam utilizadas como escolas e hospitais.

– Fazer esquecer todos os precedentes e todo o contexto de cerco e bloqueio, fazendo passar a ideia que estamos perante um paralelismo de situações entre Israel e a Palestina, em que o primeiro se limita a reagir aos actos da segunda.

O Hamas antes do bloqueio a Gaza era essencialmente um grupo de freiras, prestes a ganhar o Prémio Nobel da Paz

– Fingir que este conflito sempre foi com o Hamas, (…)
Este conflito não tem nada a ver com o Hamas. Israel está apenas a começar pela parte mais pequena da Palestina.

Já vou no segundo charro.

– Tratar a disponibilidade dos israelitas para combater como sinal de resistência e patriotismo.

Combater pelo direito a existir é fanatismo.

– Tratar a disponibilidade dos palestinianos para combater como sinal de fanatismo.

Desejar fazer-se explodir em cafés e autocarros é sinal de resistência e patriotismo.

11 pensamentos sobre “Decifrando Daniel Oliveira…

  1. Filipe Abrantes

    “Combater pelo direito a existir é fanatismo.”

    Se eu invadir um terreno do CGP à força e passar a resistir às tentativas de desocupação, isso também pode ser “combater pelo direito a existir”? Não estou a dizer que é o que está em causa aqui, mas esse “direito a existir” do CGP parece demasiado simplista.

  2. Luís Vilela

    A posição que o post analisa é muito comum. Estranho que tenha tanta cobertura mediática, que se reforce – mesmo através da ocultação de factos ou da sobrevalorização de outros – uma posição que é, no fim de contas, anti-semita. E esse tipo de posições, especulando um pouco, vai dar “ao caldo de cultura” das manifestações violentas por essa Europa fora (e não só) contra o desenvolvimento económico-social mundial. Haja liberdade de as expor e criticar. Com humor, como é o caso.
    Saudações,
    Luís Vilela.

  3. lucklucky

    “Associar qualquer condenação ao crime que está a ser levado a cabo em Gaza a um apoio ao Hamas.”

    Foi a extrema esquerda que apoiou o nascimento dos grupos terroristas e transformou os Palestinianos em paus mandados para a Guerra Fria do Comunismo contra a América e contra o Ocidente. A lógica dos grupos terroristas marxistas protegidos e justificados na Europa(até um deputado esquerdista italiano andou com um míssil no porta bagagens do carro em plena Italia) pela união Jornalismo-Marxismo tornou a lógica de poder dentro da sociedade Palestiniana entregue a quem faz mais violência e é mais brutal. O utilitarismo e exploração dos palestinianos pela esquerda com a conivência mediática. Não esquecer que tentaram o mesmo Golpe na Europa com as FP-25, Brigadas Vermelhas, Bader-Meinhof etc. Não tiveram sucesso só porque a Europa tinha uma sociedade um pouco mais estável e conseguiu resistir á lógica do poder pela violência, mas numa sociedade embrionária como a Palestiniana a esquerda lançou um cancro que vai demorar décadas a estirpar.

    E se há alguém que com toda a certeza cometes crimes é o Hamas, contra os Israelitas e contra os Palestinianos.

  4. José Mexia

    Já é a segunda vez esta semana que o Daniel Oliveira leva a valer na Blogosfera, ver “A causa foi modificada”.
    Excelente.

  5. O frenesim do Daniel é deveras estranho. A ânsia com que procura demonizar um país democrático que exerce um direito de legítima defesa, e desculpar uma organização terrorista cujos objectivos ela mesma não esconde (destruir Israel) e não pretende abandonar, é quase patológica.
    Ele garante que não o move o velho anti-semitismo, mas tudo o que escreve desmente em cada linha a reivindicação.
    Parece não ter qualquer consciência que não há no mundo nenhum anti-semita que se assuma como tal e que todos o fazem sob 3 eufemismos palatáveis:
    -Anti-sionismo
    -Apoio à “causa palestiniana”
    -Discordância das “políticas de Israel”.
    O Daniel (e eles todos) raramente se questionam a si mesmos porque razão são tão apaixonadamente contra as “políticas de Israel” e as políticas da Rússia, da Bielorússia, do Nepal, do Sri Lanka do Sudão e dos restantes 190 países do mundo , não os excitam sequer a escrever uma letra, quanto mais 200 postes (exceptuando os EUA, claro).
    O Daniel não se questiona a si mesmo porque razão a “causa paelstiniana” o aquece tanto, ao passo que as causas curda, cingalesa, catalã, corsa, quebequois, zimbabwena, cubana, iraniana, e outras centenas, não lhe aquecem sequer uma unha.
    O Daniel não se questiona a si mesmo porque razão proclama o seu anti-sionismo e não outros antis, como o anti-portuguesismo, o anti-espanholismo, o anti-russismo, o anti-antilhismo, o anti-burkina fasismo, e outros 190 e tais anti.
    O Daniel não se questiona sobre nada disso, porque está ocupado a racionalizar algo que sabe ser condenável sobre o ponto de vista ético.
    O facto de o Zézé/Euroliberal se identificar com aquilo que o Daniel escreve, deveria fazer acender uma luzinha de alarme na cabeça do Daniel.
    Mas não faz , porque a paixão ideológica é uma doença e uma máquina de ignorar factos.
    E é nestes momentos que as últimas palavras de Adolfo Hitler relampejam à nossa frente:

    “Passarão os séculos, mas nas ruínas das nossas cidades e monumentos, renovar-se-á o ódio contra aqueles que são os verdadeiros responsáveis por isto: o judaísmo internacional!”
    (Adolf Hitler, My Political Testament)

  6. Nosferatu

    O franzino David não reconhece o direito à existência do gigante Golias, que por sua vez não reconhece o direito à existência do franzino David. A diferença é que o gigante tem, para além das intenções, o poder suficiente para esmagar o Davidezinho (esforço a que, de resto, não se tem poupado), enquanto que o franzino só pode responder ao Golias com insultos. Ora, chamar nomes às pessoas é uma coisa muito feia, como toda a gente sabe. O facto de ser constantemente alvo das judiarias do gigantone Golias não dá ao menino David o direito de lhe chamar “filho da puta”. O menino David é um malcriadão. E como eu detesto malcriadões, dou todo o meu apoio ao brutamontes Golias. Se quer o meu apoio, o franzino deve sofrer em silêncio, estoica e humildemente, e tentar conquistar o coração do gigantão. Deve, em suma, tentar convertê-lo ao pacifismo. Se se deixasse exterminar sem um ai, o franzino palestino conquistaria para sempre a nossa admiração. Assim não.

  7. Pingback: Ai a maldade sionista « O Insurgente

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