“Todos somos keynesianos”

Uma das técnicas mais eficientes de marxismos e socialismos, do ponto de vista “processual”, passa por alterar a carga semântica das palavras que, na sua nova locução, nos conduzem a “caminhos diferentes”, a “novas significações”. Em muitos casos, a significação socialista acaba por traduzir precisamente o oposto daquilo a que os homens comuns se haviam habituado. “Liberdade”, por exemplo, num contexto socialista, significa precisamente o contrário daquilo que qualquer cidadão médio concebe concebia, no sentido da capacidade de agir, e de estar protegido da acção de terceiros que ponha em causa a sua esfera de direitos básicos. Iguais dificuldades encontramos se procurarmos entender o significado de “igualdade” ou “redistribuição”, tudo palavras que o socialismo esvaziou no plano semântico para lhes dar um sentido que, em muitos casos, nem os próprios adeptos do socialismo entendem. Até o pobre Jesus Cristo, não bastando ter sido pregado na Cruz, se viu adoptado por uma espécie de “neo-socialismo light”, ao bom estilo festivo “superstar”, que o aproximou dos valores socialistas, de uma forma simplista; Cristo seria o “homem novo”, havendo quem tenha lançado inúmeras pontes “ecuménicas” entre marxismo e cristianismo.

A mais recente vítima desta transfiguração do sentido das coisas, tal como as conhecíamos antes, é John Maynard Keynes. Se Keynes fosse vivo, certamente ficaria chocado com a forma como o seu nome tem sido usado para justificar medidas que, em vida, ele refutaria, e endereçaria a outros à sua esquerda ou no campo do oportunismo político. Pobre Keynes, citado para justificar aberrações, como a emissão desregrada de moeda, o colapso da credibilidade dos Estados no mercado da dívida, intervenções arbitrárias no resgate de empresas, ou investimentos públicos sem qualquer critério.

Hoje, parece difícil encontrar alguém que não tenha descoberto ser, afinal, “keynesiano”. Até porque, em boa verdade, não importa muito saber o que isso significa. O que interessa, mesmo, é que Keynes, morto e providencialmente caladinho, está na moda, serve para justificar o que for preciso, sobretudo mais Estado, mais Estado de qualquer maneira…

4 pensamentos sobre ““Todos somos keynesianos”

  1. Pingback: Imagino que isto venha a propósito das entrevistas de Sócrates e Jardim… « bem-vindo à esfera

  2. alex molinari

    não m considero nenhum expert d economia mas o keynesianismo tem um contexto temporal muito preciso..
    uma época em q os estados gastvam muito pouco da economia.. peanuts simplesmente comparado c os tempos de hoje!!

    qt à restante discussão de keynesianismo, direi q me faz lembrar tanta gente q s diz cristã e nem sabe muito
    bem quem é jesus ou então que freud tb de certeza não seria nunca freudiano!

  3. Pois é, André, o Keynes ainda se aguenta, agora os “novos keynesianos” de trazer por casa? Deus nos livre desta praga!

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